Sal Buscema, quadrinista clássico da Marvel, morre aos 89 anos

Andre Luiz

O desenhista Sal Buscema, um dos nomes mais produtivos e influentes da história da Marvel Comics, morreu aos 89 anos, poucos dias antes de completar 90. A informação foi confirmada pelo artista Sterling Clark, que havia trabalhado recentemente com Buscema em um projeto.

Reconhecido por sua atuação em títulos clássicos como O Incrível Hulk, Capitão América, O Espetacular Homem-Aranha e Rom, o Cavaleiro do Espaço, Buscema marcou gerações de leitores ao longo de mais de cinco décadas de carreira.

Confirmação da morte e homenagens

Sterling Clark comunicou o falecimento após conversar com a família do artista. Em depoimento, destacou a relevância de Buscema para os quadrinhos norte-americanos:

“Uau. Acabei de receber a notícia da Sra. Joan de que Sal Buscema faleceu na sexta-feira passada. Ele tinha 89 anos. Hoje, ele teria completado 90.”

Clark também ressaltou o impacto direto do artista em sua formação profissional:

“Eu não apenas li os quadrinhos que ele desenhou, eu os estudei.”

Início precoce e parceria com John Buscema

Sal Buscema começou a trabalhar com quadrinhos ainda no ensino médio, no início dos anos 1950, realizando arte-final na Dell Comics, muitas vezes sobre os desenhos do irmão mais velho, John Buscema, uma das maiores lendas da Marvel.

Após servir no exército, atuou por alguns anos no mercado publicitário. Seu retorno definitivo aos quadrinhos ocorreu em 1968, incentivado por John, que confiava no irmão como seu principal arte-finalista.

O primeiro trabalho publicado na Marvel foi em Surfista Prateado nº 4, edição que se tornaria histórica:

“Eu quero meu irmão.”

A frase foi dita por John Buscema ao editor Stan Lee, segundo relato registrado no livro Sal Buscema: Comics’ Fast and Furious Artist.

Ascensão como desenhista e produção intensa

Inicialmente atuando como arte-finalista, Sal Buscema passou a se dedicar aos lápis e se tornou um dos artistas mais rápidos e constantes da Marvel. Em entrevista, ele descreveu sua evolução profissional:

“Quando passei por aquele período de transição de cinco anos, virei praticamente uma máquina.”

Seu primeiro trabalho regular como desenhista foi em Os Vingadores, ao lado do roteirista Roy Thomas, onde ajudou a introduzir o Esquadrão Sinistro, grupo que mais tarde inspiraria o Esquadrão Supremo.

Trabalhos marcantes na Marvel Comics

Ao longo dos anos 1970 e 1980, Buscema passou por praticamente todos os títulos centrais da editora. Entre os destaques estão:

  • Capitão América, em parceria com Steve Englehart, culminando na saga “Império Secreto”, que levou Steve Rogers a assumir a identidade de Nômade
  • Os Defensores, incluindo o célebre confronto entre Hulk e Thor
  • Namor, o Príncipe Submarino
  • Novos Mutantes, antes da mudança radical de estilo com Bill Sienkiewicz

A década definitiva com o Hulk

O personagem mais associado ao nome de Sal Buscema foi o Hulk. A partir de 1975, o artista desenhou O Incrível Hulk de forma quase ininterrupta por dez anos, trabalhando com roteiristas como Len Wein, Roger Stern e Bill Mantlo.

Foi nesse período que se popularizou o chamado “Soco Buscema”, um enquadramento dinâmico que se tornou marca registrada do artista.

Homem-Aranha, Rom e reconhecimento tardio

Nos anos seguintes, Buscema teve passagens longas por O Espetacular Homem-Aranha — onde trabalhou por cerca de 100 edições — e por Rom, o Cavaleiro do Espaço, desenhando 58 números consecutivos da série.

O roteirista J.M. DeMatteis, parceiro de Buscema no Homem-Aranha, prestou homenagem ao artista:

“Trabalhar com Sal por dois anos em O Espetacular Homem-Aranha continua sendo um dos pontos altos da minha carreira.”

Últimos anos e legado

A partir dos anos 1990, Buscema passou a alternar trabalhos entre Marvel e DC Comics, atuando principalmente como arte-finalista. Seu último trabalho regular foi ao lado de Ron Frenz, na série Spider-Girl, onde permaneceu até cerca de 2011.

Mesmo após a aposentadoria parcial, continuou colaborando ocasionalmente em projetos especiais.

Sal Buscema deixa a esposa, Joan, e três filhos. Seu nome permanece associado a uma das fases mais produtivas e fundamentais da história dos quadrinhos norte-americanos.

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