O último grande momento dos quadrinhos adaptado pelo MCU pode ter acontecido em 2022, com o episódio final de Mulher-Hulk: Defensora de Heróis. A tese enxerga na série uma ousadia que a Marvel Studios não repetiu desde então.
O que aconteceu no desfecho
No fim da temporada, a heroína vivida por Tatiana Maslany chega a sair do enquadramento da própria série e invade a interface do Disney+. Lá, ela encontra KEVIN, a IA que administra o universo da Marvel, e reclama de um final genérico. A cena é um pedido por algo fora do clichê de super-heróis, atendido sem uma batalha.
Antes disso, a trama acompanha Jennifer Walters, que perde o emprego de promotora e passa a advogar como Mulher-Hulk, defendendo supervilões. O Abominável, por exemplo, é o primeiro cliente em uma audiência de liberdade condicional, enquanto o vilão Hulk King tenta se transformar em um monstro gamma com um grupo de misóginos.
Uma tradição das HQs
Quebrar a quarta parede é marca da personagem nos quadrinhos. Criada por Stan Lee e John Buscema em Savage She-Hulk #1, em 1979, ela ganhou a fase mais metalinguística nas mãos de John Byrne em The Sensational She-Hulk, reclamando com editores e até pulando para fora dos quadros.

Daí vem a provocação: muitos fãs acusaram a série de copiar Deadpool, mas, na verdade, é o mercenário quem teria apenas seguido o que a heroína já fazia. O personagem estreou em 1990 e só quebrou a quarta parede em 1997, na fase de Joe Kelly. O Ei Nerd já havia noticiado, em 2021, que a produção da Marvel traria a quebra da quarta parede como recurso típico dos gibis da personagem.
E o futuro de Jennifer Walters?
A segunda temporada nunca foi confirmada pela Marvel Studios. Em entrevista recente, Maslany indicou que um retorno depende de manter a essência cômica da heroína.
Precisaria abordar algo do mundo de hoje, porque esse é o poder da Mulher-Hulk.
A declaração aparece na matéria sobre a condição da atriz para voltar ao MCU, que também lembra que a personagem não foi anunciada para Vingadores: Doutor Destino nem para Vingadores: Guerras Secretas.
A reflexão levanta um debate recorrente entre os fãs: se a Marvel deixou de lado apostas arriscadas como a de Mulher-Hulk em favor de fórmulas mais seguras. Para o público, o recado é que o MCU poderia aproveitar melhor a criatividade dos quadrinhos. Para o estúdio, a polêmica em torno da série mostra que ousar rende conversa, mesmo quando divide opiniões.




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