A Warner Bros. Discovery anunciou nesta terça-feira (17) que vai abrir conversas com a Paramount Skydance, empresa liderada por David Ellison, para avaliar sua proposta de aquisição.
No entanto, o conselho da WBD deixou claro que segue recomendando de forma unânime o acordo já firmado com a Netflix. A decisão marca um novo capítulo na disputa bilionária pelo futuro da Warner, que vem movimentando o mercado de entretenimento global desde o final de 2025.
O que está em jogo na disputa pela Warner Bros.
Desde dezembro de 2025, a Netflix possui um acordo de US$ 83 bilhões para adquirir os estúdios de cinema e televisão da Warner, além da HBO e da HBO Max.
Inicialmente, a proposta envolvia uma combinação de dinheiro e ações a US$ 27,75 por ação, mas a gigante do streaming converteu tudo para um pagamento integralmente em dinheiro diante da pressão exercida pela Paramount.
Enquanto isso, a Paramount Skydance tem feito uma campanha agressiva para arrancar os ativos da Warner das mãos da Netflix. A proposta mais recente oferece US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro, com um valor empresarial estimado em US$ 108 bilhões.
Além disso, um representante da Paramount teria sinalizado verbalmente ao conselho da WBD que estaria disposto a pagar US$ 31 por ação, com margem para ir ainda mais longe.
Netflix libera janela de sete dias para negociações
Em um movimento estratégico, a própria Netflix concedeu uma dispensa limitada no contrato de fusão, permitindo que a Warner negocie com a Paramount Skydance até 23 de fevereiro de 2026.
Durante esse período, a WBD poderá discutir os termos ainda pendentes e buscar uma proposta final e vinculante da empresa de Ellison.
Embora estejamos confiantes de que nossa transação oferece valor e certeza superiores, reconhecemos a distração contínua para os acionistas da WBD e para a indústria do entretenimento causada pelas manobras da Paramount Skydance.
A declaração da Netflix deixa claro que a empresa se sente segura em sua posição. Além disso, a gigante do streaming mantém seus direitos de cobertura, o que significa que pode apresentar uma contraoferta caso a Paramount supere os termos atuais.
Votação dos acionistas marcada para 20 de março
A Warner Bros. Discovery confirmou que a assembleia especial de acionistas para votar o acordo com a Netflix acontecerá em 20 de março de 2026, às 8h (horário do leste dos EUA).
Acionistas registrados até 4 de fevereiro terão direito ao voto. Mesmo com a abertura de diálogo com a Paramount, o conselho reforçou sua posição favorável ao negócio com a Netflix.
David Zaslav, CEO da WBD, afirmou que o foco sempre esteve em maximizar o valor para os acionistas. Já Samuel Di Piazza Jr., presidente do conselho, destacou que a fusão com a Netflix criaria um futuro mais promissor para a indústria do entretenimento.
Os trunfos financeiros da Paramount Skydance
Para sustentar sua oferta, a Paramount conta com um arsenal financeiro impressionante. O acordo é respaldado por US$ 43,6 bilhões em compromissos de capital próprio, vindos de Larry Ellison, pai de David e cofundador da Oracle, e da RedBird Capital Partners.
Além disso, há US$ 54 bilhões em financiamento de dívida comprometidos pelo Bank of America, Citigroup e Apollo Global Management.
Outro destaque são os fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, que também apoiam a proposta. Para reforçar ainda mais sua posição, a Paramount se comprometeu a pagar a multa rescisória de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix caso os acionistas da Warner aceitem sua oferta.
Também prometeu um pagamento adicional de US$ 650 milhões por trimestre caso a transação não seja concluída até o final de 2026.
O que cada empresa quer comprar
Existe uma diferença fundamental entre as duas propostas. A Netflix deseja adquirir apenas os estúdios de cinema e TV, a HBO, a HBO Max e a divisão de games da Warner. Canais como CNN, TNT, TBS, Food Network e HGTV ficariam de fora, sendo reorganizados em uma empresa separada chamada Discovery Global, com previsão de separação no terceiro trimestre de 2026.
Por outro lado, a Paramount Skydance pretende adquirir a Warner Bros. Discovery inteira, incluindo todos os canais lineares e operações de notícias. Isso criaria um conglomerado de mídia gigantesco, reunindo marcas como CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, HBO, DC Studios, CNN e Discovery Channel sob o mesmo teto.
Para os fãs de cultura pop, o impacto é direto. As franquias da DC Studios, o futuro de séries originais da HBO e até o modelo de distribuição de grandes filmes podem ser profundamente afetados por quem assumir o controle da Warner. As próximas semanas serão decisivas para definir qual gigante do entretenimento sairá com o maior prêmio de Hollywood em mãos.






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