Quem diria que o maior rival da Netflix não seria a Disney, a HBO ou a Amazon, e sim aquele site onde a gente assiste de tudo desde 2005? O YouTube vem ganhando cada vez mais espaço nas TVs de casa e, segundo analistas, está tirando audiência da Netflix. O assunto ficou ainda mais quente depois do balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 20 de outubro.
O YouTube já passou a Netflix no tempo de TV
Os números ajudam a entender o tamanho da virada. Segundo a Nielsen, nos Estados Unidos a Netflix representa 7,8% do consumo de televisão, enquanto o YouTube chega a cerca de 14%. Isso significa que o YouTube é, há meses, a plataforma de streaming mais assistida na tela da TV, e o hábito de “ligar a TV para ver o que tem” passa cada vez mais pela busca no YouTube, em vez da navegação pelo catálogo de séries.
Em setembro, o banco HSBC rebaixou a recomendação das ações da Netflix de “compra” para “manutenção” e cortou o preço-alvo de US$ 96 para US$ 76. O analista afirmou que o YouTube vem ampliando rapidamente sua presença nas salas de estar e que a participação da Netflix no tempo de TV nos EUA caiu ao menor nível em vários anos.
Segundo ele, a empresa também sofre com a falta de grandes sucessos originais e com a recepção cada vez pior ao conteúdo próprio. A tendência também aparece entre os jovens: uma pesquisa já apontou que mais adolescentes americanos assistem YouTube do que Netflix.

O que a Netflix está fazendo (e o resultado do balanço)
A Netflix não está parada. No terceiro trimestre, a empresa superou as previsões de Wall Street, com lucro por ação de US$ 0,87, mas a desaceleração da receita fez as ações caírem até 7%. A plataforma tem mais de 325 milhões de assinantes, e o crescimento do consumo perdeu força: no primeiro semestre de 2026, os usuários assistiram a apenas 2% mais conteúdo do que no mesmo período de 2025.
Para reagir, a Netflix vem ampliando a oferta para além de séries e filmes, com esportes ao vivo, podcasts, videogames e conteúdo de terceiros. O YouTube, por sua vez, atrai criadores com financiamento direto e remodelou o layout para facilitar a maratona de conteúdos longos na TV, e afirma ter investido US$ 100 bilhões na Europa entre 2021 e 2025, valor US$ 20 bilhões acima do gasto estimado da Netflix. Ou seja, a briga agora é pela atenção, e não só pelo catálogo: quem lança grandes sucessos e segura o público vai sair na frente.







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