Muito antes de Grant Gustin vestir o traje vermelho em The Flash, outro ator já havia dado vida ao Homem mais Rápido do Mundo na televisão americana, décadas atrás, numa época em que adaptações de heróis de HQ ainda precisavam provar seu valor fora das páginas dos quadrinhos. Essa primeira jornada durou pouco, mas seu protagonista encontrou uma segunda chance de ouro dentro do próprio universo que ajudou a construir.
Um Barry Allen nascido nos anos 90
Em 20 de setembro de 1990, a CBS estreou The Flash, com John Wesley Shipp interpretando o icônico Velocista Escarlate. A série acompanhava Barry Allen como cientista forense que ganha superpoderes após um acidente em laboratório e passa a combater o crime em Central City, contando com Amanda Pays como a cientista Tina McGee e Alex Désert como o amigo Julio Mendez.
O visual do herói mantinha fidelidade aos quadrinhos, com apenas pequenos ajustes para a época, e a trama tentava conquistar um público adulto num horário nobre bem diferente do cenário atual, sem qualquer universo compartilhado de super-heróis para ajudar na familiaridade.
Apesar de introduzir personagens e vilões conhecidos dos fãs, a série durou apenas 22 episódios antes de ser cancelada. Para Shipp, porém, aquele não seria o fim de sua relação com o Flash: mais de duas décadas depois, o herói voltaria à TV de um jeito muito maior, abrindo uma oportunidade improvável para o ator.
Um retorno diferente em 2014
The Flash voltou às telas em 2014, dessa vez estrelado por Grant Gustin como Barry Allen, apresentando uma nova Central City a toda uma nova geração de espectadores.
John Wesley Shipp também retornou à franquia, só que dessa vez não como o protagonista: ele assumiu o papel de Henry Allen, o pai de Barry, numa forma inteligente de trazer o ator de volta sem simplesmente ignorar a existência da série original. Amanda Pays também reapareceu como Tina McGee, reforçando essa ligação direta entre as duas produções.
Jay Garrick fecha o círculo com o passado do ator
A conexão de Shipp com o legado do herói ficou ainda mais evidente quando ele assumiu o papel do veterano velocista Jay Garrick na terceira temporada da série do CW, décadas depois de ter sido o primeiro Barry Allen da televisão. Em entrevista ao site Comic Book, o ator explicou a semelhança entre os dois papéis.
Eu percebi que Jay é a versão do Barry que vivi após 25 anos, essencialmente, então eu decidi reassistir alguns episódios do seriado de 1990-1991. Ele é muito mais parecido com o meu personagem antigo do que Henry Allen. Acho que será divertido para o público ver muito de meu Barry Allen em Jay Garrick.
John Wesley Shipp como Jay Garrick – Reprodução/CW
O ciclo se fechou de vez durante o crossover Crise nas Infinitas Terras, quando Shipp reprisou o Barry Allen da Terra-90 originalmente visto em 1990, dessa vez com direito a um sacrifício heroico dentro da própria mitologia que ajudou a fundar.
Uma segunda vida rara no mundo dos super-heróis
A trajetória de Shipp é bastante incomum dentro do gênero: ele viveu o próprio Barry Allen, décadas depois interpretou o pai do personagem, depois um Flash alternativo, e ainda reprisou o Barry original em crossovers importantes do Arrowverso, como celebrado nas coberturas da Comic-Con de 2014, quando o elenco da nova série foi revelado ao público.
Poucos atores tiveram a chance de encarnar um mesmo herói e, décadas depois, ajudar a guiar seu legado sem nunca mais precisar vestir o uniforme, algo que ajuda a explicar por que o Flash segue como um dos personagens mais adaptados da história da DC nas telas, mesmo com altos e baixos ao longo do caminho.
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