Enquanto The Legend of Zelda celebra 40 anos de história, uma das principais vozes da fase mais recente da franquia compartilhou o que considera ser o verdadeiro coração da saga. Em entrevista exclusiva à CBR, a atriz Patricia Summersett, responsável por dublar a Princesa Zelda nos títulos modernos da série, afirmou que a essência da marca vai além da fantasia e da construção de mundo.
Segundo a intérprete, apesar do universo rico e complexo que envolve Hyrule, existe um elemento mais humano que sustenta a experiência ao longo das décadas.
“Eu acho que [Zelda] começou com uma voz menos desenvolvida ou menos confiante, o que também foi escrito na personagem, e isso evoluiu ao longo dos últimos quase 10 anos, e eu fico feliz que o trabalho tenha podido evoluir, e que a equipe tenha evoluído junto. Também espero que haja um legado que todos os fãs e as pessoas possam celebrar. Tem sido uma experiência muito positiva e maravilhosa de conexão, porque, no fim das contas, é disso que tudo isso se trata. Trata-se de humanos se conectando, e precisamos disso mais do que nunca agora. Qualquer forma de celebrar isso de maneira lúdica e alegre é simplesmente incrível. Eu me sinto muito afortunada e também sinto uma responsabilidade de estar presente quando estou com outras pessoas e ser aberta de coração.”
Evolução da personagem e trabalho em equipe
Summersett destacou que não é a única responsável pela nova abordagem da personagem e fez questão de dividir os créditos com a equipe criativa da Nintendo. Segundo ela, a transformação de Zelda ao longo dos últimos jogos é resultado de um esforço coletivo.
“Qualquer coisa pela qual eu fosse responsável é compartilhada, ou mais importante, dá essa responsabilidade e esse crédito aos criadores do jogo, que reescreveram Zelda, e ao restante da equipe que ajudou a criar a personagem. Eu diria que entrei para trabalhar com o roteiro diante de mim. Você faz o melhor que pode e entra na sala aberta e pronta para dar sua essência, e isso é sempre único.”
Feminilidade, força e representação nos games
Ao comentar sobre o processo de dar vida à princesa, a atriz afirmou que enxerga Zelda como uma figura que combina sensibilidade e firmeza, refletindo uma representação feminina mais aprofundada nos videogames atuais. Ela também explicou como se conecta emocionalmente à personagem.
“Eu mantenho meus olhos bem abertos e me mantenho aberta porque acho que isso ajuda na presença dela [nos jogos]. Ela quase tem uma abertura sensível e frágil ao abordar as coisas. Em outro nível, posso dizer que gosto de algumas das mesmas coisas que uma personagem como Zelda gosta, como a natureza, e ela cresceu na natureza. Eu me conecto muito facilmente com isso, e também com a sensação de pressão e incerteza. Isso é algo muito fácil de se relacionar também. Então eu recorro um pouco a isso, e o resto é imaginação e seguir o roteiro.”
Zelda nos jogos
Patricia Summersett dubla a personagem em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom e Hyrule Warriors: Age of Imprisonment.
A Princesa Zelda é uma das figuras centrais da franquia e ocupa papel fundamental na mitologia da série desde sua estreia, em 1986. Ao longo das décadas, a personagem foi retratada não apenas como integrante da família real de Hyrule, mas também como guardiã da Triforce da Sabedoria e peça-chave no equilíbrio entre luz e escuridão dentro do universo do jogo. Sua presença atravessa diferentes linhas do tempo da saga, assumindo variações de personalidade, função narrativa e protagonismo.
Com o passar dos anos, Zelda deixou de ser apenas a figura a ser resgatada para assumir posições mais ativas nas histórias. Em títulos como The Legend of Zelda: Ocarina of Time, The Legend of Zelda: Skyward Sword e The Legend of Zelda: Breath of the Wild, a princesa demonstra autonomia, inteligência estratégica e poder mágico próprio, participando diretamente dos conflitos que moldam Hyrule. Essa evolução acompanha a ampliação do papel feminino nos videogames, citado por Summersett.
Nos capítulos mais recentes, como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, a construção da personagem reforça elementos como responsabilidade, sacrifício e conexão com o povo de Hyrule, aprofundando sua dimensão emocional. Ao longo de quase quatro décadas, ela consolidou-se como um dos nomes mais reconhecidos da indústria dos games, simbolizando tradição, transformação e continuidade dentro de uma das franquias mais duradouras da Nintendo, ainda que muita gente ainda pense que Zelda é o nome do protagonista, Link.





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