Street Fighter: Ryu e Ken ganham passado em anime 2D

Vinicius Miranda

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O live-action da Capcom vai trocar a câmera pelo traço feito à mão para contar a origem da rivalidade mais famosa dos games de luta. Uma featurette inédita apresenta as cenas animadas pelo estúdio Titmouse, além de revelar Gouken e Akuma em versão anime.

O filme de “Street Fighter“ guarda uma surpresa que a campanha de divulgação manteve escondida até agora. Os flashbacks de Ryu e Ken serão narrados em animação 2D desenhada à mão, produzida pelo estúdio Titmouse. A Paramount liberou uma featurette com os bastidores dessas sequências, que estreiam junto com o longa nos cinemas brasileiros em 15 de outubro.

Um anime escondido dentro do live-action

A novidade foi revelada com exclusividade pelo DiscussingFilm. O diretor Kitao Sakurai se uniu ao Titmouse para criar trechos animados quadro a quadro. Até então, nenhum trailer ou cartaz tinha dado pistas dessa mudança de linguagem.

A estrutura lembra a famosa sequência em anime de “Kill Bill: Volume 1” (“Kill Bill: Vol. 1”), de Quentin Tarantino. Ou seja, o passado dos personagens ganha outra estética, enquanto o presente segue em carne e osso.

Sakurai cresceu no Japão, e essa vivência pesou na escolha. Na featurette, o cineasta cita clássicos dos anos 1990 como “Akira” e “O Fantasma do Futuro” (“Ghost in the Shell”) entre as referências visuais. Além disso, os desenhos foram modelados a partir do próprio elenco. Os atores também emprestam a voz aos seus personagens nessas cenas.

Gouken chega ao filme com Don Lee

Os flashbacks mostram o treinamento que acabou afastando Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo). Nesse contexto, entra em cena o mestre da dupla, Gouken. O papel ficou com Don Lee, conhecido do público por “Os Eternos” (“Eternals”). A Paramount ainda divulgou um pôster individual do personagem.

As cenas animadas também dão destaque a Akuma, vivido pelo astro da WWE Roman Reigns. Contudo, o estúdio não detalhou quanto tempo de tela Gouken terá na trama. Por enquanto, a presença dele parece ligada apenas ao passado dos protagonistas.

Quem é Gouken nos games

Na mitologia da Capcom, Gouken é o irmão mais velho de Akuma. Os dois trilharam caminhos opostos nas artes marciais. Por muito tempo, os fãs acreditaram que Gouken tinha sido morto pelo irmão vingativo.

No entanto, o mestre retornou em “Street Fighter IV”. Ele volta para testar os antigos alunos e reaproximar Ryu e Ken. Por isso, a escalação de Don Lee pode indicar que o longa vai explorar justamente esse elo familiar entre mestre, discípulos e vilão.

A trama do novo “Street Fighter”

A história se passa em 1993. Ryu e Ken estão afastados há anos quando a misteriosa Chun-Li (Callina Liang) os recruta para o próximo Torneio Mundial de Guerreiros. Porém, por trás das lutas existe uma conspiração mortal, que força os dois a se enfrentar e a encarar os fantasmas do passado.

O elenco reúne ainda Cody Rhodes como Guile, Jason Momoa como Blanka e David Dastmalchian como M. Bison. Completam o time Curtis “50 Cent” Jackson como Balrog, Orville Peck como Vega e Vidyut Jammwal como Dhalsim. Olivier Richters vive Zangief, enquanto Hirooki Goto interpreta E. Honda e Mel Jarnson dá vida a Cammy.

Bilheteria acende sinal de alerta

Sakurai, de “The Eric Andre Show” e “Twisted Metal”, assumiu a direção após a saída dos irmãos Danny e Michael Philippou, de “Fale Comigo” (“Talk to Me”). O roteiro é assinado por ele e T.J. Fixman.

Segundo relatos da imprensa americana, a produção teria custado pelo menos US$ 100 milhões. Ainda assim, as projeções de mercado apontam uma estreia de cerca de US$ 20 milhões nos Estados Unidos e no Canadá. Caso se confirme, o número seria um começo modesto para um investimento desse porte.

Por que a animação pode ser a melhor carta do filme

Adaptações de games de luta sempre esbarraram no mesmo problema. Golpes como o Hadouken funcionam no controle, mas costumam soar exagerados em carne e osso. Nesse sentido, a animação 2D resolve parte do desafio, porque abraça o visual estilizado que fez a franquia famosa.

Há também um ganho narrativo. Como os trechos animados são flashbacks, eles deixam de ser enfeite e passam a sustentar o conflito central entre Ryu e Ken. Para o fã antigo, é um aceno direto aos animes da franquia nos anos 1990. Para a Paramount, pode ser o diferencial capaz de gerar boca a boca positivo e virar o jogo na bilheteria.

Afinal, se o resultado agradar, a Capcom ganha um argumento forte para expandir o universo nos cinemas. Você acha que a aposta na animação vai salvar “Street Fighter” da maldição das adaptações?

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