Fim da exclusividade? Anúncio da Xbox é ótimo para gamers, mas péssimo para o console

William Prado

Quem cresceu na época da “Guerra dos Consoles” jamais imaginaria ver este cenário: ‘Halo’ e ‘Gears of War’, do Xbox, rodando nativamente num PlayStation.

O que antes parecia heresia, hoje é a estratégia oficial da Microsoft. E, embora isso seja excelente para o seu bolso e para a acessibilidade dos jogos, pode significar o começo do fim para o Xbox como hardware.

A recente confirmação de que a Xbox Game Studios está, na prática, encerrando o conceito de exclusividade total, desenha um novo mapa para a indústria.

A lógica é fria e matemática: após gastar bilhões comprando Activision Blizzard e Bethesda, a conta precisa fechar. E ela não fecha vendendo jogos apenas para a base instalada do Xbox.

A Nova Sega?

Craig Duncan, chefão dos estúdios Xbox, deixou claro: o objetivo é que os jogos sejam jogados por todos. Para a Microsoft ‘Empresa’, isso é genial. Títulos como ‘Sea of Thieves’ e ‘Forza Horizon 5’ já provaram que vendem mais no console da Sony do que muitos exclusivos da própria rival. O dinheiro entra, os acionistas sorriem.

Mas para a Microsoft ‘Marca de Console’, isso é um tiro no pé. O Xbox sempre foi o “terceiro lugar” valente, sustentado por serviços inovadores (Game Pass) e, crucialmente, seus exclusivos.

Se você tira a exclusividade, você tira a identidade. O Xbox corre o risco real de sofrer o “Efeito Dreamcast”: assim como a Sega nos anos 2000, a Microsoft parece estar transicionando de fabricante de hardware para uma publicadora gigante de software.

A Sega sobreviveu e prospera hoje, mas ninguém mais tem um console dela na estante há 20 anos.

O Dilema do Consumidor

Para o gamer, a notícia é agridoce.

  • O lado bom: Você não precisa mais comprar uma caixa de R$ 4.000 só para jogar ‘Starfield’ ou o novo ‘Fable’. Seu PS5 ou PC darão conta do recado.
  • O lado ruim: A concorrência gera qualidade. Se o Xbox deixar de existir como uma ameaça de hardware para a Sony, o mercado vira um monopólio perigoso.

No fim das contas, a Xbox Game Studios vai sobreviver a qualquer console. Mas o Xbox Series X parece cada vez mais um produto de nicho, um “PC de luxo” para quem prefere o ecossistema da Microsoft, e não mais uma necessidade para jogar os grandes blockbusters.

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