Black Ops 1 e 2 rodam melhor no PS5 do que no Xbox

Vinicius Miranda

Análise técnica aponta que os ports dos clássicos chegam a 1080p no PlayStation, acima da retrocompatibilidade do Xbox. Ainda assim, a ausência de 4K no PS5 gerou críticas pesadas.

Os clássicos Call of Duty: Black Ops e Black Ops 2 finalmente chegaram ao PlayStation 4 e ao PlayStation 5 na última quinta-feira (9), em ports assinados pelo estúdio Iron Galaxy. Além do debate sobre preços e funcionalidades, uma curiosidade técnica chamou atenção: segundo a análise da Digital Foundry, os jogos rodam em resolução mais alta no console da Sony do que no Xbox, onde só estão disponíveis via retrocompatibilidade. A vantagem, porém, veio acompanhada de várias ressalvas.

1080p no PlayStation contra 608p no Xbox

Nos testes da Digital Foundry, os dois ports aparecem escalonados para 1080p, rodando a 60 quadros por segundo tanto no PS4 quanto no PS5. Pode parecer pouco para 2026, mas é um salto em relação ao que os donos de Xbox têm hoje: por lá, os jogos rodam apenas pela retrocompatibilidade, presos aos mesmos 608p da era Xbox 360, com sombras de resolução mais baixa e imagem mais escura, sem qualquer melhoria dedicada. Ou seja, na prática, a versão de PlayStation leva a melhor no quesito imagem.

As críticas da Digital Foundry

Apesar da resolução superior, o veículo não poupou críticas aos ports. A principal frustração é a ausência de 4K no PS5, já que, na avaliação da equipe, nada impediria o console de rodar os jogos em resolução máxima, ou até com desempenho de 120 Hz.

Também não há qualquer solução de anti-aliasing, o que deixa a imagem com serrilhados aparentes. Até defeitos visuais da época, como a qualidade baixa das sombras, foram preservados, algo que a análise considera inexplicável com o poder de fogo dos consoles atuais. Fora isso, jogadores identificaram apenas retoques pontuais, como elementos de interface em resolução mais alta e pequenos ajustes de conteúdo, confirmando que se trata de ports diretos, e não de remasterizações.

Sobre os motivos, a Digital Foundry chegou a especular que a Microsoft, dona da Activision, talvez não quisesse que os jogos ficassem melhores no PlayStation do que em seu próprio hardware. A própria equipe, porém, reconhece que a teoria não fecha, já que a versão de PlayStation acabou saindo com resolução superior de qualquer forma. Vale reforçar: trata-se de uma suposição do veículo, sem confirmação oficial de Microsoft ou Activision. Enquanto isso, uma versão nativa para Xbox Series X|S segue sem data anunciada.

Preços e limitações dos ports

O pacote também pesa no bolso. Cada jogo é vendido separadamente por US$ 39,99, com o conteúdo adicional cobrado à parte. Assinantes do PlayStation Plus contam com desconto de lançamento, levando cada título por US$ 19,99 até o início de agosto.

Vale lembrar que os valores citados são da loja americana e podem variar bastante no Brasil, conforme câmbio, região e promoções. Fora o preço, há limitações importantes: não existe crossplay nem transferência de progresso de versões antigas, e parte dos jogadores relata problemas de input lag e desconexões no multiplayer, relatos que ainda não foram comentados oficialmente pela publicadora.

Call of Duty: Black Ops – Divulgação / Activision

Para os donos de PlayStation, a chegada dos dois clássicos é uma vitória, ainda que tímida: dá para revisitar a campanha de Alex Mason, o modo zumbis e o multiplayer que marcaram época, agora em hardware moderno e com a maior resolução disponível nos consoles.

Por outro lado, a sensação de oportunidade perdida é inevitável, já que um cuidado extra transformaria os ports em remasterizações à altura da nostalgia, especialmente com a franquia em alta após Call of Duty: Black Ops 6. O caso também reacende o debate sobre como a Microsoft vem tratando o catálogo da Activision Blizzard desde a aquisição, com os fãs de Xbox, ironicamente, ficando com a pior versão dos jogos da casa. Resta torcer para que atualizações futuras corrijam ao menos parte dessas pendências.

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