A segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar, o live-action da Netflix, fez uma escolha que dividiu os fãs. A adaptação cortou um personagem importante da animação original, decisão que muda completamente um dos maiores dilemas de Aang.
A ausência levanta dúvidas sobre o final da temporada e sobre os rumos do herói daqui para frente.
Quem é o Guru Pathik
No desenho original, após dominar a dobra de terra com Toph, Aang precisa encarar outro desafio: controlar o chamado Estado Avatar.
Para isso, ele procura o sábio Guru Pathik no Templo do Ar do Leste. Juntos, eles trabalham para abrir os chakras do garoto, processo que busca trazer equilíbrio e, consequentemente, domínio sobre esse poder.
O problema surge no último chakra, que exige de Aang abrir mão de seus apegos terrenos, incluindo seu amor por Katara. Incapaz de escolher a energia cósmica em vez dela, o jovem abandona o treinamento ao pressentir que a amiga corre perigo. Toda essa sequência, assim como o próprio Guru Pathik, foi retirada da versão em live-action.

Por que a mudança afeta a história de Aang
Essa decisão ignora um dos conflitos centrais do protagonista. A escolha entre seus sentimentos e seu dever como Avatar é justamente o que define o personagem ao longo da animação. Afinal, Aang é um garoto que deseja conexões humanas e amor, mas que precisa colocar o bem maior do mundo acima de tudo.
Vale lembrar que esse mesmo dilema reaparece no encerramento da temporada, durante a famosa batalha nas Catacumbas de Cristal. Na animação, Aang tenta deliberadamente deixar Katara de lado para acessar o Estado Avatar, mas é atingido por Azula antes de concluir o processo.
Sem a base construída pelo Guru, esse instante decisivo perde parte de seu significado na adaptação.
O corte provavelmente se deve ao formato enxuto da temporada, que conta com apenas sete episódios. Ainda assim, a ausência empobrece a construção do herói. No final, Aang chega a acessar o Estado Avatar antes do golpe quase fatal de Azula, mas sem o devido desenvolvimento, o momento perde força e parece pouco justificado.
O impacto para a terceira temporada
A alteração também deve afetar o futuro da trama. Na animação, Aang só consegue dominar plenamente o Estado Avatar no fim da história, justamente por conta desse conflito mal resolvido.
Sem esse arco, a jornada do personagem na terceira temporada tende a seguir um caminho diferente do material original, baseado na clássica série da Nickelodeon, como detalha o histórico do live-action da Netflix.
O receio dos fãs é que a série também simplifique o maior dilema de Aang no próximo ciclo: a decisão entre matar o Senhor do Fogo Ozai ou poupá-lo, seguindo os ensinamentos dos Nômades do Ar. Algumas mudanças funcionam bem, mas alterações tão profundas na essência do herói costumam gerar desconfiança, sentimento que já acompanha o projeto desde o afastamento dos criadores originais, hoje focados no estúdio dedicado à franquia.
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