A morte do Batman existe nos quadrinhos, e ela faz parte da história oficial da DC, ao menos em um universo paralelo. A tese é ousada: se o herói já morreu e a editora continuou a crescer, o universo DC sobrevive sem o Batman.
Como o Bruce Wayne da Terra-2 morreu
O episódio aconteceu em Adventure Comics #462, de 1979. Nele, Bruce Wayne enfrenta o vilão Bill Jensen, que havia derrotado a Sociedade da Justiça e exigia lutar contra o Batman. Quando a identidade do herói foi revelada, Jensen perdeu o controle dos próprios poderes e matou os dois.
A cena teve testemunha: Helena Wayne, a Caçadora, viu o pai morrer. Depois disso, Dick Grayson, o Robin adulto daquele mundo, virou advogado e embaixador, mas seguiu como integrante da Sociedade da Justiça. Power Girl e Helena também passaram a trabalhar juntas nos anos seguintes.
Por que é parte do cânone
Durante décadas, os fatos da Terra-2 não valiam depois de Crise nas Infinitas Terras, que encerrou o multiverso original da editora em 1985. A virada veio em 2005, quando Geoff Johns tornou canônica a origem clássica de Power Girl e reabriu as portas para aquele passado.
O paradoxo é inegável. Tudo o que saiu em um gibi da DC aconteceu de algum jeito, mesmo que depois tenha sido reescrito. É como se tivesse acontecido, ao mesmo tempo em que não.

O mundo que continuou sem ele
O argumento central é que a Terra-2 seguiu fazendo sucesso depois da morte de Bruce. Aquele universo só deixou de existir quando a editora quis levar seus heróis para outro rumo. Isso prova que a DC já criou, e fez prosperar, um mundo sem o Batman.
O personagem está em toda parte e muitos fãs se cansam disso. Ainda assim, o herói continua vendendo, e esse peso comercial explica a onipresença. A mesma lógica explica por que a editora insiste em revisitá-lo, como em Batman Absoluto, que muda a origem do herói e foi comentado na cobertura do Ei Nerd sobre o título.
Ausência que reforça a presença
A provocação tem lógica, mas esbarra em um detalhe. Na DC, morte raramente dura, como lembra o Ei Nerd ao listar os personagens que não param de morrer. Ou seja, até a ausência do Batman costuma ser temporária, e a editora sabe que o público volta.
Para os leitores, a discussão é saudável, porque abre espaço para heróis menos explorados. Para o mercado, a realidade é outra: um Batman fraco de vendas colocaria a DC em dificuldade, e por isso o personagem segue protegido. A Terra-2 mostra que a sobrevivência é possível, mas não que seja desejada pelo caixa.






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