O Senhor dos Anéis: filmes cortaram parte importante dos livros

Andre Luiz

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Quem acompanhou O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei nos cinemas sabe que a jornada termina em lágrimas, despedidas e nos Portos Cinzentos. No papel, porém, o fim é bem diferente, pois o Expurgo do Condado reserva uma última batalha aos hobbits.

Nos livros, Frodo, Sam, Merry e Pippin voltam para casa e encontram o lugar tomado por Saruman e seus aliados. Faltam alimentos, as fábricas poluem a paisagem e hobbits armados, os chamados Xerifes, fazem o papel de polícia. Homens brutos, os Grandalhões, reforçam o domínio, e quem resiste acaba preso ou agredido.

Os heróis mudaram, e o Condado sentiu

A virada acontece porque os viajantes já não são os mesmos. Merry e Pippin aprenderam estratégia militar a serviço de Rohan e de Gondor, e usam esse conhecimento para liderar a rebelião. Com clavas, facas e arcos de caça, prendem os capangas em espaços fechados. Frodo, por sua vez, pede que se evite matança desnecessária, enquanto Sam cobra justiça. Saruman acaba morto por seu próprio servo, Língua de Cobra.

A verdadeira batalha final de O Senhor dos Anéis é, no fim das contas, uma batalha de pessoas comuns, hobbits do Condado, por comida, comunidade e o direito à paz e ao descanso.

Por que Peter Jackson deixou de fora

A explicação mais provável passa por duração, orçamento e foco. Três filmes já enormes não comportariam mais um clímax depois da queda de Sauron. Além disso, a trilogia preferiu mirar em reis, elfos e lendas, em vez de olhar para o heroísmo cotidiano e os pequenos prazeres de uma vida simples.

Bilbo Bolseiro e o Condado ao fundo em O Hobbit – Reprodução/Warner Bros.

Ainda assim, o Expurgo do Condado responde a uma pergunta incômoda: o que sobra de um herói quando ele volta para casa?

O Condado ainda pode ganhar espaço

A ausência do Expurgo ganha novo peso agora que a Warner Bros. volta à Terra-Média. O estúdio desenvolve o filme O Senhor dos Anéis: Shadow of the Past, que, nos primeiros detalhes divulgados, acompanha Sam, Merry e Pippin anos depois da partida de Frodo.

Isso abre uma porta interessante, porque os hobbits seguem no centro da narrativa. Para os fãs dos livros, seria uma chance de ver esse lado mais íntimo da obra. Para o estúdio, trata-se de um terreno narrativo rico, que ainda pode render boas histórias sem repetir os grandes combates.

Por enquanto, nada indica que o Expurgo será adaptado. Mesmo assim, o debate mostra que a trilogia de Tolkien ainda rende conversas, e que as pequenas vitórias do Condado talvez digam tanto quanto as grandes guerras.

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