Executivo explica por que Crimson Desert divide críticos

Vinicius Miranda

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Um executivo da Pearl Abyss acredita que prazo curto e falta do patch de lançamento prejudicaram as análises de “Crimson Desert”, que somam 77 no Metacritic. Enquanto isso, a comunidade segue elogiando o mundo aberto cheio de sistemas.

“Crimson Desert” não foi mal nas análises, mas também não virou o jogo do ano que muita gente esperava. Com nota 77 no Metacritic, o título abriu um debate entre críticos e jogadores. Agora, um executivo da Pearl Abyss, Lybee Park, apresentou sua teoria para explicar a diferença de percepção, e ela passa por tempo de análise e versão testada.

Um jogo que divide críticos e jogadores

As análises mais frias reclamaram da “falta de profundidade narrativa” e do “excesso de sistemas sem foco”. Já a comunidade abraçou justamente essa mistura de gêneros dentro de um grande mundo aberto. Esse tipo de choque não é novo na indústria, mas ganhou força aqui porque o jogo vendeu bem. Segundo a própria Pearl Abyss, “Crimson Desert” ultrapassou 5 milhões de cópias em cerca de um mês, e as notas dos usuários ficaram ligeiramente acima das da crítica.

A tese de Lybee Park, CEO da Pearl Abyss na Europa

Em entrevista ao The Game Business, Park afirmou que os dois lados têm argumentos válidos, em especial os críticos, e apontou dois obstáculos que, na visão dele, atrapalharam as análises:

Acredito que ambos os lados têm pontos justos, principalmente os críticos. Eles tiveram que jogar uma versão que não era exatamente a do lançamento. Além disso, tiveram tempo limitado. Normalmente a abordagem clássica de uma análise é seguir a linha principal, mas em Crimson Desert o nosso charme único está espalhado por todo o mundo do jogo. Todos esses pequenos detalhes escondidos, a liberdade de explorar além das expectativas comuns.

Park completou o raciocínio dizendo que os elementos mais originais do jogo ficaram de fora do período de análise:

Todos esses detalhes únicos e novos, não acho que os críticos tiveram uma chance justa de explorá-los e vivenciá-los durante os períodos de análise.

Prazo apertado e ausência do patch de dia um

Crimson Desert – Divulgação / Pearl Abyss

O argumento tem base em como o processo funciona. As análises são feitas antes do patch de lançamento, que costuma corrigir problemas apontados pela comunidade. No caso de “Crimson Desert”, também só havia códigos de análise para PC, e a própria desenvolvedora pediu que os jogadores baixassem a atualização antes de começar a jogar.

Além disso, o prazo pesa. Redatores dividem a análise com outras tarefas, e uma janela de cerca de duas semanas nem sempre permite passear pelo mapa. Em um mundo aberto do tamanho de Pywel, é comum que partes do jogo sejam percorridas com pressa para chegar ao fim.

Mais tempo teria garantido notas melhores?

Nem necessariamente. Mesmo com liberdade para explorar, parte dos críticos poderia chegar às mesmas conclusões ou até ampliar suas críticas.

O portal TheGamer, por exemplo, deu quatro estrelas ao jogo e elogiou o mundo enorme e bonito e o combate fluido, mas outros veículos apontaram problemas que o tempo extra talvez não resolvesse. Vale notar que a fala de Park trata de exploração, e não responde diretamente às críticas à narrativa.

A resposta da Pearl Abyss às críticas

Crimson Desert – Divulgação / Pearl Abyss

A empresa também não ignorou o que foi apontado. A atualização gratuita Crimson Desert Enhanced trouxe novos momentos de história e diálogos, somados a meses de melhorias após o lançamento. A expansão “Charting the Unknown” chega em 29 de outubro.

Para os fãs, o caso mostra como a nota inicial de um jogo pode envelhecer rápido. Se o título melhorou com atualizações e a base de jogadores cresceu, o número do Metacritic acaba dizendo menos sobre o jogo atual do que sobre o jogo que existia no dia da análise.

Para a Pearl Abyss, o argumento de Park é compreensível, mas tem um custo: lançar um jogo que depende de correções logo no primeiro dia leva a críticas que depois são difíceis de reverter. Relatos de imprensa à época indicam que a nota inicial pesou até nas ações da empresa, o que mostra o peso da recepção crítica.

Já para o mercado, o episódio reforça uma discussão antiga: como avaliar jogos gigantescos com prazos curtos e versões que mudam logo depois. Resta saber se, daqui para frente, estúdios vão oferecer mais tempo e builds mais próximas do lançamento, ou se a crítica vai precisar atualizar mais as suas análises.

E você, acha que “Crimson Desert” merecia uma nota maior do que a que recebeu? Deixe sua opinião nos comentários!

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