A terceira temporada de A Casa do Dragão segue mostrando o desmoronamento do reinado de Rhaenyra Targaryen. Entre cofres vazios e aliados desaparecidos, o quinto episódio acrescentou um novo problema à lista da rainha: um atrito com a Casa Frey que ecoa diretamente um dos momentos mais brutais de Game of Thrones.
A promessa que ficou pelo caminho
O acordo original era simples. Jacaerys havia prometido Harrenhal aos Frey em troca de passagem segura pelas Gêmeas, permitindo que Ser Roderick Dustin e seus Lobos do Inverno cruzassem o Tridente. A família cumpriu sua parte, mas o rapaz morreu antes de honrar a dele.
O problema é que Rhaenyra decidiu oferecer o mesmo castelo a quem conseguir matar Aemond Targaryen. Diante disso, Sabitha Frey, esposa de Lorde Forrest Frey, cobrou a dívida da coroa. Ela recebeu um assento no conselho da rainha como compensação, o que claramente não a satisfez.
A resposta da soberana foi ainda mais desastrosa. Rhaenyra sugeriu que a própria Sabitha caçasse o inimigo desaparecido, encerrando a discussão com um olhar duro. A nobre aceitou o assento e recuou, mas o ressentimento evidentemente não desapareceu.
O mesmo erro dos Stark
A cena guarda um paralelo perturbador com o passo em falso de Robb Stark. Nos eventos de Game of Thrones, Lorde Walder Frey concedeu passagem ao exército nortenho em troca de um casamento entre o Rei do Norte e uma de suas filhas. Robb aceitou, obteve a vantagem estratégica que precisava e depois se casou por amor com outra mulher.

O restante é história: humilhado, o velho patriarca aliou-se aos Lannister e aos Bolton e orquestrou o massacre que ficou conhecido como Casamento Vermelho. Em ambos os casos, a receita é idêntica: os Frey liberam a travessia, alguém deixa de pagar o combinado e a conta chega depois.
Uma nova camada para a tragédia
É justamente aí que a prequela agrega algo valioso. Walder Frey dificilmente figura entre os personagens mais queridos do público, mas descobrir que seus antepassados passaram por situação parecida quase dois séculos antes muda a leitura da cena. A desconfiança da família em relação à realeza, ao que tudo indica, tem raízes profundas.
A ironia é notável: Sabitha permite a passagem de nortenhos e sai lesada, enquanto seu descendente será traído séculos depois exatamente pelo mesmo motivo. Esse tipo de recontextualização não é novidade na série, que já promoveu ajustes retroativos capazes de alterar a leitura da obra original.
O preço de atravessar as Gêmeas
A ponte controlada pela família é estrategicamente valiosa. Fica a curiosidade sobre quantas vezes, entre um episódio e outro da história de Westeros, casas nobres prometeram recompensas e simplesmente não entregaram.
Rhaenyra, portanto, criou um inimigo silencioso. Ela não viverá para pagar essa conta, já que seu destino sombrio foi antecipado ainda em Game of Thrones, mas governantes futuros herdarão o problema. No universo de George R. R. Martin, nenhuma promessa quebrada sai barata.




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