O crime brutal que chocou o mundo por causa da lenda do Slender Man

Luiz Gustavo Gonçalves

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Uma lenda de terror da internet acabou ligada a um crime real que chocou os Estados Unidos. Em 31 de maio de 2014, em Waukesha, no estado de Wisconsin, Payton Leutner, de apenas 12 anos, foi esfaqueada 19 vezes por duas amigas que acreditavam estar agindo para agradar o Slender Man, uma criatura fictícia que ficou famosa em histórias de terror online.

O caso ficou conhecido mundialmente como ‘Slender Man Stabbing’ e levantou discussões sobre saúde mental, influência da internet e a forma como histórias fictícias podem ser interpretadas por pessoas vulneráveis.

Como a lenda do Slender Man acabou ligada a um crime brutal

Morgan Geyser e Anissa Weier também tinham 12 anos na época e haviam desenvolvido uma obsessão pela figura do Slender Man, personagem que surgiu na internet em 2009 e ganhou popularidade por meio de imagens manipuladas, creepypastas e outras histórias de terror.

Segundo os registros do caso, as duas acreditavam que precisavam matar alguém para se tornarem servas da criatura, conhecidas nas histórias como proxies, e que, caso não cumprissem essa suposta missão, suas famílias estariam em perigo. É importante destacar que o Slender Man é um personagem fictício e que a criatura não tem qualquer relação com acontecimentos reais.

Após uma festa do pijama para comemorar o aniversário de Morgan, as garotas convenceram Payton a acompanhá-las até uma área arborizada, sob o pretexto de brincar de esconde-esconde. No local, Morgan atacou a amiga com uma faca, enquanto Anissa a incentivava, segundo os registros judiciais.

Payton sofreu 19 ferimentos por facadas, mas conseguiu sair da área de mata e chegar até um caminho próximo, onde um ciclista a encontrou e pediu ajuda. A sobrevivência da menina foi decisiva para que o crime fosse descoberto, e as duas agressoras acabaram localizadas pela polícia poucas horas depois.

O julgamento das garotas e o que aconteceu depois do crime

O caso teve um desfecho judicial incomum por causa da idade das envolvidas e das avaliações psiquiátricas. Morgan Geyser se declarou culpada de tentativa de homicídio intencional em primeiro grau e, em 2018, recebeu uma sentença de 40 anos sob supervisão de uma instituição de saúde mental.

Anissa Weier, por sua vez, se declarou culpada de participação em tentativa de homicídio intencional em segundo grau e foi condenada a 25 anos em uma instituição psiquiátrica. Ambas foram consideradas não responsáveis criminalmente em razão de doença ou deficiência mental, conforme o sistema jurídico de Wisconsin.

Anos depois, os caminhos das duas continuaram diferentes. Anissa recebeu liberdade condicional em 2021, sob condições rigorosas. Morgan também obteve liberação condicional para morar em uma casa de transição em 2025, mas cortou a tornozeleira eletrônica e fugiu em novembro daquele ano; foi localizada e detida em Illinois no dia seguinte, voltando à custódia das autoridades.

Payton sobreviveu ao ataque e, posteriormente, falou publicamente sobre a experiência e sobre como o trauma influenciou seus planos para o futuro. A história continua sendo um lembrete perturbador de que, por trás de uma lenda criada para assustar na internet, existem pessoas reais e consequências que não podem ser tratadas como ficção.

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