Nada de Gwen Stacy: a morte mais dura da carreira do Homem-Aranha

Andre Luiz

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Toda a jornada de herói do Homem-Aranha nasce da tragédia e da perda, desde a morte do Tio Ben até o momento mais citado quando o assunto é dor nos quadrinhos: a queda de Gwen Stacy da ponte, orquestrada pelo Duende Verde. Só que, olhando com calma para toda a história de Peter Parker, existe uma morte ainda mais dolorosa, e o nome por trás dela é Harry Osborn.

Uma alma condenada antes mesmo de nascer

Harry Osborn era o melhor amigo de Peter Parker e chegou a namorar Mary Jane Watson enquanto Peter estava com Gwen. Só que a vida de Harry sempre foi marcada por tragédias, e um retcon publicado em O Espetacular Homem-Aranha #72, de Nick Spencer, revelou que a culpa de tudo era do próprio pai, Norman Osborn, que fez um pacto com Mephisto ainda quando Harry era bebê, trocando a alma do filho por sucesso pessoal.

Harry estava amaldiçoado desde criança, destinado a sofrer inúmeras tragédias antes de ir parar no reino do próprio Mephisto após a morte.

Isso ficou evidente ao longo de toda a trajetória conturbada do personagem: enquanto namorava Mary Jane e era o melhor amigo de Peter, Harry desenvolveu dependência química sem receber qualquer apoio do pai, que sempre o tratou como um fardo e chegou a colocar a culpa da overdose do filho em Peter e Mary Jane. Tudo desmoronou de vez quando Gwen morreu e, em seguida, o próprio Duende Verde também. Ao descobrir que o pai era o vilão e que Peter era o Homem-Aranha, Harry surtou e assumiu o manto do Duende, guiado pela certeza equivocada de que Peter havia matado Norman.

O final que tornou tudo ainda mais doloroso

A morte de Harry aconteceu em O Espetacular Homem-Aranha #200, de J.M. DeMatteis e Sal Buscema. Recuperado, ele vivia uma vida de família ao lado da esposa Liz Osborn e do filho Normie. Ao saber que Harry havia sido solto por uma brecha técnica e voltado a ter alucinações, Peter, furioso, foi atrás dele, e o confronto reacendeu o lado sombrio do amigo, que culpava Peter por ter incriminado seu pai injustamente após a morte de Gwen.

A morte de Harry Osborn – Reprodução/Marvel Comics

Mesmo com Mary Jane tentando salvar Harry até o fim, Peter não parou de atacá-lo, e o confronto ficou cada vez mais perigoso, até o Duende Verde vencer e deixar o próprio Peter preso num prédio prestes a explodir. Foi justamente esse ato que fez Harry recobrar a consciência: depois de salvar Mary Jane e Normie do incêndio, ele voltou para resgatar também o amigo que passara o episódio inteiro tentando feri-lo, morrendo no processo. Peter segurou a mão de Harry enquanto ele morria, uma perda dupla, tanto para o próprio Peter quanto para Normie, que ficou órfão de pai.

Por que Gwen Stacy perdeu força com o tempo

A morte de Gwen Stacy foi, sem dúvida, um marco que encerrou a Era de Prata dos quadrinhos, mas a própria Marvel já vinha desgastando o relacionamento entre ela e Peter antes daquele momento, já que Gwen culpava o herói pela morte do próprio pai. Pouco depois da tragédia, Peter e Mary Jane começaram a namorar, e não demorou muito para os leitores perceberem que era ela, e não Gwen, o grande amor do Homem-Aranha, o que apagou boa parte do impacto duradouro daquela morte.

A trajetória de Harry, por outro lado, segue reverberando até hoje: mesmo com seu retorno à vida durante o arco Um Novo Dia, sua morte segue tendo peso, o que ficou ainda mais evidente quando a saga Kindred aprofundou essa mitologia, revelando que nem mesmo aquele sofrimento todo era culpa dele.

O próprio Duende Verde, herdado tanto por Norman quanto por Harry, segue sendo símbolo de tragédia familiar nos quadrinhos, tema que também já rendeu discussão em outras variações do vilão que já apareceram ao longo da história do Homem-Aranha, além de aparecer com frequência nos rumores sobre quais atores poderiam reprisar o papel nos cinemas, como mostrou a expectativa em torno do retorno de Willem Dafoe e outros vilões clássicos da franquia.

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