A adaptação de Steel Ball Run na Netflix virou assunto entre os fãs de JoJo’s Bizarre Adventure. Um texto do Screen Rant sustenta que a censura e os cortes de diálogo ameaçam os temas centrais da sétima parte.
O primeiro episódio de JoJo’s Bizarre Adventure: Steel Ball Run chegou em 19 de março de 2026 e agradou bastante. Em seguida, a produção do estúdio David Production entrou em um hiato de seis meses, até a segunda etapa estrear em 25 de setembro, com episódios semanais.
Desde então, o clima esfriou. A recepção da nova fase foi menos calorosa, e a trilha sonora também gerou debate. O ponto mais grave, porém, estaria nos bastidores do roteiro.
O que teria ficado de fora
A obra original de Hirohiko Araki, publicada entre 2004 e 2011, funciona como uma crítica a nacionalismo, capitalismo, imigração, raça e colonização. Dois exemplos citados são os competidores Pocoloco e Sandman.
No mangá, a participação de Pocoloco aparece ligada a uma conversa com o avô, que lembra como o fim da escravidão não garantiu liberdade plena à população negra. Já a de Sandman remete ao genocídio e à remoção forçada de povos nativos americanos. Pelo texto, nenhum desses contextos aparece na versão animada.

Quem decidiu cortar?
É impossível apontar se a decisão partiu da David Production ou da Netflix. O estúdio, que já foi bastante fiel ao mangá, também suavizou cenas em outros momentos. Na segunda parte da saga, por exemplo, nazistas viraram apenas soldados alemães, sem a suástica. Em Stone Ocean, que a Netflix lançou em blocos de episódios, a Ku Klux Klan deu lugar a racistas sem identificação.
A plataforma, por sua vez, já se posicionou publicamente contra a censura. Mesmo assim, enfrenta acusações de suavizar obras, caso citado na adaptação de O Retrato de Dorian Gray. A violência gráfica da série segue intacta, e os cortes teriam focado no que poderia soar ofensivo ou político.
Ainda dá tempo de corrigir a rota
Para os fãs mais fiéis, o impacto é duplo. Primeiro, existe o medo de que reviravoltas e personagens importantes, como Johnny Joestar, Gyro Zeppeli e Steven Steel, percam força. Além disso, a história foi escrita para ser lenta, e pressa pode prejudicar o resultado.
Do lado do mercado, a Netflix aposta forte em anime, e uma adaptação ambiciosa que decepcione pode manchar a reputação do catálogo. O anime, contudo, ainda está no começo, e há espaço para ajustes.





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