Um RPG de vampiros criado por veteranos de “The Witcher 3” virou o novo queridinho dos fãs do gênero. “The Blood of Dawnwalker” é o primeiro jogo do estúdio polonês Rebel Wolves. O RPG estreou com aclamação da crítica e mais de um milhão de cópias vendidas logo no fim de semana de lançamento.
Um camponês contra um tirano vampiro
A história de “The Blood of Dawnwalker“ se passa em 1347, durante a Peste Negra, em uma região fictícia dos Cárpatos chamada Vale Sangora. O jogador controla Coen, um jovem camponês da vila de Laslea, dominada pelo vampiro Brencis. O tirano impõe à população o chamado blutzoll, um imposto de sangue cobrado em troca de proteção contra a peste.
No prólogo, a família de Coen é capturada e uma revolta contra Brencis fracassa. O próprio protagonista acaba transformado em um Dawnwalker, ou Penumbro na tradução para o português. Trata-se de uma criatura híbrida, humana durante o dia e vampira à noite. A partir desse ponto, o jogador tem 30 dias para salvar a família das mãos do vilão. Pelo caminho, é possível enfrentar três boiardos vampiros em qualquer ordem. Também dá para fazer alianças com personagens como a vampira Lacra e o líder rebelde Crake. A pegada de política e conflito lembra bastante o clima que consagrou “The Witcher 3”.
O relógio de 30 dias que muda tudo
O sistema mais comentado do jogo é o de tempo. A aventura inteira precisa ser resolvida em 30 dias e 30 noites, mas o relógio não anda sozinho. Ele só avança quando o jogador realiza uma ação importante, como progredir em uma missão principal ou treinar uma habilidade. A interface sempre mostra o custo em tempo antes de confirmar cada escolha.
Na prática, isso transforma cada decisão em um dilema real, já que não dá para fazer tudo em uma única jornada. O jogo foi pensado para ser rejogado, com 8 finais diferentes anunciados. E existe um detalhe interessante: se o prazo estourar sem a família ser salva, não há game over. O jogo simplesmente ativa um dos finais ruins e deixa o jogador seguir explorando o mundo aberto normalmente.
Humano de dia, vampiro à noite

A dualidade do protagonista mexe diretamente na jogabilidade. Durante o dia, Coen luta de espada em um sistema de combate direcional, no qual ataques e bloqueios vêm de direções distintas. Ele também usa magia baseada em runas e feitiçaria.
À noite, ele assume a forma vampírica, ganha garras, escala superfícies e anda pelas paredes. O preço é administrar a Fome de Sangue, que pode fazer Coen perder o controle de si mesmo se ficar descontrolada. O resultado mistura a base de RPG de ação conhecida de “The Witcher” com uma identidade própria de fantasia vampírica.
Os veteranos de The Witcher 3 por trás do projeto
A Rebel Wolves foi fundada em 2022, na Polônia, e reúne nomes de peso da CD Projekt Red. O CEO e diretor geral Konrad Tomaszkiewicz foi o diretor de “The Witcher 3” e, depois, diretor de design em “Cyberpunk 2077”. Ele deixou a CD Projekt Red em 2021, após ser alvo de uma investigação interna por acusações de assédio moral. Segundo apuração do site Game Developer, a investigação o inocentou. Mesmo assim, ele decidiu sair e pediu desculpas publicamente pelo clima que poderia ter causado na empresa.
O time ainda inclui o irmão dele, Mateusz Tomaszkiewicz, hoje diretor criativo da Rebel Wolves. Ele liderou o design de missões de “The Witcher 3”. Jakub Szamałek, diretor de narrativa do estúdio, ajudou a escrever a expansão “Blood and Wine”, considerada uma das melhores partes da trilogia do bruxo. Completam a lista Daniel Sadowski, veterano do primeiro “The Witcher”, e Bartlomiej Gawel. Este último foi diretor de arte de “The Witcher 3” e repete a função no novo jogo. Em vez de uma engine própria, o estúdio construiu o projeto na Unreal Engine 5. O desenvolvimento levou quase cinco anos, com publicação da Bandai Namco. O jogo chegou em 3 de setembro de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Aclamação, um milhão de cópias e sequência a caminho

A bagagem da equipe parece ter valido a pena. “The Blood of Dawnwalker” estreou com nota em torno de 83 no Metacritic. Segundo o site KitGuru, o jogo vendeu mais de um milhão de cópias em apenas 48 horas. A crítica elogiou a narrativa, o sistema de escolhas e consequências, a dualidade entre humano e vampiro e a direção de arte.
Houve ressalvas ao mundo aberto, considerado repetitivo por parte da imprensa, e à influência forte demais de “The Witcher 3”. O sucesso já rendeu frutos. Uma sequência está oficialmente em desenvolvimento, segundo o OpenCritic. O estúdio abriu vaga para roteirista-chefe menos de uma semana após o lançamento.
Afinal, é mesmo um “The Witcher com vampiros”?
A comparação faz sentido, e não é exagero. O diretor de “The Witcher 3”, um dos roteiristas de “Blood and Wine” e o diretor de arte da trilogia participaram diretamente do novo jogo. Ao mesmo tempo, a Rebel Wolves mostrou que não quis apenas copiar a fórmula.
O relógio de 30 dias, a dualidade entre humano e vampiro e um mundo aberto mais compacto apontam para uma identidade própria em construção. Para quem é fã de “The Witcher” e procura um RPG com pegada parecida, o novo jogo do estúdio polonês é uma escolha praticamente obrigatória.





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