Valeu a espera? ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’ encerra a saga com sangue, fumaça e rock’n’roll

Cheyna Corrêa

Atenção: contém spoilers!

Por ordem dos Peaky Blinders, o gongo soou pela última vez. A Netflix entregou o que os fãs esperavam há anos: Peaky Blinders: O Homem Imortal. O longa não é apenas uma sequência, mas um encerramento satisfatório e reverente que honra a mente criminosa mais perversa, fria e calculista da televisão. Sob a direção de Tom Harper e o roteiro afiado de Steven Knight, o filme prova que, embora a série tenha terminado em 2022, o mito de Thomas Shelby é, de fato, imortal.

A trama dá um salto temporal estratégico para a Segunda Guerra Mundial, nos jogando diretamente no caos de 1940. A sequência de abertura, que retrata o bombardeio real da Luftwaffe na fábrica Birmingham Small Arms, é uma obra-prima técnica. Planos-sequência impressionantes, rock estridente e o cenário de escombros definem o tom de apostas altas: a guerra não está mais apenas nos negócios, mas batendo à porta de casa.

Divulgação/Netflix

O Rei no Purgatório e a Ascensão de Duke

Thomas Shelby (Cillian Murphy) começa o filme longe do trono. Assombrado pelo luto de Ruby e Grace, ele vive em um isolamento doméstico que beira o fantasmagórico. “Que rei eu fui”, ele lamenta, vagando por túmulos cobertos de mato. Murphy evoca um tormento puro através de sua atuação estóica, mostrando um homem que não está realmente vivo, nem morto, apenas escrevendo suas memórias enquanto aguarda o fim.

Mas o mundo não deixa Tommy em paz. Enquanto ele se isola, seu filho e herdeiro, Erasmus “Duke” Shelby (Barry Keoghan), governa com mão de ferro e um rancor profundo. Perfeitamente escalado, Keoghan espelha a imprevisibilidade fria de Murphy. Duke se vê atraído por um “cálice envenenado”: uma oferta de lucro de guerra vinda de John Beckett (Tim Roth). Beckett é um vilão arrepiantemente galante, um simpatizante nazista operando a real Operação Bernhard para quebrar a economia britânica com moeda falsa.

Foto: Robert Viglasky/Netflix

Um Duelo de Gerações banhado a lama e rock

A química entre Murphy e Keoghan é o coração pulsante do filme. Ver pai e filho em pé de guerra, chegando a brigar na lama entre porcos, é o puro suco de Peaky Blinders: cru, brutal e visceralmente ligado à família. Duke tenta superar o legado do pai com medidas extremas, enquanto a tia Ada Thorne (Sophie Rundle) tenta, sem sucesso, ser a voz da razão em meio ao caos.

O elenco de apoio também brilha com retornos pontuais e impactantes:

  • Hayden Stagg (Stephen Graham): O líder sindical retorna para ajudar Tommy a desmantelar os planos nazistas.
  • Kaulo (Rebecca Ferguson): A grande surpresa mística. Como irmã gêmea da falecida Zelda, ela traz um elemento sobrenatural que divide opiniões, mas serve como o gatilho necessário para tirar Tommy do exílio.
  • Aliados Históricos: Charlie Strong (Ned Dennehy), Johnny Dogs (Packy Lee) e Curly (Ian Peck) mantêm a base de lealdade que sustenta o império Shelby.
Divulgação/Netflix

A Estética da Imortalidade: Som e Imagem

Visualmente, os diretores de fotografia George Steel e Ben Wilson enquadram Tommy em glorioso chiaroscuro, tratando cada frame como uma pintura de luz e sombra. A trilha sonora continua sendo um personagem à parte. O filme é embalado pelos sons de Fontaines D.C., mclusky e, claro, o tema clássico de Nick Cave. Assistir Murphy desfilar em um cavalo preto pela última vez ao som dessas faixas é uma experiência emocionante que remete diretamente ao primeiro episódio da série.

Para os novos espectadores, um aviso: o filme contém spoilers massivos da série original. Embora o diálogo forneça contexto suficiente para entender quem é quem, o impacto emocional é reservado para quem acompanhou as seis temporadas de esquemas e assassinatos a sangue frio.

Foto: Robert Viglasky/Netflix

Veredito: “Não esquecerei de nada”

Peaky Blinders: O Homem Imortal entrega o “último round” que o fandom merecia. É uma despedida de Murphy para seu papel mais icônico, feito com luto e um orgulho relutante. O filme encerra a saga de forma explosiva e condizente com o peso histórico de seus personagens. Como o próprio Shelby diz no longa: “Eu me lembrarei de tudo e não esquecerei de nada”. O legado dos Peaky Blinders está seguro, seja nas mãos de Tommy ou nas cicatrizes de Duke.

Divulgação/Netflix

E aí, o que achou do filme?

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também


ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA