Mortal Kombat: as principais diferenças dos filmes antigos para os novos

Andre Luiz

A chegada de Mortal Kombat II está reacendendo comparações entre a nova fase cinematográfica da franquia e os filmes lançados nos anos 1990. Embora ambas as versões adaptem o famoso universo dos games da NetherRealm, as produções seguem caminhos bastante diferentes em relação aos personagens, à violência, à narrativa e até às regras do torneio.

Os filmes clássicos, iniciados com Mortal Kombat (1995), ajudaram a popularizar adaptações de videogames em Hollywood. Já o reboot iniciado em 2021 apostou em uma abordagem mais sombria, violenta e conectada aos elementos modernos dos jogos.

Confira as principais diferenças entre os filmes antigos e a nova versão da franquia.

Goro perdeu força na nova franquia

Um dos personagens mais emblemáticos da série, Goro, aparece tanto nos filmes antigos quanto nos novos. Nos longas dos anos 90, o guerreiro Shokan é apresentado como uma ameaça praticamente imbatível, acumulando vitórias no torneio de Mortal Kombat.

Em Mortal Kombat (1995), o personagem derrota diversos lutadores da Terra antes de ser vencido por Johnny Cage em um confronto baseado mais em estratégia do que em força bruta.

Já em Mortal Kombat (2021), Goro é derrotado por Cole Young, personagem criado exclusivamente para o cinema. A mudança gerou repercussão entre fãs da franquia, especialmente porque o combate não destaca o mesmo nível de poder associado ao personagem nos games.

A morte deixou de ser definitiva

Nos filmes clássicos, a morte tinha consequências permanentes. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em Mortal Kombat: A Aniquilação, quando Shao Kahn elimina Johnny Cage logo no início da trama.

Na nova linha do tempo, no entanto, os personagens retornam com maior frequência. O reboot segue uma lógica mais próxima dos jogos, conhecidos pelas múltiplas linhas temporais e ressurreições.

Kano, por exemplo, reaparece após sua morte no filme de 2021. Kung Lao também retorna posteriormente em uma forma diferente, ampliando a presença de elementos sobrenaturais na narrativa.

Cole Young mudou o foco da história

A principal diferença do reboot foi a introdução de Cole Young, personagem inédito criado para os filmes modernos.

Enquanto os longas dos anos 90 colocavam Liu Kang como protagonista central, a versão de 2021 decidiu acompanhar a trajetória de Cole e sua descoberta do universo Mortal Kombat.

A escolha dividiu opiniões entre os fãs, especialmente pela redução do protagonismo de personagens clássicos da franquia.

Reptile ganhou uma nova interpretação

Outro personagem que sofreu alterações importantes foi Reptile.

Na versão de 1995, o lutador aparece inicialmente como uma criatura invisível semelhante a um lagarto, mas assume uma forma humanoide durante o combate contra Liu Kang, reproduzindo visualmente o ninja verde dos jogos.

No reboot de 2021, o personagem permanece mais próximo de uma criatura monstruosa e reptiliana, utilizando invisibilidade e ataques animalescos. A batalha também apresenta um dos fatalities mais violentos da nova franquia.

Os poderes dos lutadores foram reformulados

Os filmes antigos mantinham os lutadores da Terra relativamente próximos da realidade, com habilidades físicas mais “pé no chão”.

Já os reboots introduziram o conceito de “Arcana”, uma espécie de poder oculto responsável por despertar habilidades especiais nos combatentes.

A mudança alterou completamente personagens como Jax, que passou a evoluir seus braços metálicos através desse novo sistema de poderes.

Os Deuses Anciões tiveram menos destaque nos novos filmes

Os Elder Gods aparecem rapidamente em Mortal Kombat: A Aniquilação, atuando diretamente durante o confronto entre Liu Kang e Shao Kahn.

Na nova franquia, eles são apenas mencionados. Shang Tsung inclusive afirma para Mileena: “Deixe os Deuses Anciões comigo.”

Até o momento, os novos filmes ainda não mostraram visualmente essas entidades.

Shang Tsung mudou completamente de perfil

A interpretação de Cary-Hiroyuki Tagawa em Mortal Kombat (1995) transformou Shang Tsung em um dos vilões mais lembrados das adaptações de videogame.

Na versão clássica, o feiticeiro mistura elegância, artes marciais e intimidação física.

Já o Shang Tsung vivido por Chin Han nos filmes atuais aposta mais em manipulação, magia e estratégia, reduzindo o foco nos combates corpo a corpo.

Liu Kang e Shao Kahn tiveram finais diferentes

Nos anos 90, Liu Kang derrota Shao Kahn em uma batalha grandiosa que inclui transformações monstruosas e efeitos visuais típicos da época.

Em Mortal Kombat II da nova franquia, o resultado do confronto é menos conclusivo. Liu Kang desaparece misteriosamente durante a luta, deixando Kitana assumir parte do combate.

A situação abre espaço para possíveis continuações futuras.

Scorpion ganhou mais profundidade no reboot

Nos filmes clássicos, Scorpion funciona basicamente como um guerreiro subordinado de Shang Tsung.

Já nos reboots, Hanzo Hasashi recebeu uma construção dramática muito mais elaborada. Sua história de vingança e tragédia familiar ganhou destaque, aproximando o personagem das versões modernas dos jogos.

A interpretação de Hiroyuki Sanada também se tornou um dos elementos mais elogiados da nova adaptação.

Os fatalities ficaram muito mais violentos

A maior mudança entre as versões talvez esteja na violência.

Os filmes dos anos 90 possuíam classificação PG-13, limitando o nível de brutalidade mostrado em tela.

Já os reboots adotaram classificação +18 e passaram a reproduzir fatalities diretamente inspirados nos games. Entre as cenas mais comentadas estão o momento em que Kung Lao corta Nitara ao meio utilizando seu chapéu giratório e diversas execuções gráficas apresentadas ao longo dos filmes.

A nova abordagem aproxima a adaptação da identidade tradicional da franquia nos videogames, conhecida justamente pelos combates extremamente violentos.

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