Remedyverso: como Control e Alan Wake estão conectados

Vinicius Miranda

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Antes de “Control Resonant” chegar em 24 de setembro, vale entender o multiverso que a Remedy construiu ao longo de décadas. O estúdio conectou seus jogos em um universo compartilhado e ainda usou realidades paralelas para driblar problemas de direitos autorais.

Muito antes da Marvel popularizar o multiverso

Enquanto o cinema transformava o multiverso em fenômeno de bilheteria, um estúdio finlandês de videogames construía silenciosamente o seu próprio. O chamado Remedyverso, ou Remedy Connected Universe, liga Control e “Alan Wake” em uma mesma realidade repleta de eventos paranormais. E a história de como isso aconteceu passa por vendas de franquias, contratos complicados e uma solução criativa digna de aplausos.

A jornada da Remedy Entertainment começou modestamente com “Death Rally”, jogo de corrida violenta lançado em 1996. O salto veio com “Max Payne”, em 2001, que consagrou o detetive amargurado cujo rosto era do próprio Sam Lake, diretor criativo do estúdio. Em 2002, porém, a Remedy vendeu a franquia para a Take-Two Interactive, pouco antes do lançamento de “Max Payne 2”. O resultado: “Max Payne 3”, de 2012, foi feito inteiramente pela Rockstar Games, sem participação dos criadores originais.

Alex Casey, o Max Payne disfarçado

Alex Casey – Divulgação / Remedy Entertainment

A resposta da Remedy à perda do personagem veio em 2010, com o primeiro “Alan Wake”. O protagonista é um escritor famoso de romances policiais, e o herói de seus livros é um detetive durão de Nova York chamado Alex Casey. Como aponta o Dexerto, as semelhanças com Max Payne vão dos monólogos cheios de metáforas ao tom noir das tramas. Sem os direitos do personagem original, o estúdio simplesmente o recriou como ficção dentro da própria ficção.

A trama de “Alan Wake” gira em torno da Presença Obscura, entidade presa em uma dimensão chamada Lugar Obscuro que usa a arte para tentar escapar. O escritor impede o plano, mas paga o preço: fica aprisionado na escuridão, de onde passa a escrever um novo livro para fugir. Esse gancho ficaria em aberto por mais de uma década.

Control transformou referências em universo oficial

Antes veio “Quantum Break”, jogo de viagem no tempo feito em parceria com a Microsoft. Ele ficou fora do cânone justamente por questões de propriedade intelectual. A virada real aconteceu com “Control”, em 2019. No jogo, Jesse Faden assume a diretoria da FBC, agência secreta que investiga fenômenos paranormais, enquanto procura o irmão Dylan Faden. Ali surge o conceito de AWE, sigla para Eventos de Alteração de Mundo. E vem a revelação bombástica: tudo o que aconteceu em Bright Falls, cenário de “Alan Wake”, foi um desses eventos.

As conexões só cresceram. Em um sonho, Dylan menciona um misterioso Mr. Door e descreve mundos paralelos: em um deles, um escritor escreve sobre um policial; em outro, o policial é real. A referência a Max Payne é evidente. A DLC “AWE” foi além, mostrando o próprio Alan Wake tentando escapar do Lugar Obscuro e preparando o terreno para a sequência.

Alan Wake 2, o grande evento do Remedyverso

Alan Wake 2 – Divulgação / Remedy Entertainment

Lançado em 2023, “Alan Wake 2” amarrou tudo. Alex Casey aparece em carne e osso como agente do FBI, com rosto e captura de movimentos do próprio Sam Lake, o mesmo rosto do Max Payne original. Segundo o Inverse, a voz do personagem ficou com James McCaffrey, o eterno dublador de Max Payne, completando o círculo. O jogo ainda apresenta o xerife Tim Breaker, vivido por Shawn Ashmore, o mesmo ator de Jack Joyce em “Quantum Break”, com visões de outras realidades onde viveu vidas diferentes.

E há o próprio Mr. Door, entidade que transita entre realidades. Fãs apontam fortes indícios de que ele seria Martin Hatch, figurão de “Quantum Break”, em outra forma, teoria nunca confirmada oficialmente pela Remedy. Na prática, o estúdio usou o multiverso como ferramenta jurídica. Existe uma realidade onde Casey é ficção, outra onde ele é real, e uma terceira onde os eventos de “Quantum Break” aconteceram. Tudo sem violar contrato nenhum.

A bagagem que desemboca em Control Resonant

É com esse universo inteiro nas costas que “Control Resonant” chega em 24 de setembro. O cativeiro da FBC ruiu, Dylan Faden está solto em uma Manhattan tomada por uma invasão cósmica, e caberá ao jogador limpar a bagunça.

Para quem vai encarar o novo jogo, conhecer o Remedyverso não é obrigatório. Mas transforma cada easter egg em uma pequena recompensa.

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