Avatar: personagem cortado do live-action da Netflix muda tudo

Andre Luiz

A segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar, o live-action da Netflix, fez uma escolha que dividiu os fãs. A adaptação cortou um personagem importante da animação original, decisão que muda completamente um dos maiores dilemas de Aang.

A ausência levanta dúvidas sobre o final da temporada e sobre os rumos do herói daqui para frente.

Quem é o Guru Pathik

No desenho original, após dominar a dobra de terra com Toph, Aang precisa encarar outro desafio: controlar o chamado Estado Avatar.

Para isso, ele procura o sábio Guru Pathik no Templo do Ar do Leste. Juntos, eles trabalham para abrir os chakras do garoto, processo que busca trazer equilíbrio e, consequentemente, domínio sobre esse poder.

O problema surge no último chakra, que exige de Aang abrir mão de seus apegos terrenos, incluindo seu amor por Katara. Incapaz de escolher a energia cósmica em vez dela, o jovem abandona o treinamento ao pressentir que a amiga corre perigo. Toda essa sequência, assim como o próprio Guru Pathik, foi retirada da versão em live-action.

Aang treinando com o Guru Pathik na animação original – Reprodução/Nickelodeon

Por que a mudança afeta a história de Aang

Essa decisão ignora um dos conflitos centrais do protagonista. A escolha entre seus sentimentos e seu dever como Avatar é justamente o que define o personagem ao longo da animação. Afinal, Aang é um garoto que deseja conexões humanas e amor, mas que precisa colocar o bem maior do mundo acima de tudo.

Vale lembrar que esse mesmo dilema reaparece no encerramento da temporada, durante a famosa batalha nas Catacumbas de Cristal. Na animação, Aang tenta deliberadamente deixar Katara de lado para acessar o Estado Avatar, mas é atingido por Azula antes de concluir o processo.

Sem a base construída pelo Guru, esse instante decisivo perde parte de seu significado na adaptação.

O corte provavelmente se deve ao formato enxuto da temporada, que conta com apenas sete episódios. Ainda assim, a ausência empobrece a construção do herói. No final, Aang chega a acessar o Estado Avatar antes do golpe quase fatal de Azula, mas sem o devido desenvolvimento, o momento perde força e parece pouco justificado.

O impacto para a terceira temporada

A alteração também deve afetar o futuro da trama. Na animação, Aang só consegue dominar plenamente o Estado Avatar no fim da história, justamente por conta desse conflito mal resolvido.

Sem esse arco, a jornada do personagem na terceira temporada tende a seguir um caminho diferente do material original, baseado na clássica série da Nickelodeon, como detalha o histórico do live-action da Netflix.

O receio dos fãs é que a série também simplifique o maior dilema de Aang no próximo ciclo: a decisão entre matar o Senhor do Fogo Ozai ou poupá-lo, seguindo os ensinamentos dos Nômades do Ar. Algumas mudanças funcionam bem, mas alterações tão profundas na essência do herói costumam gerar desconfiança, sentimento que já acompanha o projeto desde o afastamento dos criadores originais, hoje focados no estúdio dedicado à franquia.

E você, sentiu falta do Guru Pathik? Conte nos comentários!

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