Eli Roth ofereceu projeto para DC, mas acha que James Gunn recusará

Andre Luiz

Cineastas costumam sonhar com Batman ou Superman. Eli Roth escolheu outro caminho: em entrevista exclusiva ao site ComicBook durante a San Diego Comic-Con, ele contou qual quadrinho largaria tudo para dirigir, e a resposta surpreende.

O projeto que ele ofereceu

A escolha do diretor de Hostel e Cabana do Inferno recai sobre um título obscuro:

Eu realmente disse à DC anos atrás que eu faria Kamandi. Eu amava Kamandi. Achava um mundo tão legal. Está completamente esquecido. É aquele tipo de arte maluca e estranha do Jack Kirby. É totalmente insano. É como uma viagem de ácido com os animais falando. Eu amava Kamandi. Pensei que era um ótimo para fazer porque ninguém conhece. E é tão esquisito e divertido.

A escolha combina com o perfil dele. Roth construiu carreira apostando no incomum, e não na opção comercial mais segura.

Por que ele acha que não vai rolar

Questionado se James Gunn poderia se interessar, o cineasta riu da ideia:

O James está de mãos cheias. Ele não precisa de mim chegando e dizendo algo como: e se eu escolher o mais esquisito de todos, que umas sete pessoas conhecem? Vai ser absurdamente caro, mas você e eu vamos amar.

A piada carrega um diagnóstico honesto. Adaptar aquele material exigiria orçamento de superprodução para uma marca sem qualquer reconhecimento de público.

O que é Kamandi

A obra nasceu em 1972, criada por Jack Kirby. O título completo é Kamandi: The Last Boy on Earth, e a premissa é bizarra na medida certa. A história se passa num futuro pós-apocalíptico. Civilizações de animais inteligentes substituíram a humanidade. O protagonista é um dos últimos humanos plenamente racionais.

Ele atravessa um mundo governado por tigres, gorilas, lobos e leões. A mistura envolve ficção científica, sátira social e o traço grandiloquente que virou marca do autor.

Kamandi – Reprodução/DC Comics

Quem foi Jack Kirby

O nome pesa muito na história dos quadrinhos. Ao lado de Joe Simon, ele criou o Capitão América em 1940. Com Stan Lee, assinou o Quarteto Fantástico, os X-Men, Thor, Hulk e o Homem de Ferro.

A passagem dele pela DC também rendeu obra fundamental. Vale lembrar que a saga do Quarto Mundo apresentou os Novos Deuses e Darkseid. O neto do artista, Jeremy Kirby, ainda acompanha aquele legado de perto.

Kamandi em outras mídias

Kamandi nunca ganhou versão em live-action. Ele apareceu na animação Batman: Bravos e Destemidos e protagonizou um curta animado lançado em 2021.

A editora também revisitou aquele mundo nos quadrinhos. Em 2017, saiu The Kamandi Challenge, evento de doze edições com equipes criativas se revezando a cada capítulo.

Daria certo?

A ideia de Roth faz todo o sentido com a trajetória do atual chefe da DC. Na Marvel, James Gunn transformou Guardiões da Galáxia em franquia bilionária partindo de personagens igualmente desconhecidos.

A gestão atual também já mostrou apetite por material estranho, com Comando das Criaturas. Nem tudo entra no plano dele, porém. Gunn já descartou publicamente Watchmen do novo universo, por respeito à posição de Alan Moore, contrário a adaptações de suas obras.

Eli Roth segue ocupado com outros projetos. Ele lança em breve o terror O Sorveteiro e comanda um selo próprio de terror independente.

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