Aventura com Matt Damon e Pedro Pascal vira hit no streaming

Andre Luiz

Hoje em dia, Matt Damon e Pedro Pascal são dois dos maiores nomes de Hollywood. A trajetória de Pascal até chegar lá, porém, foi bem mais árdua. Depois de estourar na quarta temporada de Game of Thrones, em 2014, o ator chileno começou a conquistar papéis em filmes, ainda que coadjuvantes.

Em 2016, ele foi escalado para um projeto estrelado por Matt Damon, e não se tratava de qualquer produção. O cinema vivia um momento de transição, com os mercados internacionais se tornando essenciais para faturamentos bilionários.

A Universal e a Legendary Pictures apostaram alto, unindo forças com outros estúdios dos Estados Unidos, China e Japão. O resultado foi um blockbuster verdadeiramente global, com Damon no papel principal.

Elenco gigante, aposta arriscada

Esse projeto foi A Grande Muralha, filme histórico e fantástico com um elenco e tanto. A produção estreou primeiro na China, em dezembro de 2016, chegando aos cinemas americanos apenas em fevereiro do ano seguinte.

A direção ficou a cargo do renomado Zhang Yimou, de Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Além de Matt Damon e Pedro Pascal, o elenco reunia Willem Dafoe. Também contava com estrelas internacionais como Andy Lau, Eddie Peng, Jing Tian, Zhang Hanyu e Lu Han, do grupo de K-pop Exo.

A premissa do longa gerou bastante polêmica na época e praticamente sepultou suas chances de sucesso. Mas essa história parece estar mudando agora que A Grande Muralha está disponível na Netflix.

Como o público redescobriu o filme uma década depois

Recentemente, A Grande Muralha chegou a ocupar a 5ª posição no ranking Top 10 de filmes da Netflix. É um resultado e tanto para uma produção que decepcionou nas bilheterias, mesmo com todo o investimento internacional. O longa arrecadou 334 milhões de dólares contra um orçamento de 150 milhões. A recepção da crítica também foi ruim, com apenas 36% de aprovação no Rotten Tomatoes. O público não gostou muito mais, dando ao filme somente 42% no Popcornmeter.

Matt Damon em “A Grande Muralha” – Foto: Universal Pictures

A Grande Muralha foi, de fato, um verdadeiro para-raios de polêmica em seu lançamento. A trama acompanha Damon como William, um mercenário aprisionado dentro da Grande Muralha da China. Lá, ele descobre o mistério por trás de uma das maiores maravilhas do mundo. Conforme ondas de criaturas selvagens atacam a estrutura, sua busca por fortuna muda de rumo. Ela vira uma jornada de heroísmo ao lado de um exército de guerreiros de elite.

Muita gente enxergou o filme como mais uma história do tipo “salvador branco”, justamente num momento em que esse clichê vinha sendo bastante questionado. Também havia excesso de gente mexendo na receita: A Grande Muralha tentou agradar públicos bem diferentes ao redor do mundo, misturando estilos cinematográficos orientais e ocidentais.

A Universal não soube divulgar bem o longa, tratando-o como um drama histórico de prestígio quando, na prática, a proposta era outra completamente diferente. Isso ajuda a explicar por que o filme performa tão melhor com o público agora, uma década depois.

Faz mais sentido hoje?

Na real, A Grande Muralha nunca foi sobre a história da China ou de sua muralha. Trata-se de um filme de ação e fantasia que mistura artes marciais reais e guerra antiga com magia e feitiçaria. Em 2026, o público está bem mais receptivo a filmes de fantasia live-action.

A linha que separa o entretenimento oriental do ocidental também ficou bem mais fina. O anime ganhou prestígio mundial, e produções internacionais viraram mainstream, do cinema de artes marciais a dramas premiados pelo Oscar como Parasita. Hoje, A Grande Muralha parece mais um pioneiro, um indicativo de para onde os blockbusters estavam caminhando na década seguinte.

Esse tipo de reviravolta de percepção não é exatamente novidade em Hollywood. Pedro Pascal só se consagraria de vez anos depois, em papéis marcantes como Din Djarin em The Mandalorian. Muitas produções, assim como a sua carreira, levam tempo para encontrar o reconhecimento certo. Matt Damon, aliás, segue como presença constante em Hollywood, inclusive nos bastidores. Um exemplo é sua recente parceria com Ben Affleck na produção de Unstoppable, estrelado por Jennifer Lopez.

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