A disputa judicial entre Sony e Tencent ganhou um novo capítulo digno de um blockbuster. A Tencent finalmente respondeu às acusações de plágio envolvendo Light of Motiram, jogo que a Sony afirma ser uma “cópia descarada” da franquia Horizon. E a gigante chinesa não economizou nas palavras: em sua defesa, afirmou que “fama não cria uma marca registrada”, referindo-se à protagonista Aloy.
Entenda o caso
Tudo começou quando a Sony entrou com um processo alegando que Light of Motiram infringia direitos autorais e marcas registradas da série Horizon, especialmente por supostamente copiar elementos visuais, temáticos e até a aparência da personagem Aloy.
A empresa japonesa pediu uma liminar judicial para barrar o lançamento do jogo. No entanto, a Tencent reagiu, argumentando que a ação foi movida contra a entidade errada, já que o braço responsável por Light of Motiram não seria a Tencent Holdings, mas outra subsidiária.
“O processo está errado desde o início”, diz Tencent
Segundo documentos identificados por veículos internacionais, a Tencent alegou que a Tencent Holdings — a controladora global — não teve envolvimento direto com o projeto. A defesa reforça que nenhum funcionário da empresa participou da reunião de março de 2024 em São Francisco, citada pela Sony, e que não houve atos deliberados de marketing ou distribuição nos Estados Unidos.
Além disso, a Tencent explicou que o registro da marca Light of Motiram foi feito apenas para fins administrativos, e não como uma tentativa de promover o jogo fora da China.
Em um trecho do documento, a empresa chega a ironizar a abordagem da Sony:
A frustração da Sony por precisar seguir os procedimentos corretos não justifica um processo deficiente contra entidades que não são responsáveis pelas alegações.
Aloy é famosa, mas não uma marca registrada, diz Tencent
A defesa da Tencent também questiona a base legal da suposta marca registrada “Aloy”, um dos principais pontos da acusação da Sony.
De acordo com o documento, a Sony não conseguiu identificar um “marco visual ou distintivo” que comprove a existência da marca. A Tencent argumenta que a personagem Aloy é reconhecida apenas dentro do universo do jogo, e não como uma marca comercial no sentido jurídico.
“Pode ser verdade que os jogadores reconheçam Aloy como personagem dentro do jogo, mas isso não a torna uma marca registrada. Fama não cria uma marca — para isso, o símbolo precisa servir como identificador de origem de um produto ou serviço”, diz o texto.
A empresa também rebate a ideia de que Aloy é o principal “identificador de origem” da franquia Horizon, afirmando que elementos como o mundo pós-apocalíptico e os animais robóticos também fazem parte da identidade da marca — e que o mesmo raciocínio não poderia ser aplicado de forma seletiva.
Sony rebate e acusa Tencent de “jogo de conchas corporativo”
A Sony, por sua vez, já respondeu à primeira defesa da Tencent, afirmando que a empresa está tentando confundir o tribunal ao se esconder por trás de diferentes subsidiárias.
De acordo com a Sony, a Tencent usa o mesmo nome corporativo para divulgar seus jogos, sem deixar claro qual divisão é responsável por cada título, o que configuraria uma tentativa de evitar responsabilidades legais.
“A Tencent tenta evitar responsabilidade brincando de jogo de conchas com suas marcas e entidades”, afirmou o documento da Sony.
E agora?
O caso ainda está em andamento, mas a disputa pode se tornar um marco para o uso de personagens e identidades visuais em jogos. Caso a Tencent saia vitoriosa, isso pode abrir precedentes para outros estúdios criarem títulos “inspirados” em grandes franquias sem necessariamente violar leis de marca.
Por outro lado, se a Sony vencer, o tribunal pode endurecer as regras de proteção de identidade visual e de personagens, o que afetaria diretamente a forma como as empresas desenham seus mundos e protagonistas.



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