A estreia da terceira temporada de ‘Jujutsu Kaisen’ mostra porque a série é tão consagrada!

Luiz Gustavo Gonçalves

A terceira temporada de ‘Jujutsu Kaisen’ finalmente chegou e já começa deixando claro que a história entrou em um estágio muito mais sombrio. Os dois primeiros episódios adaptam o material exibido nos cinemas, mas isso não diminui em nada o impacto. Pelo contrário: o anime usa o tempo a seu favor, reforçando emoções, símbolos e consequências que agora recaem diretamente sobre Yuji Itadori.

Logo na abertura, vemos Itadori vivendo uma rotina solitária após o Incidente de Shibuya, carregando uma culpa que não é dele por completo, mas que ele sente como se fosse. As mãos sujas de sangue, a lavagem obsessiva, o silêncio constante… tudo comunica visualmente que o protagonista está quebrado por dentro, vivendo com o peso de milhares de mortes causadas pelo Sukuna.

Itadori e o terror psicológico em evidência

A cena das maldições perseguindo o Itadori é estendida em relação ao mangá, e essa escolha foi simplesmente genial. O anime transforma o momento em uma verdadeira sequência de terror psicológico, mostrando que ele não consegue escapar do que aconteceu, nem mentalmente, nem fisicamente.

Entre essas maldições, uma em especial chama atenção: uma criatura gigantesca com um olho vermelho cheio de linhas — dentro de uma boca no lugar do rosto todo, lembrando fortemente o Dez Caudas de ‘Naruto’. Esse tipo de referência não quebra a identidade da obra, pelo contrário, reforça como ‘Jujutsu Kaisen’ dialoga com o imaginário dos fãs de anime enquanto mantém sua própria atmosfera sinistra.

À esquerda a mão vermelha simbolizando a culpa. Na direita o monstro parecido com o 10-caudas.
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

A abertura como obra de arte e o simbolismo da água

A nova abertura é, sem exagero, uma galeria de arte em movimento. Com música da mesma banda de “Specialz”, a King Gnu — ela reúne referências à pinturas clássicas, arte moderna, cinema e simbolismos visuais que merecem ser analisados frame a frame. É o tipo de abertura que não existe só para empolgar, mas para contar história e reforçar ainda mais suas camadas. 

Desde a primeira temporada, ‘Jujutsu Kaisen’ utiliza água e peixes como metáforas centrais. Itadori submerso. Peixes nadando ao redor. junpei associado a uma água-viva. Gojo e Geto como peixes beta representando o Yin-Yang. Tudo isso se conecta diretamente ao Jogo do Abate, pois é chamado de Shimetsu Kaiyuu em japonês. Significando “aniquilação da migração”, onde os participantes são tratados como “nadadores” em um ambiente hostil. Como um cardume diante do fim no terror do oceano.

Itadori espantado em meio a água
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN

Kenjaku, a mãe de Itadori e o horror silencioso da narrativa

O momento mais perturbador da abertura é a imagem do Itadori bebê ao lado da mãe morta, inspirada no quadro Mãe Morta, de Egon Schiele. Mas o detalhe que arrepia é a cicatriz na testa da mãe, idêntica à do Kenjaku. Deixando implícito que ele roubou o corpo dela e se passou por sua mãe.

Essa revelação silenciosa reforça o terror psicológico da obra e mostra como ‘Jujutsu Kaisen’ confia no espectador para ligar os pontos. Nada é jogado de forma expositiva; tudo é sugerido, e isso torna a experiência ainda mais pesada e memorável.

Na direita a pintura "Mãe Morta" de Egon Schiele e a esquerda sua referência no anime
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN e Egon Schiele.

Conflitos, violência e o início real do Jogo do Abate

O anime também acerta ao não suavizar personagens que precisam causar repulsa, como Naoya Zenin. Suas falas cruéis retornam sem censura, reforçando o ódio que o público deve sentir por ele. Isso ajuda a entender o caos interno do clã Zenin e como o passado de Toji continua afetando diretamente o presente.

Uma mulher que não sabe andar atrás de um homem merece levar uma facada nas costas e morrer

Nayoa Zen’in

Visualmente, o anime eleva cenas simples do mangá a outro nível, como o diálogo entre Itadori e Choso sob vitrais vermelhos, onde a cor simboliza culpa e julgamento. Com lutas intensas, a demonstração absurda do poder do Yuta e a chegada à Tumba do Plasma Estelar, a história finalmente entra no terreno mais sombrio de todos: o verdadeiro começo do Jogo do Abate e dos planos de Kenjaku que podem redefinir o destino do mundo.

Itadori desolado, sentado. Imagem do mangá ao lado do anime.
Reprodução – TOHO Animation/JUJUTSU KAISEN.
COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA