Fã cria versão de P.T. para PC com VR e ray tracing

Vinicius Miranda

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Um desenvolvedor independente recriou “P.T.”, o teaser jogável cancelado de “Silent Hills”, como um port nativo para PC com upscaling, modo VR e outras novidades. O projeto não é oficial e exige arquivos do PS4.

Um desenvolvedor independente criou uma versão nativa para PC de “P.T.“, o lendário teaser jogável de Hideo Kojima. O projeto reconstrói o jogo do zero e adiciona recursos modernos, como upscaling, modos experimentais em terceira pessoa e realidade virtual, além de diversas opções gráficas inéditas.

O que foi P.T. e por que ele virou lenda

“P.T.”, sigla de “Playable Teaser”, foi criado por Hideo Kojima e Guillermo del Toro como um teaser interativo para “Silent Hills”, novo capítulo da série de terror da Konami que acabou cancelado. A demo foi lançada gratuitamente para PlayStation 4 em 2014, durante a Gamescom, e logo conquistou fama por seu terror psicológico.

Com o cancelamento de “Silent Hills”, em 2015, em meio ao rompimento entre Kojima e a Konami, o teaser foi retirado da PlayStation Store e nunca mais pôde ser baixado, nem mesmo no PS5. Por isso, muita gente nunca teve a chance de jogá-lo.

Um port nativo, não um emulador

O responsável pelo projeto é Lorean Xavier, que explica na página do trabalho no GitHub que a versão para PC não é um emulador. A lógica do jogo foi reconstruída em C++ a partir do comportamento do original, e o renderizador foi escrito em Vulkan. Todos os níveis, modelos, texturas, sons, scripts e cutscenes são lidos durante a execução a partir da cópia do próprio jogador do jogo de PS4. Ou seja, o projeto não distribui o conteúdo original. Segundo o desenvolvedor, ele criou o port em seu tempo livre por um motivo bem pessoal:

P.T. merecia continuar existindo em algum lugar além dos consoles que ainda o têm instalado.

Vale reforçar que se trata de uma iniciativa independente e não oficial. Até o momento, não há informação sobre qualquer posicionamento da Konami a respeito do projeto.

Melhorias gráficas que aproveitam o hardware atual

O port traz diversos recursos pensados para o hardware moderno. Entre eles estão o suporte a upscalers como AMD FSR 3.1, NVIDIA DLSS 4.5, com escolha de modelo, e Intel XeSS, além de geração de quadros com AMD FSR 3 em placas Radeon RX 5000 ou mais recentes, e DLSS Frame Generation em placas RTX série 40 ou superiores.

O jogador também conta com predefinições gráficas que vão de Baixo e Médio até Original (PS4), Alto, Ultra e Personalizado. No modo personalizado, é possível ajustar o tamanho do mapa de sombras, ativar sombras com ray tracing, nítidas como no original ou suaves, sombras de contato, oclusão de ambiente com ray tracing e reflexos de piso com ray tracing. Há ainda filtragem anisotrópica, texturas aprimoradas, ampliadas em 2x com Real-ESRGAN a partir dos arquivos do próprio jogador, além de grão de filme, desfoque de movimento, profundidade de campo, os reflexos de lente do original e a lente curva com franjas de cor.

Novos recursos: modo foto, VR e muito mais

Entre os recursos extras estão um modo foto com ferramentas avançadas, câmera livre, o Loop Browser, um Museu, o modo Game+ para acessar conteúdos de quem já finalizou o jogo e um cronômetro para speedruns. O projeto também traz uma visão em terceira pessoa experimental e suporte experimental a realidade virtual via OpenXR. Todos os idiomas originais estão incluídos, com algumas adições, e há ainda uma pasta de mods que, segundo o desenvolvedor:

Pode substituir arquivos do jogo, texturas e sons, e executar scripts em Lua que reagem a eventos do jogo.

Silent Hills – Divulgação / Konami

Para os fãs, o port representa a chance de conhecer, em um formato muito mais acessível e confortável, um dos jogos de terror mais comentados da história, que desapareceu das lojas antes mesmo de a maioria conseguir jogá-lo. Ao mesmo tempo, o projeto levanta uma discussão importante sobre preservação: quando uma empresa remove um jogo do mercado e não oferece alternativa oficial, a comunidade tende a buscar formas próprias de mantê-lo vivo.

Para a Konami, o projeto traz uma ironia curiosa. A empresa já retomou a franquia “Silent Hill” com novos lançamentos, como o remake de “Silent Hill 2”, em 2024, mas “P.T.” segue sem qualquer relançamento oficial, mantendo esse capítulo da história da série restrito a quem ainda tem o jogo instalado.

Já para o mercado, o caso reforça a pressão crescente por soluções oficiais de preservação para jogos removidos de lojas digitais. Como o projeto é independente e não autorizado, resta saber se a Konami vai ignorar a iniciativa ou tomar alguma providência, algo que, por enquanto, segue em aberto.

E você, gostaria de ver um relançamento oficial de “P.T.” para PC e consoles atuais? Deixe sua opinião nos comentários!

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