O presidente da empresa afirmou que a transição digital é decisiva, mas garantiu que a companhia mantém apreço pelo formato em disco. A fala responde ao debate aberto pela Sony.
A Sega entrou na discussão sobre o futuro da mídia física nos videogames. Em entrevista à revista japonesa Famitsu, o presidente e diretor de operações da companhia, Shuji Utsumi, afirmou que a migração para o digital é decisiva para os jogos de maior porte. Ao mesmo tempo, ele fez questão de dizer que a empresa não pretende abandonar por completo a cultura do formato físico.
O que o executivo disse
A fala começa pelo lado prático do negócio. Segundo o executivo, quando o assunto são os títulos que a empresa chama de jogos completos, tanto no console quanto no computador, a transição digital é considerada crucial.
Ele também abordou o outro lado da questão, lembrando a origem da própria companhia como fabricante de hardware.
Éramos originalmente uma fornecedora de plataforma e, claro, ainda valorizamos nossa cultura física. (tradução livre)
Na sequência, ele explicou que a ideia não é abandonar esse legado, e sim conduzir os dois caminhos em paralelo, incorporando os aspectos importantes do digital sem abrir mão do resto.
O PC está no centro do argumento
O ponto mais interessante da entrevista tem endereço bem definido. O executivo afirmou que a fatia de pessoas que jogam no computador cresce de forma constante.
Ele citou especificamente as regiões onde consoles não são fáceis de encontrar. Nesses lugares, segundo ele, muita gente diz simplesmente que joga no PC. Para cultivar esse público, a empresa entende que precisa reforçar a distribuição digital.
O recado dialoga diretamente com mercados como o brasileiro, onde o preço de consoles pesa bastante no orçamento e o computador segue como porta de entrada para boa parte dos jogadores. A tendência de digitalização, aliás, já aparece com clareza em levantamentos sobre a predominância das vendas digitais.
A ressalva que as manchetes esconderam

Convém uma leitura atenta do que foi dito. Boa parte da repercussão tratou a declaração como uma defesa do disco e uma resposta direta à decisão da Sony de encerrar a produção de mídia física a partir de 2028.
Na prática, o executivo não se opôs a essa decisão nem prometeu manter lançamentos em disco indefinidamente. Ele falou em transição, em mudança de mentalidade e em atuar nas duas frentes ao mesmo tempo. Utsumi chegou a reconhecer que a empresa costuma pensar a partir de uma perspectiva física e que mudar isso exige esforço consciente.
Uma empresa que já fabricou consoles
O peso simbólico da fala vem da história da companhia. A Sega disputou o mercado de hardware por anos e só deixou a briga após o Dreamcast, no início dos anos 2000. Depois disso, encontrou resultado bem mais consistente atuando apenas como publicadora.
Esse passado explica a defesa do valor afetivo do formato. Cartuchos e caixas fazem parte da identidade construída pela marca, algo que o público brasileiro conhece bem e que sustenta até hoje um mercado ativo de consoles e jogos antigos.
Nem todo mundo na indústria japonesa foi tão diplomático
A posição da Sega contrasta com reações mais duras vindas do mesmo mercado. Sohei Niikawa, criador da série Disgaea, criticou abertamente o fim dos discos em declarações dadas durante um evento de cultura pop neste ano.
Segundo ele, a lógica comercial faz sentido, mas o resultado não agrada. O desenvolvedor sugeriu ainda que quem toma esse tipo de decisão dificilmente já viveu a experiência de autografar uma cópia física entregue por um fã em uma convenção.
Uma resposta calculada para não brigar com ninguém
A declaração cumpre bem o papel de agradar dois públicos ao mesmo tempo. Para o consumidor tradicional, sinaliza respeito pelo formato em disco. Para o mercado financeiro, confirma que a empresa segue o caminho de margens maiores oferecido pelo digital.
Existe, porém, uma diferença importante entre valorizar uma cultura e manter uma linha de produção. Nenhum compromisso concreto foi assumido sobre lançamentos futuros em disco. Portanto, o mais provável é que a Sega siga o movimento geral do setor, apenas em ritmo mais lento e com discurso mais cuidadoso do que o da concorrente.






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