Vingadores: Doutor Destino – Fãs suspeitam que novo pôster é feito por IA

Vinicius Miranda

Em meio à celebração do trailer recordista, fãs apontam supostas inconsistências na arte oficial do filme. A Disney não se pronunciou, e nada foi confirmado.

O lançamento do primeiro trailer de Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday) dominou a semana com números históricos, mas nem tudo foi comemoração. O pôster oficial divulgado junto com o vídeo virou alvo de escrutínio nas redes, com parte dos fãs levantando a suspeita de que a Disney teria utilizado inteligência artificial generativa em trechos da arte.

Antes de qualquer coisa, o esclarecimento essencial. Trata-se de uma suspeita levantada por usuários, sem qualquer confirmação. Nem a Disney nem a Marvel Studios se pronunciaram sobre o assunto, e não há prova de que a imagem tenha sido gerada ou retocada por IA.

O que mostra o pôster

Divulgação/Marvel Studios

A arte em questão é uma das mais bonitas da campanha, ao menos em conceito. Ela mostra o Doutor Destino de Robert Downey Jr. de costas, cabisbaixo e segurando sua máscara, diante de uma enorme tapeçaria em seu castelo na Latvéria. O tecido retrata uma mulher e uma criança abraçadas, cercadas por anjos.

A imagem alimenta uma teoria antiga dos fãs, segundo a qual as figuras representariam a família que o vilão teria perdido, possivelmente em conexão com os eventos multiversais deixados pelos filmes anteriores. Vale frisar que essa leitura também é especulação, sem confirmação oficial da trama.

Os detalhes que geraram desconfiança

So… the official poster for Avengers Dooms Day is out and… it looks Ai because of the angel wings and that woman’s really long finger. But is it Ai?
by u/Poke-Noir in isthisAI

A polêmica nasceu em uma comunidade do Reddit dedicada justamente a identificar imagens geradas por IA. Lá, usuários esmiuçaram a tapeçaria e apontaram supostas inconsistências que, na visão deles, seriam típicas de arte sintética.

O principal alvo são os anjos. Segundo os comentários, cada figura teria asas com estrutura completamente diferente, algumas de aparência convencional e outras com formatos estranhos, comparados por um usuário a garfos. Outro ponto citado foi a mão da mulher ao centro, com dedos que pareceriam anatomicamente irregulares.

Há ainda observações sobre a borda da tapeçaria, que não manteria um padrão consistente ao longo de todo o contorno, e sobre as luminárias ao lado da peça, que quase se fundiriam ao fundo da imagem. Um dos comentaristas resumiu a impressão geral dizendo que o estilo da tapeçaria lembra o visual característico de imagens geradas por IA, ainda que o pôster como um todo talvez não seja sintético.

Por que a suspeita não é prova

Aqui entra a camada de cautela indispensável. Inconsistências visuais desse tipo podem ter várias explicações. Tapeçarias reais e pinturas estilizadas frequentemente trazem figuras assimétricas de propósito, e retoques digitais convencionais também produzem artefatos estranhos quando ampliados.

Além disso, análises feitas a olho nu por comunidades da internet, por mais dedicadas que sejam, não constituem perícia técnica. Enquanto a Disney não se manifestar, e nenhuma evidência concreta surgir, o caso permanece no terreno da desconfiança coletiva, não do fato estabelecido.

O precedente que alimenta o debate

Se a suspeita ganhou tração tão rápido, há um motivo histórico. A Marvel já utilizou IA generativa em material oficial ao menos uma vez, de forma admitida. A abertura da minissérie Invasão Secreta (Secret Invasion), de 2023, foi criada com o recurso, exibindo figuras humanas distorcidas que geraram forte reação negativa de artistas e do público.

Na época, os responsáveis argumentaram que a estética sintética era uma escolha deliberada, ligada ao tema dos alienígenas metamorfos. O episódio, porém, marcou a percepção do público e se somou às demais críticas que fizeram da produção uma das mais contestadas do UCM. Desde então, qualquer imagem oficial da Marvel com traços incomuns passa pelo pente-fino da comunidade.

Um debate maior que um pôster

O caso toca numa ferida aberta da indústria do entretenimento. O uso de IA generativa em material promocional é criticado por profissionais de arte, que veem nas ferramentas uma ameaça a empregos e um empobrecimento estético, sobretudo quando adotadas por estúdios bilionários com recursos de sobra para contratar ilustradores.

Para os estúdios, por outro lado, a tecnologia acena com agilidade e corte de custos. É um cabo de guerra que deve se intensificar nos próximos anos, e cada novo episódio de suspeita, confirmado ou não, joga lenha nessa fogueira.

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