O sol não brilhou tanto assim para Taika Waititi na estreia em festival! As primeiras críticas de ‘Klara e o Sol’ (‘Klara and the Sun’) chegaram após a exibição no BFI London Film Festival, e a recepção da crítica especializada foi majoritariamente negativa.
O filme, estrelado por Jenna Ortega (outra que também não se ajuda) e Amy Adams, é a adaptação do romance de Kazuo Ishiguro, e o grande consenso é que o estilo do diretor pesou a mão (de novo) em uma obra feita de silêncio e melancolia.
Do livro de Ishiguro ao filme: o que a crítica está dizendo
‘Klara e o Sol’ é o primeiro romance publicado por Kazuo Ishiguro após vencer o Nobel de Literatura. A obra é uma ficção científica distópica, narrada em primeira pessoa por Klara, uma Amiga Artificial (AA) movida a energia solar. Ela passa os dias em uma loja observando clientes e pessoas na rua, até ser comprada para ser a companheira de Josie, uma adolescente com uma doença crônica e misteriosa.
A adaptação foi dirigida por Waititi, de ‘Jojo Rabbit’ e ‘Thor: Ragnarok’, e o principal ponto levantado pela imprensa internacional é que o tom excêntrico e o humor característicos do diretor teriam destruído a sensibilidade, a melancolia e a profundidade existencial do livro.
É curioso, porque o próprio cineasta disse antes que tentar fazer um filme bobo atrapalharia o que a história tem de mais importante, e que ele via a obra como um drama. O longa foi exibido no BFI London Film Festival em 15 de outubro de 2026, e chega aos cinemas dos Estados Unidos em 23 de outubro.
Os pontos mais criticados (e o pouco que se salvou)
Os críticos acusaram o diretor de não sustentar os momentos de emoção real. Para o Little White Lies, o filme sabota o potencial da história pelo hábito do diretor de “cortar qualquer indício de profundidade com uma piada boba”.
Clarisse Loughrey, do The Independent, afirmou que o livro trata com profundidade de quem somos e do futuro da humanidade, enquanto o filme reduz tudo a uma história genérica sobre “o poder do amor e da amizade”. Já o The Guardian, por meio de Peter Bradshaw, deu nota 1 de 5 e classificou o longa como um “desastre sentimental”, cheio de esquisitice pós-moderna e atuações afetadas.
O The Telegraph apontou que as camadas da consciência da IA foram ignoradas e que a performance de Jenna Ortega virou um estereótipo raso, chamado de “Manic Pixie Robot Dream Girl”, sem o mistério poético do livro. O Deadline completou dizendo que o filme falha ao captar as nuances da ficção científica especulativa, deixando as reviravoltas “dolorosamente óbvias”.
Nem tudo foi pancadaria. Em reações mais amenas de festivais e do Letterboxd, houve quem elogiasse o apelo estético “comercial” e “acessível” do filme, considerando a produção visualmente bonita, calorosa e com um tom de fábula leve para a família, no estilo de ‘Edward Mãos de Tesoura’. Para esses espectadores, quem não leu o livro pode achá-lo um drama fofo e emocionante, apesar dos defeitos de direção.
Nos cinemas brasileiros, ‘Klara e o Sol’ tem estreia prevista para 5 de novembro de 2026, e aí você poderá tirar suas próprias conclusões.





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