A Odisseia: a fala no trailer que está causando polêmica entre fãs

Andre Luiz

A Odisseia, a nova superprodução de Christopher Nolan, ganhou um novo trailer recentemente e gerou uma avalanche de reações nas redes sociais. O motivo? Duas palavras aparentemente simples: “dad” e “daddy” — ambas significando “pai” ou “papai” em inglês —, ditas por Tom Holland e Robert Pattinson respectivamente em cenas do material.

Para uma parcela dos espectadores, o uso de termos coloquiais modernos em um épico ambientado na Grécia Antiga soa como um erro grave de tom. Para outros, a polêmica toda é absolutamente desnecessária — e há bons argumentos dos dois lados.

Do que trata “A Odisseia” de Nolan?

A Odisseia é uma adaptação do poema épico de Homero, um dos textos fundadores da literatura ocidental. No centro da história está Odisseu, o lendário rei de Ítaca que, após a vitória grega na Guerra de Troia, precisa cruzar mares repletos de criaturas mitológicas para voltar para casa — e para a esposa Penélope e o filho Telêmaco, que aguardam sua volta enquanto enfrentam os pretendentes que invadiram o palácio.

No elenco estrelado da produção estão Matt Damon como Odisseu, Tom Holland como Telêmaco e Anne Hathaway como Penélope. Robert Pattinson interpreta Antínoo, o mais agressivo e arrogante dos pretendentes. O elenco ainda conta com Zendaya, Charlize Theron como a ninfa Calipso, Lupita Nyong’o como Clitemnestra, Jon Bernthal como Menelau e Mia Goth, entre outros.

Com orçamento estimado em 250 milhões de dólares, este é o projeto mais caro da carreira de Nolan. Filmado inteiramente com câmeras IMAX de 70 mm em locações reais na Grécia, Marrocos, Itália, Escócia, Islândia e Malta, o longa tem estreia marcada para 16 de julho de 2026 no Brasil. Os ingressos para sessões em IMAX já chegaram a esgotar um ano antes da estreia.

A cena que dividiu a internet

No novo trailer divulgado, duas falas chamaram atenção imediata nas redes sociais. Em uma troca entre os personagens de Pattinson (Antínoo) e Holland (Telêmaco), Pattinson usa a palavra “daddy” em tom de escárnio, enquanto Holland responde com “dad”. Para um grupo de espectadores, o uso dessas expressões cotidianas pareceu absolutamente fora de lugar em um épico de época situado na Grécia Antiga — como se quebrasse a imersão narrativa que um filme com esse escopo visual deveria construir.

As reações variaram do choque ao sarcasmo. Alguns apontaram que “father” soaria mais adequado ao contexto histórico. Outros ironizaram que, se a precisão linguística fosse realmente o critério, os personagens deveriam estar falando em grego antigo — não em inglês americano.

Por que a polêmica não faz tanto sentido

Há, contudo, uma razão artística bastante sólida para as escolhas do roteiro. No contexto da cena, Antínoo usa “daddy” como uma provocação deliberada, diminuindo Telêmaco diante dos outros pretendentes — tratando-o como um menino que ainda chama o pai por apelido infantil, e não como um homem capaz de defender o reino. Ou seja, a palavra não está ali por acidente ou descuido: está ali para caracterizar a dinâmica de poder entre os dois personagens e reforçar o arco de amadurecimento de Telêmaco ao longo da história.

Além disso, é preciso colocar o filme em perspectiva. A Odisseia é um épico de fantasia com orçamento de US$ 250 milhões, feito para o grande público de 2026. Todos os personagens falam inglês com sotaque americano — o que também seria impossível na Grécia Antiga. O filme apresenta deuses, Ciclopes e Sereias como elementos reais da narrativa.

Cobrar realismo linguístico preciso de um projeto que, por natureza, é uma fantasia épica, é um critério que simplesmente não se sustenta.

Vale lembrar ainda que trailers não são o corte final dos filmes. É possível que essas falas sejam ajustadas antes do lançamento, ou que o contexto completo da cena, quando visto no cinema, mude completamente a percepção do diálogo.

O que realmente importa para os fãs

A polêmica em torno de duas palavras diz mais sobre o nível de expectativa gerada por A Odisseia do que sobre qualquer falha real do projeto. Quando um filme ainda inédito já movimenta esse volume de debate, é sinal de que o interesse é genuíno e intenso. Christopher Nolan é um dos poucos cineastas contemporâneos com capacidade de criar eventos cinematográficos da velha guarda — do tipo que leva multidões ao IMAX e domina conversas por semanas antes e depois da estreia.

Nolan traz de volta Ludwig Göransson na trilha sonora — o mesmo compositor de Oppenheimer e The Mandalorian — e Hoyte van Hoytema na direção de fotografia, que está em todos os filmes de Nolan desde Interestelar (2014). A aposta em efeitos práticos, filmagens em locações reais ao redor do mundo e o uso pioneiro das câmeras IMAX de última geração prometem uma experiência visual única.

Tom Holland, por sua vez, terá a chance de se distanciar de vez do manto do Homem-Aranha e consolidar uma carreira em dramas de grande escala. O próprio Nolan declarou recentemente que Holland é um talento incrível e que adoraria trabalhar com ele novamente. Para Pattinson, A Odisseia é mais um capítulo de uma fase pós-Crepúsculo impressionante — que inclui a colaboração anterior com Nolan em Tenet (2020) e o papel de Bruce Wayne em The Batman (2022).

Dois palavras em um trailer não vão afundar um épico de US$ 250 milhões dirigido por um dos maiores cineastas vivos. A polêmica vai passar. O filme, provavelmente, vai permanecer. Confira também aqui no Ei Nerd: quando anunciamos a parceria de Pattinson com Nolan neste projeto.

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