Um título bem escolhido pode render vendas, mas também piadas. A minissérie Identity Disc, publicada pela Marvel entre agosto e dezembro de 2004, nasceu com a missão de lembrar Crise de Identidade (Identity Crisis), da DC, que fazia barulho nas lojas naquele mesmo período.
Um nome pensado para confundir a prateleira
A ideia era simples: quem procurasse a revista da DC poderia pegar a da Marvel por engano. O clima era de rivalidade naquele ano, quando Guerras Secretas e Crise de Identidade chegaram juntas aos fãs, e Joe Quesada, então editor-chefe da Marvel, é visto como figura central desse reacendimento.
A briga não era nova, e o Ei Nerd já reuniu as piadas de Deadpool com a Marvel e a DC nos gibis.
Vilões, um disco e uma família complicada
Escrita por Robert Rodi e desenhada por John Higgins, a trama reúne Deadpool, Dentes-de-Sabre, Abutre, Fanático, Homem-Areia e Mercenário. O chefão do crime Tristram Silver quer um disco que guardaria a identidade de todos os heróis do planeta. Para provar que fala sério, manda eliminar o Homem-Areia logo de cara.
O grupo invade a base da A.I.M., perde o disco e termina preso pela S.H.I.E.L.D. Depois vêm as reviravoltas: a agente de Silver é filha do Abutre, e a morte do Homem-Areia foi só encenação. O próprio Dentes-de-Sabre, aliás, voltou aos holofotes recentemente, como o Ei Nerd registrou ao falar da morte definitiva do vilão em X-Men.

Uma boa história que ninguém quis ler
A obra tinha potencial e merecia mais atenção. Identity Disc acabou fazendo bem menos sucesso do que o esperado. A versão rústica do Esquadrão Suicida reunida pela Marvel com um título “acima de qualquer suspeita” funcionava bem junta.
Só que o público não comprou a ideia. Muitos leitores desistiram porque nada importante parecia acontecer, e outros nem chegaram a abrir a revista. No fim das contas, a “trollagem” da Marvel acabou se virando contra a própria editora.
Marketing esperto, conteúdo sem impacto
O episódio mostra o risco de depender de um truque. Uma provocação gera curiosidade, mas a leitura precisa sustentar o interesse, e uma minissérie sem consequências para o universo da Marvel dificilmente retém o leitor. A editora nunca repetiu a tática.
Para os fãs, a história é uma curiosidade deliciosa de colecionador. Para o mercado, serve de lembrete: a rivalidade entre Marvel e DC rende manchetes, mas só um enredo importante rende fidelidade.






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