Warner pode desistir da Netflix e aceitar proposta da Paramount

William Prado

fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery parecia encaminhada desde dezembro de 2025, quando as duas empresas anunciaram um acordo de aproximadamente US$ 82,7 bilhões. No entanto, novas informações publicadas por veículos como o Deadline e o Variety indicam que o cenário pode mudar drasticamente.

Segundo essas fontes, a Warner Bros. Discovery pode anunciar, já nesta terça-feira (17), a intenção de abrir negociações com a Paramount Skydance sobre uma possível fusão alternativa.

A oferta da Paramount que pode mudar tudo

Apesar do acordo assinado com a Netflix, a família Ellison, que controla a Paramount desde a conclusão da fusão com a Skydance em agosto de 2025, teria apresentado uma proposta difícil de ignorar.

Enquanto a Netflix oferece US$ 27,75 por ação em um modelo que combina dinheiro e ações, a Paramount vai além: US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro.

Além do valor mais alto, a Paramount adicionou um incentivo financeiro pouco comum. De acordo com o Deadline, a oferta inclui uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada trimestre em que a transação não for concluída após 31 de dezembro de 2026.

Na prática, isso representa cerca de US$ 650 milhões em dinheiro por trimestre como compensação pela demora. A empresa de David Ellison também se comprometeu a cobrir uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões que seria devida à Netflix caso o acordo vigente fosse rompido.

Investidores querem todas as opções na mesa

As ofertas não solicitadas da Paramount já haviam sido rejeitadas anteriormente, mas dessa vez o tom mudou. Investidores da Warner Bros. Discovery têm se manifestado publicamente, exigindo que o conselho de administração avalie todas as alternativas disponíveis, mesmo com o acordo assinado com a gigante do streaming.

Essa pressão não é surpresa. A proposta da Paramount oferece mais dinheiro por ação, elimina a incerteza de receber parte do pagamento em ações (como na oferta da Netflix) e, segundo analistas, pode ter um caminho regulatório mais simples em determinados aspectos. Para os acionistas, trata-se de uma questão objetiva de valor.

As diferenças entre as duas propostas

Existe uma distinção fundamental entre o que cada empresa quer comprar. A Netflix mira apenas os estúdios de cinema e televisão, a HBO e o HBO Max. Canais como CNN, TNT, Discovery, HGTV e Food Network ficariam de fora, sendo reorganizados em uma empresa separada chamada Discovery Global.

Já a Paramount deseja adquirir a Warner Bros. Discovery inteira, incluindo os canais a cabo e as operações de notícias. Isso criaria um conglomerado de mídia gigantesco, reunindo sob o mesmo teto marcas como CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, HBO, DC Studios, CNN e Discovery Channel.

Estratégia ou blefe?

Há quem interprete essa movimentação como uma jogada de pressão da própria Warner Bros. Discovery para forçar a Netflix a melhorar sua oferta atual. Ao sinalizar interesse na proposta da Paramount, o conselho da WBD pode estar tentando arrancar condições mais vantajosas do acordo já existente.

Variety reforçou essa leitura ao afirmar que o conselho da WBD provavelmente está empurrando a Paramount a apresentar sua oferta final e definitiva. Com isso, os acionistas poderiam fazer uma escolha fundamentada, e a empresa ainda teria margem para pressionar a Netflix a igualar ou superar os termos da concorrente.

O que isso significa para o futuro da DC Studios e da HBO

Para os fãs de cultura pop, a questão central é: o que acontece com DC Studios, HBO e todas as franquias icônicas da Warner? Independentemente de quem vença essa disputa, o futuro de propriedades como Batman, Superman, Harry Potter, Game of Thrones e o catálogo centenário do estúdio está em jogo.

Sob a Netflix, o DCU de James Gunn poderia ganhar alcance global imediato, mas há preocupações no mercado sobre o modelo de lançamentos do streaming e o tratamento dado a franquias cinematográficas.

Sob a Paramount, a DC ficaria ao lado de marcas como Star Trek, Transformers e Missão Impossível, o que poderia criar um portfólio de propriedades intelectuais sem precedentes.

De qualquer forma, a situação está longe de resolvida. Este é, sem dúvida, um dos capítulos mais tensos da história recente de Hollywood.

As próximas semanas serão decisivas para definir quem ficará com o império construído pelos irmãos Warner há mais de um século.

Enquanto isso, vale lembrar que o cenário político e financeiro envolvendo a venda da WBD permanece complexo, com interesses que vão muito além do entretenimento. Fique ligado para mais atualizações.

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