Paramount deve vender Nickelodeon e Cartoon Network após fusão com Warner

Andre Luiz

Uma das maiores movimentações da indústria do entretenimento pode ter um efeito inesperado sobre dois gigantes da animação.

Segundo uma reportagem da agência Bloomberg, a Paramount Skydance estaria disposta a vender canais infantis de peso, entre eles a Nickelodeon e o Cartoon Network, como forma de garantir a aprovação de sua bilionária fusão com a Warner Bros. Discovery. É importante frisar que nada foi decidido, e a venda seria um último recurso.

O que está em jogo

A operação em questão é a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, avaliada em cerca de US$ 110 bilhões. Caso seja concluída, o negócio criará um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, reunindo sob o mesmo guarda-chuva marcas como HBO Max, CNN, CBS, Paramount+ e franquias do porte de Harry Potter e Missão: Impossível.

O problema é que essa concentração de poder acendeu o sinal de alerta dos órgãos reguladores, especialmente na Europa. A Comissão Europeia tem até 7 de julho para aprovar a transação em uma fase inicial ou abrir uma investigação aprofundada, que pode durar meses e atrasar todo o processo.

Por que os canais infantis entraram na conta

O foco da preocupação dos reguladores está justamente no setor de TV infantil.

A Nickelodeon, casa do Bob Esponja, pertence à Paramount, enquanto o Cartoon Network, lar de séries como Hora de Aventura e Apenas um Show, é da Warner. Juntas, segundo as análises citadas, essas marcas dominariam cerca de metade do mercado de televisão infantil na Europa.

bob esponja
Patrick e Bob Esponja – Reprodução/Nickelodeon

Essa fatia preocupa as autoridades por uma possível ameaça à livre concorrência.

De acordo com a Bloomberg, a Paramount prefere manter todos os seus ativos, mas sinalizou que abriria mão de canais específicos caso os reguladores apontem risco de monopólio. Uma analista ouvida pela agência explicou que a fusão seria examinada de perto justamente nesse ponto.

É bastante provável que a comissão analise com atenção as sobreposições entre Paramount e Warner Bros. Discovery no fornecimento de canais de televisão infantil. Preocupações seriam levantadas caso as fatias de mercado combinadas ultrapassem 40% em algum país.

A reação de quem faz animação

A notícia mexeu com a comunidade de animadores, preocupada com o futuro de marcas tão queridas.

Alex Hirsch, criador de Gravity Falls, foi um dos que se manifestaram, primeiro com uma brincadeira sobre a comunidade se unir para comprar o Cartoon Network, e depois com uma reflexão mais séria sobre o tema.

“Isso é uma piada, gente, cartunistas não têm dinheiro de magnata. Mas eu queria que ALGUÉM que realmente amasse a animação, e que não quisesse só desmontar essas marcas icônicas por benefícios fiscais, protegesse elas dessas fusões assustadoras.”

A fala resume um receio comum entre fãs e profissionais: o de que decisões puramente financeiras coloquem em risco acervos culturais construídos ao longo de décadas. Por outro lado, uma eventual venda também poderia significar um novo dono mais focado nesses canais, então o impacto real ainda é incerto.

Um cenário ainda indefinido

Vale reforçar que toda a situação permanece em aberto.

A própria Paramount, procurada pela Bloomberg, não comentou os detalhes da investigação, afirmando apenas que vem se relacionando com os órgãos reguladores de forma construtiva e transparente. Nenhuma venda foi confirmada até o momento.

Além da Europa, o negócio enfrenta análises no Reino Unido e até nos Estados Unidos, onde uma coalizão de estados, liderada pela Califórnia, estaria preparando uma ação para barrar a fusão. Apesar dos obstáculos, a expectativa do mercado é de que a aquisição seja concluída ao longo do terceiro trimestre de 2026.

Por ora, o futuro da Nickelodeon e do Cartoon Network segue como uma das grandes incógnitas dessa negociação.

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