De San Andreas a GTA 6: a evolução dos namoros na série

Vinicius Miranda

O relacionamento de Jason e Lucia é a grande aposta narrativa de GTA 6, mas ele não surgiu do nada. A série da Rockstar Games experimenta com namoro em GTA desde 2004. Quase sempre foi passatempo, às vezes polêmica e, em um caso específico, peça da trama. Cada jogo tratou o tema de um jeito. Antes de o novo título colocar o casal no centro de tudo, vale rever o caminho que levou até aqui.

GTA: San Andreas e as seis namoradas de CJ

GTA San Andreas – Divulgação / Rockstar Games

Tudo começou em GTA: San Andreas. Espalhadas pelo mapa, seis garotas podiam ser conquistadas por CJ, cada uma com gostos próprios. Uma preferia homens musculosos, outra gostava de carros velozes, outra exigia roupas específicas.

O jogador precisava levá-las a restaurantes, bares ou boates, dançar em minigames e manter o físico de acordo com a preferência de cada uma. Em troca, os encontros rendiam recompensas concretas, como manter as armas ao ser preso ou hospitalizado e ganhar acesso a veículos e roupas exclusivas. Uma das namoradas, Millie, era inclusive necessária para avançar em um assalto da campanha.

O caso Hot Coffee

O sistema ficou famoso por um motivo indesejado. Em 2005, jogadores descobriram uma modificação batizada de Hot Coffee. Ela liberava um minigame de conteúdo sexual que a Rockstar havia deixado desativado nos arquivos do jogo.

A repercussão foi enorme. A classificação indicativa nos Estados Unidos mudou para “somente adultos” e o título foi retirado das lojas. Uma versão corrigida foi lançada depois. O episódio ainda gerou audiências no Congresso americano e um acordo com órgãos de defesa do consumidor. O caso virou um dos maiores escândalos da história dos games, e a Rockstar passou a tratar o tema com muito mais cautela.

GTA IV: a namorada que importava

GTA 4 – Divulgação / Rockstar Games

GTA IV manteve os encontros, mas os integrou ao mundo mais realista de Liberty City. Niko Bellic podia marcar saídas por telefone, escolher roupa e carro adequados e levar a parceira a boliche, bar ou restaurante. Cada uma reagia de forma diferente.

Duas namoradas eram parte da história. Michelle escondia uma identidade secreta que se revelava durante a campanha. Kate McReary, irmã dos amigos de Niko, estava ligada diretamente a uma das escolhas finais do jogo. Além delas, o jogador podia conhecer mulheres por sites de encontros da internet do jogo. Elas ofereciam vantagens como descontos em roupas ou ajuda para reduzir o nível de procurado.

GTA 5: o sistema que quase ninguém lembra

GTA 5 – Divulgação / Rockstar Games

Em GTA 5, o namoro praticamente sumiu, mas não por completo. No clube de strip de Los Santos, os protagonistas podiam interagir com as dançarinas durante apresentações privadas. Ao conquistar a simpatia delas, ganhavam o número de telefone e podiam levá-las para casa.

A partir daí, era possível chamá-las de novo por telefone. Era um sistema pequeno, sem impacto na história e sem os encontros em restaurantes dos jogos anteriores. Muitos jogadores terminaram a campanha sem descobrir que ele existia.

GTA 6: o namoro vira o coração do jogo

GTA 6
GTA 6 – Divulgação / Rockstar Games

A mudança em GTA 6 é de natureza, não de escala. Pela primeira vez, os dois protagonistas formam um casal, e a Rockstar confirmou que o vínculo entre eles é uma mecânica que o jogador administra. Rob Nelson, codiretor da Rockstar North, explicou à imprensa que Jason e Lucia podem terminar a história apaixonados ou apenas como parceiros de crime. Tudo depende de como forem tratados. Passar tempo juntos em atividades comuns, responder mensagens quando estão separados e gestos como dar as mãos alimentam a relação. O romance é opcional e não altera a parceria criminosa, mas Nelson não revelou como a história muda conforme o estado do casal.

A comparação com os jogos anteriores mostra o tamanho do salto. Em San Andreas, as namoradas eram fonte de bônus. Em GTA IV, uma delas tinha peso na trama, mas as demais eram passatempo. Em GTA 5, o sistema era quase um easter egg. Em GTA 6, a relação é o eixo da narrativa, inspirada em Bonnie e Clyde, e cabe ao jogador decidir se ela sobrevive. Quem quiser revisitar as origens pode fazê-lo na trilogia clássica, que recebeu atualização anos após o lançamento.

Para quem cresceu levando as namoradas de CJ para dançar, o novo sistema é uma evolução natural. Há muito mais consequência e muito menos repetição. Para quem nunca se importou com o tema, a boa notícia é que a Rockstar prometeu não impor o romance a ninguém. O risco é o estúdio repetir a monotonia dos encontros antigos, agora com peso narrativo. Se acertar, terá criado o primeiro GTA em que cuidar de alguém importa tanto quanto sobreviver. Foram anos em que os fãs esperavam por qualquer sinal do jogo. A resposta chega em 19 de novembro de 2026, quando GTA 6 é lançado para PlayStation 5 e Xbox Series X/S.

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