Motoqueiro Fantasma é a chance da Marvel de pagar 2 promessas

Andre Luiz

A escalação de Ryan Gosling como Motoqueiro Fantasma animou o público por motivos que vão além do nome do ator. O projeto representa a primeira aposta concreta do estúdio no canto sobrenatural do MCU, terreno prometido há anos e abandonado duas vezes.

A primeira promessa esquecida

Em 2019, a companhia anunciou duas séries de terror para uma plataforma de streaming voltada a conteúdo adulto. Elas foram apresentadas como pilares de uma linha própria, conectadas entre si e isoladas dos filmes principais.

Uma delas era justamente sobre o personagem, com o retorno de um ator que já havia vivido outra versão dele na televisão, no caso, o Motorista Fantasma interpretado por Gabriel Luna. Quatro meses depois do anúncio, porém, a plataforma desistiu do projeto.

A outra produção, Helstrom, chegou em 2020 já sem o nome do estúdio no título. Aquele plano nunca mais foi mencionado, e o assunto ficou parado por seis anos.

Helstrom – Reprodução/Marvel/Hulu

A segunda dívida ficou no cinema

O caso mais lembrado veio no fim de Eternos. Uma cena pós-créditos apresentou a voz do caçador de vampiros Blade dirigindo-se a Dane Whitman, montando duas expectativas de uma só vez.

A primeira era o filme solo do Blade, protagonizado por Mahershala Ali. A segunda envolvia o próprio Whitman, cuja origem heroica virou um dos assuntos mais comentados na estreia do longa.

Cinco anos depois, nenhuma das duas se concretizou. O projeto do caçador atravessou reescritas sucessivas e trocas de diretor, sem confirmação de que Ali anunciado segue no papel.

O tamanho do atraso

A situação chegou a virar piada do próprio comando do estúdio. Kevin Feige brincou recentemente que os adiamentos daquele filme o fazem se sentir um fracassado.

Houve um consolo pontual pelo caminho. O intérprete original do personagem, Wesley Snipes, voltou brevemente em outra produção, Deadpool & Wolverine, e o ator anunciado para a nova versão já havia reconhecido publicamente o peso desse antecessor.

Blade Marvel Disney
Wesley Snipes como Blade – Divulgação: Marvel Studios

Por que o novo filme muda o jogo

Existe uma diferença prática entre prometer e produzir. Um longa solo, com data marcada e um astro desse porte, obriga o estúdio a construir a mitologia que vinha adiando.

Personagens sobrenaturais precisam de regras próprias, de tom próprio e de um espaço narrativo definido. Nada disso se resolve em cena pós-créditos.

Os rumores mais fortes apontam para um filme de equipe reunindo esses heróis das trevas. Seria o desfecho natural de tudo que foi prometido lá atrás.

O que ainda é especulação

Aqui entram os poréns. Nenhum filme de equipe foi anunciado, e o estúdio não confirmou qual versão do herói Gosling interpreta. Também não há novidade sobre o longa de Blade. Tudo que circula sobre esse encontro nasce de leitura de fãs e de relatos de bastidor.

Para quem não acompanha os quadrinhos, o canto sobrenatural da editora reúne caçadores de monstros, vigilantes amaldiçoados e criaturas místicas, com tom bem mais próximo do terror do que do filme de super-herói tradicional. É um público específico e fiel.

Sobre promessas antigas

O histórico recomenda paciência. A Marvel já anunciou uma linha sobrenatural inteira e a engavetou em menos de um ano, sem explicação pública. Seis anos de silêncio justificam ceticismo, mesmo diante de um anúncio empolgante. A diferença desta vez é que existe um filme com data marcada, e não apenas um plano em apresentação de investidores.

A estreia de Motoqueiro Fantasma está prevista para 2028. Até lá, o melhor a fazer é acompanhar sem construir expectativa em cima de projetos que ninguém confirmou.

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