Por que o Gojo diz “Entre o céu e a terra, eu sou o honrado”? A resposta está no Buda

Luiz Gustavo Gonçalves

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Você já parou para pensar de onde vem a frase mais icônica de ‘Jujutsu Kaisen’? Quando Satoru Gojo solta o “Entre o céu e a terra, eu sou o honrado” depois de quase morrer contra Toji Fushiguro, a série dá um salto de nível e mostra por que ele é tão diferente de qualquer outro personagem.

A fala, porém, não foi inventada por Gege Akutami: ela vem diretamente das tradições budistas. (Alerta de spoilers para a 2ª temporada.)

Do Buda recém-nascido ao “honrado” de ‘Jujutsu Kaisen’

No japonês, a frase é 天上天下唯我独尊 (Tenjō tenge yuiga dokuson), e a tradição a atribui a Sidarta Gautama, o Buda, logo depois do nascimento. A lenda conta que o príncipe deu sete passos em cada direção, enquanto flores de lótus brotavam sob os pés, e apontou uma mãozinha para o céu e outra para a terra, declarando que, “no céu acima e na terra abaixo, só eu sou o honrado”. Esse gesto virou imagem clássica em estátuas do Buda recém-nascido, como a do templo Tōdai-ji, no Japão.

À primeira vista, soa arrogante, mas uma leitura budista comum é a de que o “eu” não é o ego de Sidarta, e sim a natureza búdica presente em todos os seres. Ou seja, a consciência desperta é o que há de mais sagrado, e, como cada pessoa tem o potencial de despertar, cada uma é “o único honrado”. Segundo a tradição, o Buda também teria dito: “Este é meu último nascimento” e que veio curar o mundo do sofrimento.

Por que a frase faz tanto sentido com o Gojo

É aí que Gojo entra. Na luta com Toji, ele fica à beira da morte com uma facada que atinge o cérebro, e, pela primeira vez, domina a Técnica Amaldiçoada Reversa, usando energia positiva, e não amaldiçoada, para curar o próprio cérebro.

O resultado é um despertar: ele deixa de sentir medo, raiva e apego, e passa a manter a Técnica Ilimitada de forma permanente. Para muita gente, esse é o subtexto budista da cena: Gojo atingiu a iluminação, em sentido técnico, e por isso diz a frase. É uma leitura de fãs, mas ajuda a entender o momento em que ele se transforma no “mais forte”.

Reprodução – MAPPA / Shueisha / Gege Akutami

Nessa leitura, também faz sentido o Gojo pedir perdão à Amanai, a menina que tinha sido baleada e com quem ele parecia não se importar logo antes: ele transcendeu a dor e o apego, mas volta a olhar para quem sofreu. E há o duplo sentido do personagem: ele é buda e arrogante ao mesmo tempo, e, quando diz que é “o honrado”, também está dizendo que é o mais forte entre todos.

Um detalhe curioso que os fãs apontam é que o Vazio Roxo, usado contra Toji, é feito com um gesto de mãos parecido com mudras de meditação budista, outra referência possível da obra. E, por fim, assim como o Buda veio “curar o mundo do sofrimento”, Gojo transforma os alunos em quem vai curar o mundo do Sukuna, um ciclo que fecha o simbolismo.

Reprodução – MAPPA / Shueisha / Gege Akutami

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