Se você já se deparou com o termo Star Wars Legends em uma livraria, numa loja de quadrinhos ou em discussões sobre a franquia e não entendeu bem do que se trata, este guia é para você. O Legends é o nome oficial dado a todo o vasto material de Star Wars que foi produzido fora dos filmes originais de George Lucas e que, a partir de 2014, deixou de fazer parte da continuidade oficial da franquia. É uma das coleções de ficção científica mais extensas já criadas, e ainda hoje influencia o universo canônico de Star Wars.
O que era o Universo Expandido?

Antes de receber o nome Legends, esse conjunto de histórias era chamado de Universo Expandido (EU, na sigla em inglês). Ele abrangia livros, quadrinhos, jogos, séries de TV, brinquedos e outros produtos licenciados que construíam histórias além do que era mostrado nas telonas. A escala do material é enorme: as narrativas cobrem um período que vai de mais de 36 mil anos antes de “A Ameaça Fantasma” até 136 anos após “O Retorno de Jedi”.
O EU é, inclusive, mais antigo do que o próprio primeiro filme. A novelização de “Star Wars: Episódio IV — Uma Nova Esperança” (A New Hope) foi publicada seis meses antes da estreia do longa, em 1977. O autor foi Alan Dean Foster, que escreveu o texto a partir do roteiro de trabalho e de uma visita ao set de produção, embora o nome de George Lucas apareça na capa.

O material considerado o verdadeiro ponto de partida do EU, no entanto, é o romance “Splinter of the Mind’s Eye”, também de Foster, publicado em fevereiro de 1978. Oficialmente, porém, o primeiro produto do Universo Expandido foi uma história em quadrinhos publicada na revista “Pizzazz”, da Marvel Comics, em outubro de 1977.
Como o Universo Expandido cresceu?
Durante anos, o EU foi se desenvolvendo de forma orgânica e interconectada. Um ponto de virada importante foi a chegada da West End Games, que em 1987 começou a publicar o “Star Wars: The Roleplaying Game”. Para que o jogo funcionasse, a empresa precisou detalhar o universo de formas até então inexploradas, criando um verdadeiro banco de dados de referência para outros criadores. Foi nesse contexto que surgiu, por exemplo, o alfabeto Aurebesh — originalmente apenas um elemento de cenário em “O Retorno de Jedi”, transformado em um sistema de escrita completo que mais tarde seria incorporado à trilogia dos prequels.

Nos anos 1990, a Dark Horse Comics assumiu a licença dos quadrinhos de Star Wars da Marvel e lançou “Star Wars: Dark Empire”, uma sequência ambiciosa à trilogia original. No mesmo período, Timothy Zahn publicou pela editora Bantam Spectra a chamada Trilogia Thrawn, composta por “Heir to the Empire”, “Dark Force Rising” e “The Last Command”.
A série foi amplamente divulgada como as continuações que nunca foram feitas e reacendeu o interesse dos fãs pela franquia em um momento de baixa atividade nos cinemas. O vilão criado por Zahn, o Grande Almirante Thrawn, se tornaria tão popular que acabou sendo incorporado ao cânone moderno na série animada “Star Wars Rebels” e na série live-action “Ahsoka”.
O material produzido por West End Games, Dark Horse e os romancistas passou a se referenciar mutuamente, criando uma teia de conexões que expandia o universo em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, George Lucas havia declarado certas áreas como restritas — entre elas, a ascensão do Império, as histórias pessoais de Anakin Skywalker e as Guerras Clônicas —, reservando esses temas para os prequels que desenvolveria no futuro.
No final dos anos 1990, para renovar o fôlego narrativo, foi introduzida uma nova ameaça no EU: os Yuuzhan Vong, uma espécie alienígena que invadiu a galáxia de fora do universo conhecido. A saga foi contada na série de romances “New Jedi Order” e representou uma virada significativa no tom do material, com consequências pesadas para personagens centrais como Han Solo, Leia e Luke Skywalker.
O que mudou em 2014?

Em 25 de abril de 2014, a Lucasfilm anunciou uma mudança definitiva. Com a trilogia das sequências em desenvolvimento, era necessário estabelecer uma continuidade única e coerente. A solução foi reorganizar todo o material anterior sob o nome Star Wars Legends, deixando claro que essas histórias não fariam mais parte da continuidade oficial.
A partir daquela data, o cânone de Star Wars passou a ser formado apenas pelos seis filmes originais, pela série “Star Wars: The Clone Wars” e por todo o material produzido a partir dali em diante. O Legends, apesar de perder seu status canônico, permaneceu disponível para leitura e continua sendo uma fonte de inspiração para criadores do universo oficial — tanto que elementos como o Grand Almirante Thrawn, o planeta Mandalore e o conceito dos Rangers da Nova República foram reintroduzidos no cânone moderno com adaptações.
Os primeiros títulos republicados sob o selo Legends incluíram clássicos como “Heir to the Empire”, “The Han Solo Adventures” e “Death Troopers”, entre outros.
O Legends ainda está ativo?

Em grande parte, não. A maioria das publicações sob o banner Legends encerrou ainda em 2014. Em 2019, a Marvel Comics publicou um número especial da série original de Star Wars de 1977 em comemoração ao 80º aniversário da editora, mantendo a continuidade do Legends. Desde então, o único produto do Legends ainda em atividade é o jogo “Star Wars: The Old Republic”, que segue recebendo atualizações e expansões até hoje.
Vale a pena conhecer o Legends?
Para quem é fã de Star Wars e quer ir além dos filmes e séries, o Legends oferece décadas de histórias que exploram personagens e períodos que o cânone atual ainda não abordou. A Trilogia Thrawn, a série New Jedi Order e os quadrinhos da Dark Horse são pontos de entrada recomendados por fãs de longa data. Mesmo sem fazer parte da continuidade oficial, o Legends segue sendo uma parte fundamental da história da franquia e da cultura nerd.
Quer saber mais sobre o universo de Star Wars? Confira também: o guia completo da ordem cronológica do cânone de Star Wars e o novo teaser de “O Mandaloriano e Grogu”.





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