Guillermo del Toro não quer mais adaptar games

Andre Luiz

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Uma ligação telefônica bastou para enterrar o sonho de ver Guillermo del Toro à frente de um filme de BioShock. Em conversa com o IGN, o diretor confirmou que tentou levar BioShock ao cinema e descreveu o episódio sem rodeios.

Tivemos uma ligação muito tensa sobre alguns jogos. Ao adaptar BioShock, tivemos algumas conversas. Foram provavelmente as piores ligações que já tive.

Sem detalhes sobre os bastidores

Del Toro não revelou com quem falou nem qual seria sua função no projeto. Portanto, ainda não se sabe se ele dirigiria, escreveria ou produziria. A conversa aconteceu certamente antes de a Netflix anunciar sua versão, mas o cineasta havia manifestado vontade de ver a história do game adaptada em 2017.

Perguntado se toparia outra tentativa, o diretor não deixou margem para dúvidas.

Nunca mais. Não, de jeito nenhum.

Por que jogo e cinema não se misturam, segundo ele

Na visão de del Toro, o problema vai além dos negócios. As duas linguagens parecem próximas, mas a construção da narrativa é outra, como ele explicou de acordo com o ComicBook.

Acho que a dinâmica de um videogame é muito diferente da de um filme. Podem ser cinematográficos em termos de câmera se movendo e tudo mais, mas a narrativa é muito diferente, porque você não está resolvendo quebra-cabeças. Você não está montando.

BioShock
BioShock – Divulgação / 2K Games

A experiência anterior também pesa. O diretor ficou à frente de InSane, jogo em parceria com a THQ anunciado em 2010 e cancelado em 2012. Outra frustração com o meio foi o projeto de Silent Hills, ao lado de Hideo Kojima, que também não saiu do papel.

A situação de BioShock no cinema

A Universal interrompeu em 2009 uma versão dirigida por Gore Verbinski, quando o orçamento chegou a cerca de US$ 160 milhões. Hoje, a adaptação da Netflix segue em desenvolvimento, com Francis Lawrence na direção e Michael Green no roteiro.

Uma lição para Hollywood e para os fãs

Para os fãs, a notícia soa como perda, já que o visual sombrio de Guillermo del Toro combinaria com a obra. Para o mercado, porém, revela como adaptar games ainda esbarra em orçamento e em exigências criativas.

Projetos caindo não são novidade na carreira de Guillermo, como mostra o cancelamento do terceiro Hellboy, confirmado por ele mesmo em 2017. O criador do herói, Mike Mignola, também descartou o retorno da parceria, já em 2024. Enquanto isso, o diretor segue focado em animação, longe do universo dos jogos.

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