Como venda da Warner para Netflix ou Paramount pode afetar Harry Potter e outros

Andre Luiz

A guerra corporativa envolvendo a Warner Bros. Discovery (WBD) entrou em uma fase decisiva e levanta incertezas sobre o futuro de franquias históricas do cinema e da TV. O conselho do estúdio recomendou oficialmente que os acionistas rejeitem a oferta hostil da Paramount e mantenham o acordo de exclusividade firmado com a Netflix, movimento que reacendeu o debate sobre dívidas, controle criativo e estratégias de distribuição.

Em documento enviado à SEC em 7 de janeiro de 2026, a diretoria da WBD pediu que os acionistas rejeitem a proposta da Paramount, classificando o acordo com a Netflix como “superior”. Mesmo oferecendo um valor maior por ação, a investida da Paramount foi descrita como menos segura em termos de viabilidade financeira.

Atualmente, a Warner Bros. Discovery mantém um acordo de exclusividade com a Netflix, o que impede negociações com outros compradores. A proposta do streaming envolve mais de US$ 80 bilhões em dinheiro e ações por ativos. Caso a negociação não seja concluída, a Netflix terá de pagar uma “break-up fee” recorde de US$ 5,8 bilhões. Já se a WBD aceitar outra oferta, deverá desembolsar US$ 2,8 bilhões ao serviço de streaming.

Netflix lidera, mas disputa segue aberta

Apesar da exclusividade, a Paramount avançou com uma tentativa de aquisição direta junto aos acionistas, oferecendo até US$ 108 bilhões. O movimento foi classificado como uma tomada hostil, já que contorna a negociação com o conselho.

Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, o presidente do conselho da WBD, Samuel Di Piazza Jr., afirmou que a proposta da Paramount tem mais chances de não se concretizar. A avaliação ocorre mesmo com a garantia financeira pessoal de Larry Ellison, fundador da Oracle e pai do CEO da Paramount, David Ellison.

Ainda assim, a decisão final caberá aos acionistas, que votarão nos próximos meses sobre qual caminho seguir.

Impactos diretos no cinema e no streaming

O embate entre Netflix e Paramount vai além da troca de controle acionário. O modelo de negócios de cada empresa pode redefinir a forma como filmes chegam ao público. A Netflix, por exemplo, adota janelas teatrais reduzidas e prioriza o streaming como principal destino dos lançamentos.

Produções do universo DC, como Supergirl, poderiam chegar à plataforma em poucos dias após a estreia nos cinemas, o que afeta diretamente a arrecadação das salas de exibição. Embora os filmes continuem elegíveis a prêmios como o Oscar, o impacto financeiro para o circuito exibidor tende a ser significativo.

Por outro lado, a Paramount sinaliza interesse em manter uma presença forte nos cinemas, mas o alto nível de endividamento necessário para concluir a compra pode resultar em cortes de custos e revisão de projetos de grande orçamento.

Franquias em alerta: Harry Potter, DC e Star Trek

A possível mudança de controle da Warner Bros. Discovery levanta dúvidas sobre o futuro de propriedades intelectuais estratégicas, como Harry Potter, o DCU e até Star Trek, caso haja rearranjos entre estúdios.

A série de Harry Potter, atualmente em produção para a HBO, depende de planejamento de longo prazo para adaptar toda a saga. Em um cenário de consolidação, decisões sobre continuidade e investimento podem ser reavaliadas conforme o desempenho inicial.

No caso de Star Trek, que completa 60 anos em 2026, a franquia permanece como um dos pilares da Paramount. Novas produções, como Star Trek: Starfleet Academy, já têm estreia marcada para 15 de janeiro de 2026, no Paramount+.

Próximos passos da disputa

Com bilhões de dólares em jogo e múltiplas ofertas sobre a mesa, a disputa pela Warner Bros. Discovery segue sem desfecho imediato. Enquanto Netflix e Paramount ajustam suas estratégias, o mercado aguarda a votação dos acionistas, que definirá o rumo do estúdio e, possivelmente, o futuro de algumas das franquias mais conhecidas da cultura pop global.

Até lá, o cenário permanece marcado por negociações intensas, análises regulatórias e decisões que podem redesenhar o equilíbrio entre cinema tradicional e streaming nos próximos anos.

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