Star Trek: por que aliens da saga parecem humanos?

Andre Luiz

A franquia Star Trek é tão vasta que muita gente esquece que tudo começou com uma série de TV nos anos 1960. Por conta das limitações da época, a produção original tinha um detalhe curioso: a maioria dos alienígenas se parecia bastante com humanos.

Para resolver esse aparente furo, os roteiristas criaram uma explicação dentro da própria história, que sobrevive até hoje no cânone da saga.

O problema dos alienígenas humanoides

A primeira temporada de Star Trek: A Série Clássica sofria com um orçamento apertado. Por isso, era impossível criar criaturas elaboradas como as de produções atuais, a exemplo de Star Trek: Discovery. Na prática, muitos extraterrestres eram apenas atores usando fantasias simples, situação parecida com a dos alienígenas de Star Wars: Uma Nova Esperança.

A questão só foi formalmente abordada no terceiro episódio da terceira temporada, exibido em 1968. Embora o restante daquele capítulo seja hoje considerado problemático pela forma como retratou certos povos, ele trouxe uma solução criativa para o enigma dos rostos humanos espalhados pela galáxia.

Quem são os Preservadores

A explicação veio com a introdução dos chamados Preservadores. Eles não aparecem diretamente, mas o oficial Spock deduz sua existência ao decifrar um antigo obelisco. A tripulação havia ficado intrigada ao encontrar, em um planeta distante, uma comunidade idêntica a uma tribo de nativos americanos.

De acordo com a descrição da série, os Preservadores seriam uma super-raça que viajava pelo espaço resgatando civilizações ameaçadas de extinção. Eles então replantavam esses povos em outros mundos, onde poderiam crescer em segurança. Assim, a presença de tantos humanoides pela galáxia ganhava um sentido lógico.

Vale lembrar que a nave USS Enterprise sempre cruzou o universo em busca de novas civilizações, como relembrado a cada novo projeto, incluindo o aguardado quarto filme com Chris Pine.

A USS Enterprise – Reprodução/Paramount

O mais interessante é que a revelação parte justamente de Spock, talvez o personagem mais lógico de toda a franquia. Ao traduzir os símbolos do monumento, ele conclui que aquela tecnologia avançada explicava como povos tão semelhantes podiam existir em cantos tão distantes do espaço.

Dessa forma, um detalhe que poderia soar como simples economia de produção se transformou em um elemento rico da mitologia.

Uma solução que atravessou décadas

Para a publicação, ainda que os Preservadores tenham sido uma adaptação tardia na trama, a ideia se encaixa perfeitamente nas raças vistas nas primeiras temporadas. Mais do que isso, a explicação segue válida quase 50 anos depois, demonstrando o cuidado dos roteiristas com a coerência interna.

Por outro lado, nem todas as espécies precisam dessa justificativa. Raças como os vulcanos, os klingons e os Gorn são humanoides sem qualquer origem terrestre. Muitas delas, inclusive, foram modernizadas nas séries recentes, ganhando visuais bem diferentes dos originais.

Ainda assim, a contribuição dos Preservadores permanece como uma peça importante da mitologia criada por Gene Roddenberry, que rendeu ícones como o Capitão Kirk, eternizado por William Shatner. E você, conhecia essa curiosidade? Conte nos comentários!

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