O lendário Katsuhiro Otomo, criador de Akira, um dos mangás e animes mais influentes de todos os tempos, revelou quem considera o maior mangaká da história.
Em uma rara entrevista, o autor não teve dúvidas ao eleger Osamu Tezuka, o homem conhecido mundialmente como o Deus do Mangá. A declaração reacende o debate entre os fãs sobre o legado dos grandes mestres da nona arte japonesa.
Vale lembrar que o próprio Otomo é uma referência absoluta. Lançado em 1988, Akira ajudou a definir o gênero cyberpunk e influenciou gerações de artistas ao redor do mundo. Ainda assim, foi a outro nome que o cineasta dedicou seus maiores elogios.
A homenagem de Otomo a Osamu Tezuka
As palavras de Otomo fazem parte do documentário TEZUKA! God of Manga, que busca financiamento coletivo. O projeto pretende reunir depoimentos de diversos artistas consagrados, em um tributo à versatilidade do mestre.
Para o criador de Akira, a versatilidade de Tezuka é simplesmente impressionante, capaz de transitar entre os mais diversos gêneros. Em sua fala, o artista destacou a dedicação quase sacrificial do mestre:
Tezuka era simplesmente incrível. É bobagem subestimá-lo. Hoje você pode ler muitos mangás, mas ninguém produziu tanto quanto ele. Ele conseguia escrever mangás para garotas, dramas de época, ficção científica. Tudo o que posso dizer é que é impressionante.
Tezuka é amplamente reconhecido como uma figura fundamental para a indústria. Sua obra mais famosa, Astro Boy, é considerada uma das maiores influências na história da animação japonesa. No entanto, seu trabalho vai muito além, incluindo mangás shojo como Princesa e o Cavaleiro e ficções científicas como Metropolis, cujo anime, aliás, teve roteiro do próprio Otomo.

O preço cobrado por uma obra monumental
Apesar de toda a admiração, Otomo também tocou em um ponto delicado. Segundo o autor, Tezuka realizou tudo isso ao custo da própria saúde. O mestre, que faleceu em 1989, dedicou-se intensamente ao trabalho até o fim da vida.
Essa rotina exaustiva, infelizmente, ainda é comum entre os artistas do meio, como mostram relatos recentes sobre as duras condições da indústria. Vale lembrar que a força de Akira mantém seu próprio criador em evidência, tanto que a obra ainda movimenta projetos, como o aguardado reboot do anime.
As inspirações do mestre do mangá
Curiosamente, Tezuka também bebeu de muitas fontes para construir seu legado. Otomo lembrou que o mestre foi fortemente influenciado pelos filmes da Disney, a ponto de, segundo relatos, ter assistido a Bambi dezenas de vezes. Essa inspiração ajudou a moldar histórias acessíveis, fáceis de entender até para crianças, mas elaboradas o bastante para agradar adultos e outros artistas.
Com o tempo, porém, Tezuka soube se reinventar diante das mudanças do público, que passou a buscar tramas mais realistas e sombrias. Mesmo em seus últimos anos, o autor criou obras marcantes, provando sua capacidade de evolução constante.
O peso desse legado também explica por que Akira segue tão vivo no imaginário pop, inclusive com o tão comentado live-action produzido por Leonardo DiCaprio. E você, concorda que Tezuka é o maior de todos? Conte nos comentários!





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