Dois representantes sindicais pediram publicamente a renúncia de Yves Guillemot, atual CEO da Ubisoft, alegando que a liderança atual é o principal obstáculo para a recuperação da empresa. Em entrevista ao portal Game Developer, Marc Rutschlé e Chakib Mataoui detalharam a crise interna que a gigante francesa enfrenta, citando desde a queda no valor das ações até o cancelamento sucessivo de projetos e a necessidade de uma reestruturação profunda.
Para Rutschlé, o problema começa no topo da hierarquia. Ele afirma que Guillemot se cercou de executivos que não contestam suas decisões, os chamados “yes men”, o que teria contribuído para a má gestão de crises anteriores, como o escândalo de assédio sexual em 2020. Segundo o representante, essa estrutura impede que a Ubisoft receba as críticas necessárias para corrigir sua trajetória no mercado de games.
Mataoui levantou questões sobre a falta de diversidade na liderança, exemplificando com a recente nomeação de Charlie Guillemot, filho de Yves, como co-CEO da Vantage Studios. Ele defende que a ausência de novas perspectivas e opiniões diversificadas está sufocando a criatividade da desenvolvedora. “Estamos em um trabalho criativo. Precisamos de novas ideias para fazer grandes jogos, mas não temos essa mentalidade no momento”, pontuou.

A dupla também destacou que a quebra de confiança entre os funcionários e a diretoria é alarmante. Eles argumentam que a empresa falhou em punir adequadamente os responsáveis por abusos no passado, criando um ambiente onde comportamentos tóxicos puderam prosperar. Rutschlé foi enfático ao dizer que o nível de desgaste da imagem de Guillemot é tão alto que apenas sua saída poderia permitir a reconstrução da confiança interna.
O clima de tensão culminou na convocação de uma greve geral. Funcionários da Ubisoft na França, apoiados por sindicatos internacionais, planejam paralisar as atividades entre os dias 10 e 12 de fevereiro de 2026. O movimento é uma resposta direta aos planos de demissões em massa e às mudanças nas políticas de trabalho remoto impostas pela administração central.
A crise na Ubisoft reflete um momento de instabilidade em toda a indústria de tecnologia e entretenimento, mas ganha contornos dramáticos devido às acusações de nepotismo e má conduta organizacional. Enquanto a empresa tenta se redefinir com novos lançamentos, a pressão externa e interna sobre o CEO continua a crescer, colocando o futuro da criadora de ‘Assassin’s Creed’ em um cenário de incertezas.




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