Battlefield não quer mais perseguir Call of Duty

Vinicius Miranda

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A franquia Battlefield não pretende desenvolver seus próximos jogos com o objetivo de acompanhar ou superar diretamente Call of Duty. Rebecka Coutaz, vice-presidente e gerente-geral da Battlefield Studios, afirmou que a competição é importante para a indústria, mas não deve determinar as decisões criativas da série.

A declaração acontece após “Battlefield 6” conquistar um resultado expressivo em vendas e superar “Call of Duty” no mercado de jogos premium em 2025, colocando a franquia da Electronic Arts novamente em uma posição de destaque.

Battlefield Studios diz que não persegue concorrentes

Em entrevista ao GamesIndustry, Rebecka Coutaz comentou a recuperação da franquia após o lançamento conturbado de “Battlefield 2042” e falou sobre a relação da série com seus principais concorrentes.

Segundo a executiva, a equipe acompanha o mercado para entender o cenário competitivo, mas isso não significa que os desenvolvedores estejam tentando reproduzir as estratégias de outras franquias.

É claro que estamos sempre analisando o cenário competitivo. Nós nunca perseguimos um concorrente. Não é assim que criamos jogos.

Coutaz explicou que seguir diretamente os passos de outra franquia poderia prejudicar a identidade de Battlefield. Para ela, o estúdio precisa desenvolver seus jogos a partir daquilo em que acredita e das necessidades apresentadas pelos próprios jogadores.

Não faríamos bons jogos se estivéssemos perseguindo nossos concorrentes. Criamos jogos porque acreditamos no que estamos fazendo e porque ouvimos nossos jogadores e o que eles querem fazer.

Executiva vê a competição como estímulo

Battlefield 6
Battlefield 6 – Divulgação / EA

Embora rejeite a ideia de perseguir diretamente Call of Duty, Coutaz não considera a competição algo negativo. Pelo contrário, ela acredita que a presença de concorrentes fortes pode estimular os estúdios a assumir riscos e buscar novas soluções.

A competição é boa? Sim. Ela nos impulsiona. Ela nos leva a assumir mais riscos, ser criativos e inovar, mas nunca perseguimos nenhuma competição.

Na visão da executiva, o principal indicador para a equipe deve ser a reação da comunidade. Mais do que acompanhar números de concorrentes, o objetivo seria garantir que os jogadores estejam envolvidos, se divirtam e tenham interesse em continuar acompanhando a franquia.

Battlefield 6 conseguiu superar Call of Duty

A discussão acontece após “Battlefield 6” alcançar um feito importante para a série. O jogo conseguiu superar “Call of Duty” em vendas e terminou 2025 como o jogo premium mais vendido daquele ano.

O desempenho ganhou ainda mais importância por acontecer depois dos problemas enfrentados por “Battlefield 2042”. O título anterior da franquia teve uma recepção problemática em seu lançamento e passou por diversas mudanças ao longo de seu ciclo de vida.

“Battlefield 6”, por outro lado, conseguiu recuperar parte da confiança do público e reposicionar a série no disputado mercado de jogos de tiro em primeira pessoa.

Histórico alimenta comparação com Call of Duty

Apesar das declarações de Coutaz, a relação entre Battlefield e Call of Duty continua sendo um tema recorrente entre jogadores. As duas franquias disputam há anos a atenção do público interessado em jogos de tiro militar.

A própria estratégia comercial da Electronic Arts ao longo dos últimos anos contribuiu para essa percepção. A empresa deixou de apostar no serviço premium pago de Battlefield e passou a explorar modelos baseados em passes de batalha, uma estrutura que também se tornou importante para o negócio de “Call of Duty”.

Além disso, a Electronic Arts chegou a utilizar criadores de conteúdo ligados a “Call of Duty” em ações promocionais de “Battlefield 6”. Esses movimentos alimentaram a percepção de que a franquia estaria tentando conquistar parte do público tradicionalmente associado ao concorrente.

Sucesso de Battlefield 6 muda o cenário

Battlefield 6
Battlefield 6 – Divulgação / EA

O desempenho comercial de “Battlefield 6” pode, entretanto, permitir que a série siga um caminho mais independente. Ao conquistar um resultado expressivo diante de seu principal concorrente, a franquia demonstrou que ainda possui força própria no mercado.

Esse resultado também aumenta a responsabilidade da Battlefield Studios para os próximos projetos. Em vez de simplesmente tentar reproduzir o que funciona em outros jogos, a equipe terá de identificar quais características fizeram o público retornar à série.

O discurso de Coutaz indica justamente essa intenção: usar a competição como motivação para inovar, mas manter as decisões criativas ligadas à identidade de Battlefield e ao feedback dos jogadores.

Franquia também terá filme em desenvolvimento

Além dos jogos, Battlefield também pode expandir sua presença para o cinema. Um filme baseado na franquia estaria em desenvolvimento, com Michael B. Jordan ligado à produção e potencialmente ao elenco.

O projeto ainda depende de negociações e não possui todos os detalhes confirmados oficialmente. Caso avance, poderá representar uma nova oportunidade para a Electronic Arts ampliar o alcance da propriedade além dos videogames.

Por enquanto, o futuro da franquia nos games passa pela manutenção do impulso conquistado por “Battlefield 6”. A grande questão será descobrir se a série conseguirá continuar crescendo sem abandonar sua identidade e sem transformar a competição com “Call of Duty” em seu principal objetivo.

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