Parte dos fãs torce o nariz para a saga dos seres cósmicos do clã Ōtsutsuki. Mesmo assim, o anime parece decidido a apostar ainda mais nela.
A franquia “Naruto” segue extremamente querida, mas alguns rumos da história dividem opiniões. Um dos casos mais comentados envolve o clã Ōtsutsuki, os enigmáticos seres extradimensionais. Agora, tudo indica que o anime não vai abandonar essa polêmica trama tão cedo. Pelo contrário, segundo aponta o mangá, a saga ganhará ainda mais força nos próximos capítulos de “Boruto”. A seguir, entenda por que essa decisão divide a comunidade e por que ela pode fazer sentido.
A origem da controvérsia

O clã Ōtsutsuki surgiu ainda na obra original. A introdução veio por meio de Kaguya Ōtsutsuki e seu superior, Isshiki, seres celestiais que chegaram à Terra há milhares de anos. A história ganhou peso quando Kaguya traiu o superior e consumiu o Chakra da Terra para reinar suprema.
No início, tudo parecia um arco pontual. A trama apenas apresentava um ser cósmico e explicava a origem dos shinobi. Surpreendentemente, porém, “Boruto” deu continuidade ao plano. Vieram então novos membros do clã, como Momoshiki, Kinshiki e Urashiki.
Por que parte dos fãs critica a saga
O problema, para muitos, está na escala. Esses novos personagens trouxeram níveis de poder cada vez mais altos. Como consequência, eles passaram a soar bem menos identificáveis para o público.
Inclusive, o anime chegou a fazê-los parecer mais fortes do que vilões celebrados, como Madara. Vale lembrar que boa parte dos fãs ainda sente saudade das batalhas mais pé no chão dos primeiros arcos. Por isso, a chegada de ameaças cósmicas afasta a obra do que a tornou um sucesso.
A continuação no arco “Two Blue Vortex”

Em breve, o anime deve cobrir o aguardado arco “Two Blue Vortex”, que se passa após um grande salto temporal. A trama apresenta vilões ligados aos sistemas do Dez Caudas e da Árvore Divina, conceitos nascidos justamente da mitologia Ōtsutsuki.
De acordo com o mangá, quatro novos antagonistas devem ganhar destaque. Entre eles estão clones baseados em personagens conhecidos, como Bug, Moegi e Isshiki. O quarto, no entanto, é o mais perigoso de todos, já que é apresentado como um clone direto de Sasuke Uchiha.
Conhecido como Hidari, esse vilão possui algumas das melhores habilidades do Uchiha, como o Chidori. Além disso, ele conta com o imenso chakra do Dez Caudas e dois Rinnegan. Em outras palavras, esses clones devem desequilibrar de vez a escala de poder estabelecida pelo anime.
Por que “Naruto” precisa do clã Ōtsutsuki
Apesar das críticas, há um motivo sólido por trás dessa escolha. Muitas vezes, os grandes shōnen esbarram em um teto de poder. Afinal, quando os protagonistas viram praticamente deuses, fica difícil criar novos desafios. Isso aconteceu até com a franquia “Dragon Ball Z”.
“Naruto” bateu nesse limite com Naruto e Sasuke. Diante disso, a série precisou de saídas criativas para se manter de pé. Simplesmente repetir as antigas rivalidades em “Boruto” soaria redundante. Para entender melhor o papel do Uchiha nessa nova fase, vale conferir nossa análise sobre a importância de Sasuke em Two Blue Vortex.
Nostalgia com uma nova roupagem
Em vez de copiar a fórmula antiga, “Boruto” aposta nas forças da geração anterior. A introdução do mecanismo “Karma” e dos novos clones Shinju é um exemplo claro disso. A ideia é instigar a nostalgia sem deixar de criar novidades.
Na prática, esses vilões podem absorver jutsus tradicionais ou clonar heróis antigos, como o próprio Sasuke. Dessa forma, a obra neutraliza os personagens mais fortes do passado. Assim, o foco se desloca para Boruto e seus companheiros, que precisam encontrar novas formas de vencer. Falando nisso, já comentamos como o protagonista atingiu níveis absurdos de poder na nossa matéria sobre a velocidade divina de Boruto.
Riscos criativos que valem a pena
Além de elevar as apostas, o arco “Two Blue Vortex” explora temas mais profundos. A trama mergulha nas implicações da Onipotência, um poder capaz de alterar a própria realidade. Com isso, a franquia evolui para além do conflito shōnen tradicional, flertando com ficção científica e filosofia.
Sem dúvida, essa escalada gigantesca traz seus próprios problemas. Ainda assim, é difícil não valorizar os riscos criativos que a obra está disposta a correr. No fim das contas, “Naruto” prefere se reinventar a simplesmente repetir o que já deu certo. E talvez seja exatamente isso que mantém a franquia tão viva.




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