Toda franquia querida carrega algum elemento que não agrada a totalidade dos fãs, seja um episódio que não cai bem ou um personagem que nasce e já recebe uma onda de rejeição capaz de durar décadas. No caso de Scooby-Doo, esse personagem completou 47 anos de existência, e segue sendo o alvo favorito de piadas entre os fãs, mesmo tendo sido, na prática, o responsável por salvar a franquia de um cancelamento quase certo.
Um sobrinho barulhento que ninguém pediu
Se existe algo em que os fãs de Scooby-Doo concordam, é que Scooby-Loo é insuportável. O personagem estreou em 22 de setembro de 1979, com a estreia de Scooby-Doo e Scooby-Loo. Apresentado como o sobrinho caçula de Scooby-Doo, ele é bem diferente do tio: enérgico, barulhento, destemido, hiperativo e até agressivo, sempre disposto a partir para cima de qualquer coisa, mesmo monstros muito maiores.
Esse entusiasmo representou uma virada de tom e tanto em relação ao que os fãs conheciam e amavam, o que acabou rendendo bastante ojeriza de uma parcela do público. Décadas depois, ele segue sendo motivo de piada, mas poucos se lembram: Scooby-Loo salvou a franquia. Sem esse filhote convencido demais, um dos maiores clássicos da animação simplesmente teria acabado.
Uma franquia à beira do cancelamento
Para entender o caminho até a estreia de Scooby-Loo, é preciso relembrar um pouco da história de Scooby-Doo. A franquia nasceu em 1969 com Scooby-Doo, Cadê Você?, dentro da programação matinal de sábado da CBS, e fez tanto sucesso que deu origem a toda uma franquia.
Em 1976, Scooby-Doo migrou para a ABC quando Fred Silverman, antigo executivo da CBS, assumiu a presidência da emissora rival e trouxe novos episódios para o horário de sábado.
Só que, em 1979, o que antes era uma potência estava perdendo fôlego: a franquia já contava com três séries, várias participações de celebridades e até um primo bobo chamado Scooby-Dum, mas nada realmente funcionava. A audiência despencava e a série corria risco real de cancelamento. Foi exatamente nesse momento que Scooby-Loo entrou em cena para salvar o dia.

Com a ABC decidindo entre continuar com Scooby-Doo ou apostar no piloto sem nome de outra série, o filhote cheio de energia foi introduzido. Sua diferença gritante em relação a Scooby era justamente o que tornava o personagem atraente, e isso ajudou a série a ser renovada, agora batizada de Scooby-Doo e Scooby-Loo.
O resultado colocou Fred, Daphne e Velma um pouco mais em segundo plano, deixando os cães brilharem mais. E funcionou: o público inicialmente adorou o personagem, e a audiência disparou.
O mesmo entusiasmo que salvou também afundou a imagem
Foi justamente esse excesso de energia que, com o tempo, transformou Scooby-Loo de personagem querido em alvo constante de piadas entre os fãs. Aos poucos, o público se cansou da apresentação do personagem, principalmente dos gritos de “Poder de Filhote!” em sua voz esganiçada antes de tentar brigar com monstros muito maiores que ele.
Os fãs também passaram a reclamar do fato de que, apesar de todo o entusiasmo, Scooby-Loo se metia em confusão com frequência e precisava ser resgatado por Salsicha e Scooby. O maior problema, porém, era como ele roubava os holofotes, levando muitos fãs a ficarem incomodados com a ausência de Fred, Velma e Daphne, que chegaram a ser removidos da série por um tempo.
O que poucos param para lembrar, ou reconhecer, é que Scooby-Loo conquistou aquela confiança toda com o tempo, tornando-se um detetive genuinamente competente e amadurecendo como personagem. Ele sempre será diferente do restante da turma, mas isso não chega a ser um problema: foi sua energia e diferença que deram fôlego novo a uma franquia já desgastada.
O próprio roteirista James Gunn, aliás, já lidou com o legado espinhoso do personagem ao escrever o Scooby-Doo live-action de 2002, filme que revelou Scooby-Loo como vilão da trama, forma de zombaria que já rendeu memes por anos, como reforçado em outras revelações que o próprio Gunn fez sobre os bastidores daquele roteiro, escrito ainda no início de sua carreira, quando ele trabalhava em títulos como esse antes de se tornar um dos diretores mais celebrados de Hollywood.





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