Seis anos antes de Samuel L. Jackson empunhar o sabre roxo em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, já existia um Mace Windu oficialmente licenciado dentro do universo de Star Wars. Só que esse primeiro Mace Windu não era humano, não era Jedi, e vivia negociando droides usados numa lojinha empoeirada de Mos Eisley.
Um Squib chamado Mace Windy assumiu o posto primeiro
O nome apareceu em 1993, dentro de Galaxy Guide 7: Mos Eisley, um manual de referência de 96 páginas escrito por Martin Wixted e publicado pela West End Games para quem organizava suas próprias aventuras de RPG ambientadas em Star Wars. A biografia do personagem cabia em poucas linhas: ele havia sido barman a bordo de um cruzador de recuperação, ficou preso em Tatooine e passou a vender droides usados para um comerciante chamado Aguilae, numa loja batizada de Jawa Traders.
Fisicamente pequeno, coberto de pelos e movido por uma mania compulsiva de pechinchar, esse Mace Windy (sim, com Y) pertencia à espécie Squib, conhecida em décadas de ficção derivada de Star Wars por personagens oportunistas. Na época, ninguém enxergou problema algum em usar aquele nome: ele só existia dentro de um tratamento inédito escrito duas décadas antes, sem nenhum personagem conhecido associado a ele, então reaproveitá-lo parecia prática comum entre licenciados.
George Lucas escreveu o nome em 1973 e depois o abandonou
O tratamento em questão se chama Journal of the Whills, escrito à mão por George Lucas em janeiro de 1973, quatro anos antes de Star Wars estrear nos cinemas. São cerca de 13 páginas manuscritas, quase irreconhecíveis frente ao filme que viria a seguir, mas a linha de abertura é famosa entre quem pesquisa a fundo a criação da saga.
Esta é a história de Mace Windy, um reverenciado Jedi-bendu de Ophuchi, conforme relatada por C.J. Thorpe, aprendiz padawaan do renomado Jedi.
Praticamente nada daquele rascunho sobreviveu aos anos seguintes de reescrita. O nome desapareceu das versões que viraram o filme de 1977 e ficou ausente das duas sequências. Só quando George Lucas começou a escrever A Ameaça Fantasma, em novembro de 1994, partindo de um esboço que já tinha desde 1976, o nome esquecido ressurgiu e foi parar num membro do Conselho Jedi. Nesse momento, o Squib já estava impresso havia mais de um ano.

O autor que batizou o Squib hoje ajuda a definir o cânone
Em novembro de 1996, dois anos e meio antes da estreia de A Ameaça Fantasma, a décima primeira edição da revista Star Wars Adventure Journal publicou um conto chamado Spare Parts. O autor, um freelancer chamado Pablo Hidalgo, deu ao Squib seu nome completo: Macemillian-winduarté, abreviado para Mace Windu.
Hidalgo entrou para a Lucasfilm em janeiro de 2000 e, em 2014, se tornou membro fundador do Lucasfilm Story Group, o grupo interno responsável por decidir o que é cânone oficial de Star Wars. Toda essa coincidência voltou à tona em agosto de 2026, quando uma conta de fã reuniu as datas lado a lado nas redes sociais e comentou:
Isso é INSANO! Como eu não sabia desse conto?! Um personagem diferente chamado Mace Windu. O nome apareceu pela primeira vez no rascunho de 1973 (essa parte eu já sabia). Não sabia que tinha sido usado num livro da West End Games em 1993. Depois esse conto foi escrito por Pablo Hidalgo em 1996.
A confusão acabou sendo remendada da forma mais Star Wars possível: material posterior estabeleceu que o Jedi Mace Windu ajudou a defender o planeta natal dos Squibs durante as Guerras Clônicas, o que rendeu ao vendedor de droides um título honorário de herói. Depois que toda a antiga continuidade expandida virou Legends, em 25 de abril de 2014, até essa explicação deixou de valer oficialmente, e o pequeno comerciante de Mos Eisley voltou a ser só um nome emprestado.
Vale lembrar que histórias assim, nascidas de coincidências entre o material licenciado e os rascunhos abandonados de Lucas, também explicam episódios como as origens do Grande Almirante Thrawn dentro desse mesmo universo expandido, e por que decisões editoriais tomadas décadas atrás ainda geram debate entre quem acompanha os rumos mais recentes tomados pela franquia nos cinemas.






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