Grant Morrison detestou performance de Jason Momoa como Lobo

Andre Luiz

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Supergirl está longe de ter sido o sucesso de bilheteria que fãs e o próprio estúdio esperavam depois do bom desempenho de Superman, de James Gunn, mas uma coisa que praticamente ninguém havia criticado até agora era Lobo, vivido por Jason Momoa. Isso mudou quando Grant Morrison, um dos roteiristas mais celebrados da história da DC Comics, finalmente assistiu ao filme.

Um currículo e tanto por trás da opinião

Morrison acumula passagens marcantes por títulos como Animal Man, JLA, Patrulha do Destino, Lanterna Verde e Batman, currículo que dá peso considerável a qualquer avaliação sobre os quadrinhos da editora. Na mais recente edição de sua newsletter pessoal, Xanaduum, Morrison revelou ter finalmente assistido a Supergirl, e não poupou críticas.

Antes de chegar ao personagem interpretado por Momoa, Morrison detonou a premissa de precisar de um antídoto para salvar Krypto, quando bastaria colocá-lo sob um sol amarelo, além de criticar o que chamou de vilão secundário “genérico, do tipo bandido romeno de baixo escalão”. Já sobre Milly Alcock, a avaliação foi mais gentil, com Morrison descrevendo a atuação da atriz como “convincente”.

Quando o assunto foi Lobo, porém, o tom mudou de vez.

“Uma das piores atuações que já vi”

Jason Momoa, que eu estava genuinamente ansioso para ver, foi muito decepcionante como Lobo. Foi, de fato, uma das piores atuações que eu já vi num filme, e bem intrigante, porque eu sei que o Momoa normalmente não é tão ruim assim, e o Lobo parece um personagem feito sob medida para ele interpretar. Vá entender.

Pelas palavras escolhidas, fica claro que Morrison não fazia parte do grupo de pessoas determinadas a odiar o filme só por odiar. Pelo contrário: genuinamente esperava que Momoa entregasse um bom trabalho, e ficou desapontado com o resultado.

Lobo
Jason Momoa como o Lobo em Supergirl – Divulgação / DC Studios

Ainda assim, vale lembrar que Lobo nunca foi um personagem particularmente profundo nos quadrinhos, funcionando basicamente como a capa de um álbum de heavy metal ganhando vida, cheio de humor ácido e violência gratuita.

Um roteirista que talvez quisesse mais sangue na tela

É possível que Morrison, como roteirista com domínio de psicologia de personagem bem acima da média, enxergue mais camadas em Lobo do que aquelas evidentes à primeira vista, e tenha refletido sobre o personagem por muito mais tempo do que Momoa jamais teve chance de fazer.

Ou talvez, só talvez, Morrison quisesse ver o czarniano completamente liberado para a classificação para maiores e mais sangrento, como boa parte dos fãs ainda deseja: se a ideia era criar um anti-herói cinematográfico com o mesmo apelo de Deadpool, por que domesticá-lo com uma classificação livre?

Talvez Lobo ainda siga os passos de Wade Wilson em mais de um sentido: antes de estourar de vez nos cinemas, o próprio Deadpool também passou por uma versão mais domesticada e menos badalada em Wolverine Origens.

Supergirl, aliás, segue rendendo discussão sobre os rumos do próprio DCU, especialmente depois de Superman ter encerrado as filmagens em Cleveland abrindo caminho direto para a sequência estrelada por Milly Alcock, cuja escalação já havia sido revelada quando James Gunn confirmou o elenco completo do novo Superman, incluindo boa parte dos nomes que hoje formam o universo em expansão da DC Studios.

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