Série de “Tomb Raider” no Prime Video pode ser a adaptação definitiva de Lara Croft

Vinicius Miranda

A franquia “Tomb Raider” tem um histórico complicado quando o assunto é adaptação para telas. Filmes e séries animadas vieram e foram sem nunca capturar de forma definitiva o que faz de Lara Croft um ícone dos videogames. Agora, a Prime Video está desenvolvendo uma nova série live-action com Sophie Turner no papel principal e a criadora de “Fleabag”, Phoebe Waller-Bridge, por trás do projeto — e há razões concretas para acreditar que esta pode ser, finalmente, a adaptação que a franquia merece.

O longo histórico de adaptações frustradas

Tomb Raider – Divulgação / Paramount Pictures

A franquia “Tomb Raider” existe desde 1996, quando o primeiro jogo foi lançado para PC e se tornou um fenômeno. O sucesso gerou três sequências nos anos seguintes e, em 2001, uma adaptação para o cinema estrelada por Angelina Jolie. O filme foi um sucesso de bilheteria e gerou uma continuação em 2003, mas nenhum dos dois era baseado diretamente nos jogos — ambos foram adaptados de uma linha de quadrinhos da Top Cow que apresentava diferenças significativas em relação à narrativa dos games.

Em 2018, chegou o reboot live-action com Alicia Vikander, desta vez como adaptação direta do jogo de 2013. O filme foi razoavelmente fiel ao material de origem, mas a recepção foi morna — tanto da crítica quanto do público — e nunca gerou uma sequência. O Ei Nerd acompanhou à época as reações da crítica especializada, que apontaram falta de profundidade e roteiro raso como os principais problemas.

Mais recentemente, em outubro de 2024, a Netflix lançou a série animada “Tomb Raider: A Lenda de Lara Croft”, com Hayley Atwell dando voz à protagonista. A produção se conectava ao cânone da trilogia de reboot dos jogos, mas seu formato animado limitou o alcance e impediu que fosse considerada uma adaptação definitiva da franquia.

Por que a série da Prime Video parece diferente?

Sophie Turner como Lara Croft
Sophie Turner como Lara Croft – Divulgação / Amazon

O projeto da Prime Video se diferencia dos anteriores por dois motivos principais: a escolha criativa por trás das câmeras e a abordagem ao material de origem. Segundo o que foi divulgado até agora, a série não será uma continuação de nenhuma adaptação existente, mas um recomeço que busca inspiração em diferentes jogos da franquia — o que abre espaço para capturar a essência de Lara Croft de forma mais abrangente.

Phoebe Waller-Bridge, criadora e roteirista da premiada série “Fleabag” e co-roteirista de “007: Sem Tempo Para Morrer” (No Time to Die), é a responsável pelo projeto. Seu trabalho no último filme de Daniel Craig como James Bond já demonstrou capacidade de lidar com franquias de ação consagradas sem perder identidade narrativa — exatamente o desafio que a adaptação de Lara Croft apresenta.

O elenco de apoio confirmado também impressiona: Sigourney Weaver, Celia Imrie e Jason Isaacs integram o time ao lado de Turner.

O momento é favorável para adaptações de games

Fallout – Divulgação / Amazon

A série chega em um momento em que as adaptações de videogames para o streaming finalmente encontraram seu ritmo. “The Last of Us” da HBO, “Fallout” da Prime Video e produções animadas como “Arcane” e “Castlevania” demonstraram que é possível fazer jus ao material de origem com o formato certo e a equipe certa.

O exemplo do “Fallout” é especialmente relevante: a franquia de games data de 1997 e nunca havia recebido uma adaptação audiovisual até 2024 — quando finalmente chegou ao streaming e se tornou um dos maiores sucessos da Prime Video. A trajetória de “Tomb Raider” é diferente, com múltiplas tentativas anteriores que não emplacaram, mas o raciocínio é o mesmo: com o time criativo certo, até franquias difíceis de adaptar podem render obras à altura de seu legado.

O que falta para a série funcionar?

O principal desafio da nova produção é equilibrar a mitologia estabelecida nos jogos com uma narrativa que funcione de forma autônoma para o espectador. As adaptações anteriores de Lara Croft pecaram ora pela distância do material de origem, ora por seguir os jogos de perto demais sem desenvolver o que os torna envolventes além das mecânicas.

Se Waller-Bridge conseguir fazer pela arqueóloga britânica o que as melhores séries recentes fizeram por seus respectivos universos, a série da Prime Video pode ser o projeto que finalmente coloca “Tomb Raider” entre as grandes adaptações de videogames da história do streaming.

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