Riftbound com carta temática do Brasil? Riot responde ao Ei Nerd nos EUA

William Prado

Publicidade

O Ei Nerd atravessou o continente para acompanhar de perto o Radiance Summit, evento exclusivo da Riot Games dedicado a “Riftbound”, o jogo de cartas colecionáveis de “League of Legends”. No dia 29 de setembro, o campus da empresa em Los Angeles recebeu um grupo restrito de convidados para um dia inteiro de partidas, abertura de pacotes e conversas com a equipe responsável pelo TCG. E, claro, a gente não ia voltar de lá sem perguntar o que todo fã brasileiro quer saber.

Quem representou o canal foi Breno Jordan. Entre uma partida e outra, ele sentou para uma entrevista exclusiva com Rachel Unruh, líder global de publicação de “Riftbound”. O papo passou por cartas promocionais regionais, a possibilidade de uma versão em português e até pela carta favorita dela. Spoiler: é do Teemo.

UM DIA INTEIRO DENTRO DA RIOT

O Radiance Summit aconteceu poucos dias depois do Regional Qualifier de Los Angeles, uma das etapas do circuito competitivo oficial do jogo. A proposta era simples e, ao mesmo tempo, bem rara: colocar os convidados diante de “Radiance”, a nova coleção, antes de qualquer pessoa no mundo.

Isso significa abrir pacotes completamente às cegas. Ninguém ali tinha visto as cartas antes, já que o evento coincidiu com o início da temporada de prévias. Para quem acompanha TCG, essa é provavelmente a sensação mais próxima de reviver o primeiro booster da vida.

E é claro que a gente registrou esse momento. No vídeo abaixo, Breno Jordan abre os pacotes de “Radiance” direto do campus da Riot, sem saber o que ia sair de cada um:

Torneio Pré-Rift, equipe nova e futuro do jogo

Depois da abertura dos pacotes, as cartas foram direto para a mesa em um Torneio Pré-Rift, formato que antecipa os eventos de pré-lançamento realizados nas lojas. Em seguida, a Riot apresentou a equipe atual de “Riftbound”, que passou por muitas mudanças ao longo do último ano.

Além disso, o estúdio dedicou parte da programação a falar sobre o que vem pela frente em 2027 e nos anos seguintes. O dia terminou com um jantar de confraternização entre convidados e desenvolvedores.

O QUE É “RADIANCE”, O QUINTO SET DE RIFTBOUND

“Radiance” é a quinta coleção de “Riftbound” e fecha o calendário do jogo em 2026. O set chega oficialmente às lojas em 23 de outubro, enquanto os eventos Pré-Rift acontecem entre 16 e 22 de outubro.

Segundo a Riot, o tema gira em torno de campeões que resolvem problemas com criatividade e engenhosidade. Entre os destaques já revelados estão versões inéditas de Evelynn, Ekko e Seraphine. A linha de produtos inclui caixa de boosters, um deck Showdown de Evelynn contra Seraphine, o pacote Radiance Vault com seis boosters e kits Pré-Rift com nove decks prontos de campeões.

Outro detalhe importante: este é o primeiro set lançado ao mesmo tempo em inglês, chinês simplificado e francês. Português, por enquanto, segue fora da lista. E foi justamente esse um dos temas da nossa conversa.

QUEM É RACHEL UNRUH

Rachel chegou ao time de “Riftbound” depois do lançamento do jogo e hoje comanda a área de publicação global. Ou seja, ela não cria as cartas, mas cuida de como o jogo chega aos jogadores em cada região. Poucos dias antes do nosso encontro, em 18 de setembro, ela esteve em Seul para o lançamento coreano do TCG, onde apresentou a linha de produtos para iniciantes.

ENTREVISTA: RACHEL UNRUH FALA AO EI NERD

A conversa foi conduzida em inglês por Breno Jordan e aconteceu durante o Radiance Summit. Abaixo, você confere a entrevista completa com Rachel Unruh, traduzida e editada para maior clareza.

O recado para o Brasil

Ei Nerd: O que você gostaria que os fãs brasileiros soubessem sobre Riftbound?

Antes de tudo, obrigada por terem vindo e jogado Radiance com a gente. Eu sei que tem a viagem e tudo mais, então isso significa muito. Sobre a pergunta, eu gostaria que os fãs brasileiros soubessem que nós, da equipe de Riftbound, sabemos quantos jogadores apaixonados existem no Brasil. Conhecemos a comunidade, tanto de League quanto de Riftbound. Sabemos que vocês estão buscando mais oportunidades de jogar em todos os níveis, inclusive no competitivo. Então, a principal mensagem é: vemos vocês e valorizamos vocês.

Uma carta exclusiva para o Brasil?

Ei Nerd: A Coreia ganhou uma Ahri exclusiva nos boosters de “Origins” para celebrar sua conexão com a Riot. A empresa consideraria fazer algo especial assim para o Brasil? Talvez uma carta da Neeko ou da Nidalee?

Estamos sempre procurando maneiras legais de fazer cartas promocionais únicas. Uma das coisas maravilhosas que elas permitem é homenagear uma comunidade de forma mais flexível, seja uma região inteira ou um grupo mais específico, como fizemos com o Yasuo promocional coreano e com a Ahri exclusiva de Origins. Então, estamos sempre atrás de oportunidades assim, e isso certamente poderia envolver o Brasil. Eu adoraria ouvir de você e dos fãs o que vocês gostariam de ver.

Ei Nerd: Uma Neeko, talvez.

Incrível. No caso da Coreia, dedicamos muito tempo a pensar em como mostrar que entendemos e reconhecemos aquela comunidade. Trabalhamos com um artista coreano no Yasuo. Já a Ahri foi feita por um dos nossos diretores de arte, que é coreano. Escolhemos uma das campeãs favoritas por lá e a skin que, de certa forma, ajudou a lançar o servidor de League no país. A ideia é sempre criar junto com a comunidade.

Riftbound em português e espanhol

Ei Nerd: No lançamento coreano, vocês disseram que as próximas coleções sairão ao mesmo tempo no mundo todo. Os fãs da América Latina podem esperar fazer parte disso e, quem sabe, ver Riftbound em português e espanhol?

A expectativa é colocar em dia idiomas que ainda estão alcançando os demais, como o coreano e o chinês tradicional, o mais rápido possível. Adoramos a ideia de uma comunidade global em que todos vivem as mesmas coisas ao mesmo tempo. Isso melhora o lançamento dos produtos e conecta os cenários competitivos. Sobre espanhol ou português, acho que certamente, algum dia. Estamos sempre reavaliando os idiomas. Percebemos que lançar em uma nova língua dá muito trabalho, porque queremos oferecer o suporte adequado e realmente honrar aquela região. Não temos nada no horizonte imediato, mas eu consigo imaginar isso acontecendo no futuro.

Ei Nerd: Se precisarem de ajuda com a tradução, é só avisar.

Na verdade, é bem difícil. Não se trata só de traduzir. É preciso uma tradução de altíssima qualidade feita por pessoas que conheçam TCGs em um nível muito alto. Uma pequena diferença na escrita pode mudar completamente o efeito da carta. Escrever você ou todos vocês, por exemplo, pode literalmente alterar o funcionamento mecânico dela. Por isso, frequentemente recorremos a pessoas com experiência como juízes de torneio.

Como um campeão vira carta

Ei Nerd: Como vocês transformam a personalidade e as habilidades de um campeão de League em uma carta? Algum foi especialmente difícil ou divertido de fazer?

Eu trabalho na área de publicação, então não faço o design do jogo. Mas, pelo que ouço da equipe, eles pensam primeiro em quem é aquele campeão. A ideia não é só contar a história dele numa carta, mas garantir que jogar com ele passe a mesma sensação. Com a Jinx, por exemplo, a gente pensou muito em Arcane. Como incorporar aquela energia caótica? Isso vai desde a arte que usamos até as mecânicas específicas. Tudo para que a carta remeta àquele campeão e você sinta que está jogando como ele.

Ei Nerd: Deve ser um trabalho bem complexo.

Acho que sim, porque também é preciso equilibrar tudo. Tenho muito respeito pela equipe do jogo. Eles precisam garantir que seja acessível, que não seja complexo demais, que não dependa de texto em excesso e que esteja equilibrado em relação a todas as outras cartas e campeões.

O jogador mono vai se sentir em casa?

Ei Nerd: Quem só joga com um campeão em League vai se sentir em casa com ele em Riftbound? Um jogador de Yasuo, por exemplo, vai encontrar o mesmo estilo na mesa?

Existe muita reflexão de toda a equipe sobre como colocar nas cartas a essência do campeão, sua história e seu estilo de jogo. Então, se você tem um main, deve se sentir em casa com o deck dele. Ao mesmo tempo, Riftbound é uma oportunidade de experimentar outros campeões. E a boa notícia para quem só quer jogar com um é que faremos várias versões dele. Se uma não agradar, haverá outras no futuro.

Riftbound também é para quem chegou por Arcane

Ei Nerd: Muitos fãs conheceram League por causa de “Arcane”. Riftbound também foi pensado para quem ama os personagens, mas talvez nunca tenha jogado “League of Legends”?

Com certeza. Para quem é fã de algum campeão que aparece em Arcane, poder segurar uma versão física dele é algo incrivelmente valioso. Então, acho que é 100% ótimo para o público de Arcane. E também para quem joga League, TFT ou se interessa por qualquer coisa do universo de League of Legends.

A herança de Legends of Runeterra

Ei Nerd: A Riot já fez “Legends of Runeterra”, um card game digital. O que os fãs dele vão encontrar de familiar em Riftbound?

Somos todos grandes fãs de Legends of Runeterra. Temos muitos designers que trabalharam nele e também trabalham ou já trabalharam em Riftbound. Aprendemos muito com ele, tanto com o que fez de maneira incrível quanto com as dificuldades que enfrentou. Vocês vão ver muitas das artes que estavam em Legends of Runeterra e até algumas mecânicas inspiradas nele. Então, Riftbound vai parecer familiar, mas também novo e diferente.

Por onde começar

Ei Nerd: Se um fã brasileiro quiser começar a jogar nesta semana, qual deck você recomendaria?

Cada pessoa tem sua resposta, mas acho que o ideal é começar com um deck pronto, porque montar um deck pode assustar no início. Proving Grounds é uma ótima maneira de fazer isso. Você abre a caixa e já pode jogar. Ele ensina as regras e traz quatro decks prontos para jogar com os amigos. Os decks de campeão e os decks Showdown também são ótimas opções, porque vêm completos. No fim das contas, se você tem um campeão favorito disponível, escolha ele. Se você já ama aquele campeão, existe uma boa chance de gostar do estilo dele em Riftbound.

A carta favorita

Ei Nerd: Para fechar, qual é a sua carta favorita?

Sou muito fã do Teemo. Existe uma quantidade fora do comum de fãs dele na equipe de Riftbound. Então, quando vocês virem muitos Teemos, saibam que é porque nós realmente amamos o Teemo. Joguei League lá no começo e sempre amei ele. Adoro que, ao jogar de Teemo, você se sente meio troll, que é exatamente como eu quero me sentir.

Mensagem para a América Latina

Ei Nerd: E qual mensagem você deixa para os fãs do Brasil e da América Latina?

Se eu tivesse uma mensagem para os fãs brasileiros, seria: obrigada. Quero que saibam que a nossa equipe vê vocês. Vemos uma comunidade florescendo, pessoas maravilhosas construindo tantas coisas, com vontade e amor. Sei que às vezes houve problemas de acesso, e estamos sempre tentando descobrir como apoiar melhor a região. Acima de tudo, valorizamos todos os fãs brasileiros e vemos o amor deles por League começando a crescer também por Riftbound.

O BRASIL NO RADAR DA RIOT, MAS SEM PRESSA

A entrevista deixa duas mensagens claras. A primeira é que a Riot sabe do tamanho da base brasileira e não fecha a porta para uma carta regional. O exemplo coreano, com artistas locais e campeões escolhidos a dedo, mostra que existe um modelo pronto para isso.

Por outro lado, Riftbound em português segue sem previsão. Desde a chegada oficial, em novembro de 2025, o jogo circula por aqui apenas em inglês, e parte da comunidade reclamou de preços altos e falta de produtos no lançamento. A própria Rachel reconheceu os problemas de acesso. Uma versão traduzida derrubaria a principal barreira para quem vem só do “League of Legends”, mas a explicação sobre juízes e precisão de texto indica que essa estrutura ainda precisa ser montada.

No fim das contas, o reconhecimento já existe. Agora, falta transformá-lo em produtos, eventos competitivos e, quem sabe, uma Neeko com sotaque brasileiro. A gente vai continuar cobrando.

COMPARTILHE Facebook Twitter WhatsApp

Leia Também

ASSINE A NEWSLETTER

Aproveite para ter acesso ao conteúdo da revista e muito mais.

ASSINAR AGORA