Quase uma década se passou desde que Batman vs Superman: A Origem da Justiça dividiu o mundo do cinema, mas para Zack Snyder, o orgulho pela obra permanece intacto. Em uma entrevista recente à Entertainment Weekly e ao podcast Happy Sad Confused, o diretor não apenas defendeu suas escolhas criativas, como criticou duramente a tendência de grandes estúdios de “limar as arestas” de suas narrativas para agradar grupos de foco.
A “versão corpotativa” vs. a visão do autor
Snyder foi enfático ao questionar o que o público realmente deseja ver nas telas. Para ele, filmes produzidos em salas de reunião, baseados em testes e ideias pré-aprovadas para garantir o prazer imediato, são versões diluídas da arte:
Você realmente quer um filme que teve todas as arestas aparadas por grupos de foco? Você realmente quer a versão ‘Kmart’ da sua história? É isso que você realmente quer?
O diretor relembrou que as interpretações não convencionais — como o Batman de Ben Affleck que não demonstra remorso ao matar e o Superman de Henry Cavill com um lado mais sombrio — foram escolhas deliberadas para desconstruir esses mitos, mesmo que isso causasse desconforto.
O embate sobre idade mínima: Uma luta “indelicada”
Um dos pontos mais curiosos da entrevista foi o relato de Snyder sobre a dificuldade de conseguir a classificação de idade para o filme. Segundo ele, a MPAA (órgão que regula a classificação indicativa nos EUA) insistia na Classificação R (para maiores) não apenas pela violência física, mas pelo conceito do filme.
Snyder revelou que recebeu informes apontando que a ideia do Batman lutando contra o Superman era inerentemente “rude”. Para o diretor, isso foi um sinal de que eles estavam “chutando o saco da cultura pop da épica” ao desafiar a percepção sagrada que o público tinha desses personagens.
Uma “erva daninha” que se recusa a morrer
Embora o Universo DC esteja sendo reiniciado por James Gunn, Snyder comparou sua trilogia (Homem de Aço, Batman vs Superman e Liga da Justiça) a uma planta resiliente. Enquanto o novo Superman de Gunn é visto por ele como uma “flor gloriosa”, sua própria iteração é como uma “erva daninha que simplesmente não morre”, crescendo de forma independente e mantendo sua própria vida orgânica entre os fãs.
Sobre um possível retorno, Snyder adotou a filosofia do “nunca diga nunca”. Ele lembrou que a existência do Snyder Cut em 2021 foi um evento considerado impossível por muitos devido a custos e política de estúdio, mas que se materializou graças à persistência.

Gratidão aos fãs e o legado social
Zack Snyder encerrou defendendo fervorosamente sua base de fãs. Embora o grupo frequentemente receba rótulos de “tóxico”, o diretor fez questão de destacar o impacto real que eles causaram fora das redes sociais. Após a trágica perda de sua filha Autumn, os fãs arrecadaram centenas de milhares de dólares para a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio:
Eles literalmente salvaram vidas humanas. Então você pode ir se f*** se é isso que você pensa [sobre os fãs serem apenas tóxicos]
Você acha que a visão “desconstruída” de Snyder faz mais sentido hoje, com a saturação dos filmes de heróis coloridos, do que na época do lançamento?





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